Vida e Estilo

Por dentro do 1º iate da Armani feito no Brasil


Embarcação, de 22 metros de comprimento (ou 70 pés), tem quatro suítes distribuídas em três pavimentos


  Por Estadão Conteúdo 03 de Outubro de 2016 às 10:27

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O que pode ser mais exclusivo do que um iate de US$ 4,5 milhões, produzido quase artesanalmente por uma marca italiana?

Segundo a fabricante Azimut Yachts, no mercado de luxo a ordem é tornar o que já era sofisticado praticamente único.

É por isso, de acordo com Davide Breviglieri, presidente da Azimut no Brasil, que a empresa decidiu firmar uma parceria com uma marca de moda, a também italiana Armani.

O primeiro iate da parceria foi produzido neste semestre, em Itajaí (SC), e será apresentado ao mercado no São Paulo Boat Show, evento do setor que começa na próxima quinta-feira (06/10).

A embarcação, de 22 metros de comprimento (ou 70 pés), tem quatro suítes distribuídas em três pavimentos. A decoração do iate, em tons de cinza e vermelho, foi concebida pela área de cama, mesa e banho da Armani.

O público-alvo deste tipo de embarcação, segundo Breviglieri, são empresários já estabelecidos, e geralmente baseados em São Paulo, mercado que concentra 60% das vendas da Azimut no País. A maior parte dessas embarcações é usada para passeios de fins de semana, geralmente entre as marinas do Guarujá e atrações turísticas próximas, como Ilha Bela (SP) e Angra dos Reis (RJ).

ESTRATÉGIA

Ao posicionar-se no mercado de alto luxo, a Azimut acaba ficando alheia à crise, de acordo com o executivo.

"O cliente de um iate de 70 pés não é um aventureiro na indústria, com certeza ele já teve outros barcos." Os produtos "de entrada" da Azimut, também produzidos no País, têm entre 30 e 42 pés, mais ou menos a metade do tamanho do decorado com itens da Armani.

Os preços caem mais ou menos na mesma proporção.

Embora os produtos da Armani não ajudem no desempenho do iate, o especialista em marcas Ricardo Klein, da Top Brands, afirma que eles podem, sim, fazer diferença.

"Geralmente, no mercado de iates e de aviação executiva, muita gente customiza o interior dos equipamentos", lembra Klein. "O fato de o barco da Armani ser diferente dos demais pode ser uma assinatura final, dar um coeficiente de exclusividade."

O executivo da Azimut informa que os itens opcionais podem fazer uma embarcação ficar entre 10% e 15% mais cara.

A personalização pode se concentrar em itens como decoração até em opcionais mecânicos. É o caso de um equipamento que serve para estabilizar a embarcação quando ela é "estacionada" em alto mar - o item ajuda a garantir que jantares chiques no terraço não acabem em um festival de náusea. Só este opcional sai por cerca de R$ 500 mil.

EXPANSÃO 

Na contramão da crise, a Azimut já tem planos de expandir sua mão de obra no Brasil. Hoje com 300 funcionários, a empresa projeta, com base nos pedidos já formalizados, que seu faturamento deverá crescer cerca de 16% este ano (em 2015, o faturamento no mercado brasileiro ficou em R$ 140 milhões).

Diante do projeto de aumentar as exportações, o executivo prevê a contratação de mais cem empregados até fevereiro de 2017.

Essa necessidade de mão de obra é consequência do padrão de produção. A montagem é feita quase totalmente à mão. O barco da Armani, de 70 pés, leva cerca de três meses para ser produzido. Um novo item que começará a ser feito na fábrica da empresa, de 83 pés, vai consumir cinco meses de trabalho.

E, em alguns casos, a entrega também dá trabalho. Para o iate Armani ser transportado até a São Paulo Boat Show ele precisou ser totalmente desmontado. "Pelo porte, ficaria encalhado em pontes e túneis."

FOTO: Divulgação