Vida e Estilo

10 tendências para 2016 -e como afetam seu negócio


O vício na tecnologia, a preocupação com o ambiente e consumidores em busca de experiências têm impacto sobre cada loja, segundo Marian Salzman, CEO da agência Havas


  Por Sérgio Teixeira Jr. 21 de Janeiro de 2016 às 09:07

  | Jornalista especializado em tecnologia e negócios, vive em Nova York (EUA)


As dez principais tendências para 2016 e seus impactos no mundo do varejo foram o tema de encerramento do Big Show, a feira e convenção anual promovida pela federação dos varejistas americanos.

A apresentação foi feita por Marian Salzman, CEO da empresa de relações públicas global Havas. Salzman diz ser uma observadora nata: “Passo duas horas em supermercados do mundo inteiro olhando o que as pessoas colocam no carrinho e perguntando por que”. Seu histórico não deixa dúvidas sobre a perspicácia de seu olhar: foi ela que popularizou o termo metrossexual, uma das ideias de maior impacto da década passada.

MARIAN SALZMAN, CEO DA HAVAS

 

Leia abaixo dez tendências para 2016 e como elas podem afetar seus negócios. A própria Salzman faz a ressalva de que não se tratam de previsões, apenas de ideias, que podem se confirmar este ano ou em cinco.

Algumas talvez não sejam tão aplicáveis à realidade brasileira; outras certamente o são. Algumas parecem simplesmente absurdas (em especial a última delas, sobre comida). Não importa. A questão é tê-las em mente. Vale aqui o exercício mental, que muitas vezes fica em segundo plano na loucura do dia a dia.

1. A über tendência de 2016: inquietude
Uma vida cada vez mais frenética, a ameaça global do terrorismo, o aquecimento global, a tecnologia que se insinua em cada instante de nossas vidas, que parece um vício.

O impacto no varejo: “Seus clientes estão ansiosos, sobrecarregados, completamente dominados. A grande oportunidade para os varejistas é fazê-los sentir-se em paz. Ingredientes mais simples na comida. Explicar o processo da manufatura. A inquietude é a nova normalidade. Os consumidores querem voltar a se sentir à vontade.”

2. O vício na tecnologia
Somos todos viciados em tecnologia. Não se concebe passar mais de um dia – ou uma hora -- sem checar email, Twitter, Facebook, Instagram. A tecnologia está roubando os momentos de convivência.

O novo normal é uma mesa de jantar em que cinco pessoas estão grudadas no smartphone. Será que elas estão conversando entre si por mensagens? Estão falando umas das outras? Ou estão postando fotos dos seus pratos nas redes sociais?

O impacto no varejo: “Quando a cliente vai a uma loja, está só 50% presente. Agradeça: ela está levando junto consigo a melhor amiga, a irmã, o marido. As interações humanas têm de interromper com cuidado essa vida paralela. Perguntar: ‘No que posso ajudar?’ pode ser uma interrupção da vida real, que cada vez acontece via uma tela.”

3. A era de ouro do papo-furado
Vivemos num tempo em que a verdade tem cada vez menos importância. A maioria das pessoas se satisfaz com meias-verdades, fatos distorcidos para comprovar suas próprias teorias. E não há maior expressão disso que as redes sociais, um espaço em branco que aceita tudo o que se quiser escrever.

O impacto no varejo: “Sua comunicação com os clientes é enganosa? Você fazer parte desse mundo dominado pela conversa mole? É preciso estar com o desconfiômetro ligado o tempo todo.”

4. Renovação dos renováveis
Depois de anos de discussões científicas – ou às vezes nem tanto --, a ameaça real apresentada pela mudança climática parece ter sido absorvida pelos consumidores – e pelos governos também, haja vista a assinatura do acordo histórico de Paris no final do ano passado.

O impacto no varejo: Haverá uma nova onda de interesse por produtos e tecnologias renováveis e ambientalmente responsáveis. As pessoas querem produtos cool. A Tesla está repetindo com os carros elétricos a mágica que Apple fez com os computadores e smartphones. Gadgets, roupas, artigos para a casa: tudo o que demonstrar preocupação com o meio ambiente vai chamar a atenção dos consumidores.

5. O mundo é um app
A vida moderna passa por um processo de “appização”, por falta de um termo melhor. Olhe para a tela do seu smartphone: quantos aplicativos você baixou e hoje fazem parte de seu dia-a-dia? Pense em qualquer produto, serviço, atividade: tem um app pra isso (a propósito, a Apple é dona dos direitos sobre essa frase em inglês).

