Vida e Estilo

Trajetória do fundador da Preçolândia ganha reconhecimento


Membro do Conselho Superior da ACSP, o empresário Arab Chafic Zakka recebe hoje a medalha Anchieta e o diploma de gratidão da cidade de São Paulo


  Por Wladimir Miranda 17 de Novembro de 2016 às 08:30

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Nesta quinta-feira (17/11), o empresário Arab Chafic Zakka, fundador da Preçolândia, uma rede com 25 lojas de utilidades domésticas no estado de São Paulo, e membro do Conselho Superior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), recebe a Medalha Anchieta e o Diploma de gratidão da Cidade de São Paulo, na Câmara Municipal.

São honrarias justificadas para um filho de imigrantes libaneses que se identifica com a cidade desde que aqui desembarcou, aos seis anos de idade.

O ano era 1950 quando Arab deixou a cidade de Hasbaya, no Líbano, e chegou ao Brasil, com três irmãos (um homem e duas mulheres), o pai e a mãe.

A vocação para comerciante do pai, Chafic, não demorou a aflorar. Conseguiu importar um lote de tapetes orientais para negociar na cidade que o acolheu. Vendeu todas as peças em pouco tempo.

Quando pensou em importar mais um lote de tapetes, esbarrou nas restrições de importações impostas por Getúlio Vargas. Chafic não esmoreceu. 

Associou-se a um cunhado e juntos abriram uma confecção de vestidos para batizados na Rua 25 de março que, na época, já dava sinais de que se transformaria no que é hoje: o mais tradicional shopping a céu aberto da América Latina.

Pouco tempo depois, o cunhado morreu e Chafic teve de vender a confecção para dar a parte que pertencia à viúva.

Um outro cunhado de Chafic era proprietário de uma rede emergente de lojas no bairro da Penha, na Zona Leste da cidade: A Loja das Bagunças.

Chafic comprou uma das unidades. “E foi com esta loja que meu pai criou a família”, conta Arab.

Arab, então com 13 anos de idade, disse ao pai que queria trabalhar durante o dia e estudar à noite.

Não era o que o patriarca da família queria para os filhos. Exigia que os filhos estudassem em bons colégios e não se preocupassem com o sustento da família. Esta, dizia ‘seu’ Chafic, era uma responsabilidade só dele.

Decidido, Arab disse ao pai que gostaria de estudar à noite e trabalhar de dia. “Na verdade, eu gostava mais de trabalhar do que de estudar”, afirma.

Foi trabalhar em uma loja de armarinhos na 25 de março.

“Lá, eu fazia tudo. Varria, ajudava nas entregas e atendia no balcão”, recorda ele. Ao perceber o espírito  empreendedor do menino, um tio, Elia Zakka, o chamou para trabalhar numa das unidades da Lojas da Bagunça.

Tempos depois, Elia precisou de um gerente. Foi procurado por Arab, que foi incisivo.

“Eu quero ser gerente da loja. Preciso de três meses para provar que posso me sair bem no cargo. Se não der certo, vou embora”, disse Arab ao tio.

Elia concordou com a proposta, mas diminuiu o tempo para que o sobrinho pudesse mostrar se podia ser útil, ou não: dois meses. Arab exerceu muito bem a função. “A loja começou a vender mais do que a matriz. Fiquei 12 anos como gerente”, lembra.

A primeira loja da Preçolândia surgiu em 1978, no bairro da Água Rasa, na Zona Leste. Era um estabelecimento de 400 m2 e tinha ar-condicionado, um luxo impensável para época, principalmente num bairro da periferia da cidade. Além de ter ar-condicionado, a loja era bonita, o que poderia, em tese, afastar os clientes.

O nome, Preçolândia, surgiu da necessidade de Arab comunicar aos clientes que a loja era bonita, mas os produtos vendidos ali não eram caros. Outra estratégia de Arab foi contratar funcionários que morassem na região.

“Sei que as pessoas gostam de ser atendidas por quem fala a sua língua e tem os mesmos gostos”, disse Arab.

Hoje, a rede Preçolândia tem 25 lojas espalhadas pelo estado de São Paulo. Até o final de 2016 serão 28 lojas. E mais cinco unidades estão com projetos adiantados para serem instaladas em shoppings da Capital no início de 2017. A Preçolândia emprega 600 funcionários.

Arab administra o negócio com dois filhos e uma irmã.  “Sou viciado em trabalho”, diz ele. O único divertimento que se permite é jogar pôquer. “Jogo com os amigos. No jogo, brigo, fico nervoso. Mas tudo passa rápido. Em poucos minutos todos nós estamos dando boas risadas”, conta.

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A literatura é uma paixão. De gosto diversificado, Arab diz que gosta de Machado de Assis a Augusto Cury, mas não dispensa Marcelo Rubens Paiva, consagrado autor do best-seller "Feliz Ano Velho".

Ele acompanhou com atenção o processo eleitoral nos Estados Unidos, que resultou na vitória de Donald Trump.

“Eu previ a vitória do Trump. A sociedade norte-americana é machista. Dificilmente a Hillary Clinton ganharia. Foi a vitória da maioria silenciosa, que finalmente resolveu se manifestar”, afirma.

Em relação às homenagens na Câmara Municipal de São Paulo, diz: “Tenho uma paixão indescritível por São Paulo”. O vereador Ari Friedenbach, autor da proposta de premiação, justifica a homenagem: 

“O Arab Chafic Zakka é um brilhante empresário. Gera centenas de empregos e tem uma visão social louvável. Além disto, é muito culto”, diz.