Acontece no Estado

Associação Comercial foi de posto de coleta de recursos para Revolução de 32


Direção da entidade ressalta a contribuição dos mogianos durante a guerra que se estendeu por três meses; ACMC é uma das entidades mais antigas do Estado


  Por Redação Facesp 08 de Julho de 2016 às 00:00

  | Das equipes de comunicação de entidades membros da Federação das Associações Comerciais do Estado de S.Paulo


O feriado deste sábado comemora os 84 anos da Revolução Constitucionalista, que marcou a tentativa paulista de derrubar o governo Getúlio Vargas e a criação de uma nova constituição brasileira. Prestes a completar 96 anos de fundação e uma das mais antigas entidades em atividade no Estado de São Paulo, a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) teve participação de destaque na guerra paulista, servindo de apoio para aqueles que defenderam a bandeira de São Paulo e funcionando como posto de coleta de fundos para financiar os confrontos.

A Revolução Constitucionalista é considerada o maior movimento cívico do Estado e se estendeu por três meses – de julho a outubro de 1932. Mogi das Cruzes deu a sua contribuição direta com voluntários que lutaram nos confronto e também com ações de retaguarda, entre elas, a arrecadação de dinheiro, alimentos e remédios que foram fundamentais durante a guerra.
“Os relatos históricos mostram que a Associação Comercial organizou a assistência para as famílias dos combatentes, fornecendo alimentos e remédios que eram doados pela população”, ressalta Tânia Fukusen Varjão, presidente da ACMC, ao lembrar que a assistência aos combatentes era encabeçada pelos médicos Milton Cruz e Deodato Wertheimer, profissionais que deixaram legados na Cidade.

Uma dos destaques da participação da ACMC na Revolução foi a campanha “Ouro para o Bem de São Paulo”. A entidade, na época presidida por Joaquim de Sá, empresário que atuava no setor de combustível, funcionou como posto oficial de arrecadação de fundos para financiar a luta dos paulistas.

“É muito importante que a população mogiana tenha conhecimento da contribuição que a Cidade deu para um dos mais relevantes fatos da história paulista. Mogi das Cruzes teve combatentes no confronto, serviu de retaguarda para outros tantos e contribuiu com recursos que foram decisivos para a revolução. A Associação Comercial, na época, foi a grande responsável pela distribuição de grãos aos familiares dos combatentes e isso precisa ser reverenciado todos os anos porque é, até hoje, um dos grandes exemplos de participação da entidade na sociedade”, diz a presidente Tânia.

Segundo ela, a Cidade contabilizou perdas, como a morte de quatro mogianos que caíram em combate - Voluntário Fernando Pinheiro Franco, Cabo Diogo Oliver, José Antônio Benedito e Jair Fontes de Godoy – na Revolução, que deixou um saldo de 934 mortos. Mas, principalmente, deu exemplos de civismo e de solidariedade. 

“A Revolução alicerçou princípios que até hoje são seguidos pela Associação Comercial, como a luta para reduzir a burocracia e, principalmente a carga tributária, para fomentar a atividade empresarial”, conclui a presidente Tânia.

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, a qual acabou com a autonomia de que os estados gozavam durante a vigência da Constituição de 1891. No total, foram 87 dias de combates, (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 - sendo o último dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de 934 mortos. São Paulo, depois da Revolução de 32, voltou a ser governado por paulistas, e, dois anos depois, uma nova constituição foi promulgada, a Constituição de 1934.