O impacto no varejo: “Ter um app é praticamente uma obrigação, mas ele precisa ser útil e conveniente, ou do contrário não estará na primeira página dos smartphones, e sim escondido em uma pasta. No mínimo, você tem de ter uma versão otimizada de seu site para dispositivos móveis. Você não tem ideia de quantos varejistas de renome têm sites móveis que fazem suas marcas parecerem lojas de outlet, onde não se encontra nada que se procura.”

6. Tudo inteligente
Comidas que prometem afiar o cérebro. Bebidas com antioxidantes. Você quer que sua água seja inteligente. As pessoas estão obcecadas pela ideia de ficarem mais inteligentes. O subtexto é: inteligente é o novo sexy.

O impacto no varejo: “Inteligente” tem de ser parte central da sua marca. Os clientes querem mais informações sobre os produtos. Onde isso foi fabricado. Quem fabricou? Quais eram as condições de segurança da fábrica? Somos inteligentes. Esperamos que tudo o que nos cerca seja inteligente. Não vamos influenciar nossos amigos e parentes se sua marca não respeitar nossa inteligência.

7. A vida nas nuvens
A nuvem é tudo, e é isso que torna tão difícil defini-la. Você pode comprar, viver, interagir, estudar, viver na nuvem (mas não nas nuvens). Logo poderemos nos consultar com médicos na nuvem. Ela tem importância crucial.

O impacto no varejo: Os grandes varejistas foram pioneiros no uso da internet para reduzir custos e para aumentar seu alcance. Mas, com a nuvem, isso agora também está disponível para os pequenos. O tamanho perdeu importância; o que conta agora é a qualidade da ideia, e encontrar a mistura certa entre uma presença física e online. As empresas vão estar em todo lugar, mas também em algum lugar. Temos de repensar nosso compromisso com os espaços físicos. Talvez mais fundamental seja entender as proporções ideais da combinação de nuvem com lugares.

8. O dilema da cidade grande
Esta tendência está diretamente relacionada ao item número 1 da lista. As cidades grandes são perigosas e estressantes. É onde você tem de estar, mas talvez não goste de morar.

“Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, os jovens americanos não querem se mudar para Nova York, Los Angeles ou Miami. A cidade que mais atrai os jovens é Austin, no Texas.” A geração do milênio sabe que pode morar em qualquer lugar – com a ajuda da nuvem. Essa ideia é verdadeira para os americanos, mas também tem ecos nas outras grandes metrópoles do mundo.

O impacto no varejo: Comprar e vender está no coração da vida moderna, na internet e também nas lojas. Vamos ver um grande impulso para as cidades de segundo ou terceiro escalão nos Estados Unidos, na Europa e além.

9. A experiência é a nova sala de aula
Nos Estados Unidos, cada vez mais se questiona a validade de um diploma universitário versus uma educação prática. Todos somos colecionadores de experiências.

Queremos ter menos e fazer mais. Queremos satisfazer nossos cinco sentidos. A educação baseada na experiência tem de ser central no modelo de negócios das empresas, especialmente para recrutar e reter os talentos da geração do milênio. Os jovens sabem que seus únicos empregadores serão eles mesmos, ainda que trabalhem para você a vida toda.

O impacto no varejo: Boas experiências no varejo significam publicidade gratuita. Todos estamos acostumados a comprar, e agora, com as redes sociais, nos tornamos porta-vozes das marcas e empresas que nos proporcionam momentos memoráveis.

10. A morte da cozinha
Programas de TV sobre comida nunca foram tão populares; os chefs são os novos rockstars; a categoria de livros de receitas é uma das que mais crescem. Mas cozinhar em casa com ingredientes frescos está virando coisa fora de moda.

Pode parecer um paradoxo, afinal de contas queremos refeições com alimentos frescos e naturais. A questão, porém, é outra. Novas empresas enviam para sua casa tudo pré-preparado. Basta aquecer e comer. O mercado de refeições fáceis de preparar –saudáveis e não-processadas – vai explodir.

O impacto no varejo: Comprar ingredientes em natura, fazer a pré-preparação e cozinhar do zero vai ser algo tão datado quanto depenar uma galinha. A comodidade vai vencer.

O foco dos consumidores vai ser na qualidade da nutrição. Se você atua no ramo da alimentação, terá de oferecer informações sobre a comida e garantir que os produtos são ambiental e socialmente responsáveis.

IMAGEM: Thinkstock