Vida e Estilo

Como o terror já muda as rotinas de europeus


De cada cem italianos, 75 pensam em cancelar suas viagens de fim de ano devido às ameaças de atentados


  Por Ansa 28 de Dezembro de 2016 às 08:44

  | Informações fornecidas pela Agência Italiana de Notícias


O medo de atentados terroristas cresce na Itália, alimentado pelo ataque ao mercado de Natal de Berlim no dia 19 de deste mês e pela morte do seu principal suspeito, o tunisiano Anis Amri, em Milão na semana passada, e faz com que os italianos pensem duas vezes antes de sair de casa e viajar nas festas de fim de ano.

Segundo o estudo "Italian Terrorism Infiltration Index 2016" realizado pelo Instituto Demoskopika, 75% dos cidadãos italianos, principalmente os jovens, pensam em cancelar as suas viagens devido às ameaças de atentados e preferindo ficar em lugares "mais seguros", como na própria casa.

Em outras palavras, o terrorismo começa a gradualmente condicionar a vida cotidiana coletiva a um ponto que mais da metade dos italianos, exatamente 54,1%, está mudando seus costumes devido ao medo dos cada vez mais comuns ataques.

Além disso, de acordo com a pesquisa, que traçou um mapa das regiões mais ameaçadas pelo perigo de uma possível infiltração terrorista, Lombardia e Lazio são as regiões que são consideradas, pelo segundo ano consecutivo, as mais expostas a atentados.

Foram 59 os ataques terroristas na Itália nos últimos 10 anos, de acordo com o Global Terrorism Database, sendo que o Lazio sofreu 15 deles, a Lombardia, 11 e o Piemonte, 8.

Para isso, foram analisados três fatores "sensíveis": as investigações de terrorismo no território italiano, os atentados que aconteceram no país e os estrangeiros residentes na Itália e que são provenientes dos países considerados o "top five" do terror pelo Instituto para Economia e Paz (IEP) no estudo "Global Terrorism Index 2016" (Iraque, Afeganistão, Paquistão, Nigéria e Síria).

A pesquisa do Instituto Demaskopika também revelou que 81,6% dos italianos acreditam que são necessários controles internos mais rígidos para garantir a segurança nacional e que 60,8% dos entrevistados afirmam que consideram preciso o fechamento das fronteiras da Itália para que imigrantes com "vocação terrorista" não consigam mais entrar.

LEIA MAIS: Quem precisa ter medo do terrorismo? Todos nós. Por João Batista Natali

A organização também mostrou que entre 2005 e 2014 o número de conexões telefônicas controladas com autorização de autoridades italianas para investigações sobre ameças internas e internacionais de terrorismo foi 7.991 e que as atividades de escuta em 2014 cresceram 30,4%.

FOTO: Thinkstock