São Paulo, 26 de Maio de 2017

/ Vida e Estilo

Aprender, empreender, liderar. Uma história inspiradora
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O livro "Empreender é Viver", que será lançado nesta segunda-feira, retrata a trajetória de Alencar Burti, um empresário que combina negócios e causas

Empreender é Viver - a Trajetória de Alencar Burti, de autoria do jornalista Ricardo Viveiros, que será lançado nesta segunda-feira (31/10) em São Paulo, acende uma luz no cenário de rarefeita memória empresarial.

Sobretudo porque o personagem de que trata é diferenciado -um duplo de self made man bem-sucedido nos negócios e ativo militante de causas em favor do livre mercado em um Brasil em que a burocracia estatal e um cipoal de 25 mil normas tributárias parecem conspirar contra o ímpeto empreendedor.

"Suas realizações não se limitam aos negócios e às empresas que administra", afirma José Pastore, professor da Universidade de São Paulo, ao se referir a Burti no prefácio. "É no campo do associativismo que ele vem marcando presença proeminente no cenário nacional."

Aos 86 anos completados em agosto, idade em que a maioria de seus colegas goza de uma justa aposentadoria, Burti se mantém ativo à frente de seu quinto mandato na presidência da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (Facesp).

Enfrenta com milhares de empresários a mais grave crise econômica que aflige o país -particularmente devastadora para o setor de varejo, no que diz respeito ao fechamento de lojas e demissões de funcionários.

É só mais uma das muitas trincheiras no trajeto deste filho de imigrantes, criado pela avó ao se tornar órfão da mãe aos três anos.

No livro, escrito com prosa fluente em estilo de grande reportagem, Viveiros relata que aos 13 anos Burti já trabalhava como ajudante e, mais tarde, vendedor em uma joalheira no centro da capital paulista, onde aprendeu os primeiros macetes da profissão e desenvolveu o talento natural para vendas, garimpando observações preciosas ao observar o comportamento da clientela.

A primeira lição foi construir um relacionamento franco, conquistado com horas de conversas olho a olho com os fregueses.

Somem-se a intuição, de grande valor para um negócio baseado na confiança de ambos os lados, e a capacidade de entender desejos, limites e necessidades pessoais. Disciplina é o fator que fecha a equação.

Sempre o primeiro a chegar e o último a sair, Alencar, formado na escola da vida, incorporou esses atributos na prática de artes marciais, modalidade ainda pouco disseminada em sua juventude -e que lhe trouxe sabedoria e equilíbrio para a jornada que almejava seguir como empreendedor -o que se deu aos 30 anos com a abertura, junto com dois sócios, da primeira joalheria própria.

Transmitiu seus princípios aos quatro filhos que têm com a mulher Norma, com quem está casado há 57 anos. Todos eles se iniciaram na vida profissional nas empresas da família. “Humildade para aprender sempre” é um de seus mantras.

Viveiros, o autor, teve a habilidade de reconstruir cenários históricos do Brasil moderno que contextualizam, a cada capítulo, os movimentos de Burti.

Também pontuou seu livro com episódios curiosos, como o dia em que ele teve de administrar uma crise familiar na joalheria por conta de um lapso de um cliente que comprou uma joia para a amante. Furiosa, entrou na loja em busca de informações sobre a compra.

Foi Burti quem apagou o incêndio ao acalmar a esposa, aconselhando-a a se valorizar se quisesse reconquistar o marido.

A experiência no ramo de joias dotou Alencar de perspicácia para entender a mudança dos tempos: se antes as mulheres sentiam-se lisonjeadas ao ser presenteadas com joias, com o passar dos anos, a presença cada vez maior de automóveis nas ruas acendeu nelas o desejo de possuir um automóvel, já celebrado como novo símbolo de status da moderna sociedade brasileira.

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E não somente como presente do cônjuge. Com a ascensão profissional, as mulheres adquiriam elas mesmas seus veículos estabelecendo novos padrões para um mercado até então machista e conservador.

Foi justamente no ramo automobilístico, em que atua desde 1963, que as portas se abriram para uma promissora atividade no voluntariado associativo.

Articulou, foi cofundador e presidiu entidades do setor, como a Abrave (hoje Fenabrave), que reúne as associações de marcas.

Ao longo dos anos 70, ao lado do sócio e concunhado Renato Ferrari, batalhou por uma legislação que equilibrasse as desiguais relações entre as montadoras multinacionais e as centenas de concessionários de veículos espalhados pelo país.

A lei, que seria conhecida pelo nome o jurista Ferrari, finalmente sancionada em 1979, conferiu direitos aos distribuidores.

Em suas cinco gestões à frente da Associação Comercial de São Paulo e da Facesp, a primeira delas iniciada em 1999, Burti abriu novas frentes, não somente em defesa do setor.

"É um homem que está permanentemente preocupado não só preocupado com seu negócio, mas com o Brasil", depõe no livro o economista e ex-ministro Delfim Netto. "Tenho por ele uma grande admiração",

O Impostômetro, o painel eletrônico instalado em sua primeira gestão junto ao prédio da ACSP, na rua Boa Vista, simboliza a preocupação de conscientizar a população sobre os impostos que paga num país em que a maioria dos contribuintes não se dá conta disso, e os excessos que inibem o surgimento de empresas e travam os negócios.

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Ao lado de dezenas de outras entidades empresariais, a ACSP se engajou na campanha pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, coerentemente com sua história centenária de participação em causas cívicas.

Burti prosseguiu em defesa do empreendedores em sua passagem pelo Sebrae-SP, a partir de 2002, quando se tornou presidente.

O coroamento de sua obra foi a homenagem que lhe prestou a entidade em 2016, ao batizar com seu nome a primeira escola gratuita de empreendedorismo do Brasil, ideia que concebeu e inaugurou em 2014.

No livro, recheado de testemunhos de empresários influentes sobre a capacidade de trabalho, articulação e o caráter de Burti, quem melhor sintetiza seus trunfos é Pastore.

"Alencar nasceu para liderar", afirma. "Sua liderança advém da inusitada capacidade de aglutinar pessoas, abordadas sempre com atenção e respeito, com espírito otimista e vontade de construir. Para ele, não existem contendores ou adversários. Com poucas palavras e com muito afeto, ele os leva a convergir as divergências."

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Título: “Empreender é viver – a trajetória de Alencar Burti”.

Autor: Ricardo Viveiros

Editora: Gente

Páginas: 192.

Preço: R$ 44,90.

Lançamento: 31 de outubro de 2016, às 19 horas, na Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi, à Av. Juscelino Kubitschek, Nº 2.041,  Itaim Bibi, São Paulo - SP.

FOTOS: Divulação ACSP/Sebrae

 

 

 



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