São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Tecnologia

Vale do Paraíba terá aeroporto-shopping de tecnologia em Caçapava
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Como Caçapava, Taubaté e São José dos Campos se preparam para lançar novidades e estimular pesquisa

Entre os caminhos que levam qualquer pessoa a Caçapava, no interior de São Paulo, um deles deve se tornar o mais original e atraente. Imagine aterrissar com um pequeno avião cargueiro e ter a sua disposição centenas de empresas que oferecem, ao longo da pista, uma infinidade de novidades, em uma espécie de supermermercado de alta tecnologia, dentro de um aeroporto que em verdade já está em construção.

O município, a 114 quilômetros da capital, pode ganhar o primeiro aeroporto do gênero no país.  A construção do empreendimento, que tem como objetivo funcionar como um shopping tecnológico, centralizará empresas que desenvolvem produtos de última geração. A ideia é reunir novidades e atrair empresários de outras cidades e estados.

Aeroporto privado, em Caçapava, no interior de São Paulo/Foto: Divulgação

Orçado em mais de R$ 250 milhões e chamado de Aerovale, o aeroporto e condomínio empresarial é resultado de nove anos de investimentos e planejamento de Rogério Penido, engenheiro civil e proprietário de uma construtora.

Após ter realizado 67% das obras e estar com o acesso à rodovia Carvalho Pinto e a pista de pouso asfaltados, Penido tem planos ambiciosos para o projeto. "Teremos tudo aqui. Não tenho dúvidas que assim que entrar em funcionamento, as operadoras aéreas virão naturalmente. Seremos procurados por essas empresas e traremos voos para cá. Não só nacionais como internacionais", diz.

Do total de 305 lotes, 125 já foram vendidos e abrigarão empresas do setor aeroespacial, industrial e comercial. Empresas de táxi-aéreo, mecânica de aeronaves, fornecedores de combustível, além de 177 hangares. A pista de 1.550 metros já está praticamente pronta, e é somente 390 metros menor que a principal do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e 227 metros maior que a do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. 

A liberação para voos executivos já está garantida. Agora, o próximo passo depende da Anac (Agencia Nacional de Aviação Civil) aprovar o tráfego aéreo em Caçapava, e a Penido requerer a liberação dos voos internacionais.

TAUBATÉ ENTRA NA ROTA TECNOLÓGICA 

Com núcleos de inovação consolidados, como os de São José dos Campos, a região também vai ganhar um novo parque tecnológico, em Taubaté. Previsto para 2016, o polo deve atrair mais de 300 empresas de pesquisa em uma área de 731 mil metros quadrados e impulsionar 1.500 empregos diretos e outros dez mil indiretos. 

Projeto prevê Fatec e outras instituições de ensino/Foto: Divulgação - Prefeitura de Taubaté

A expectativa é aumentar a população, a qualidade de vida, os investimentos e atrair empresas nacionais e internacionais dos setores automotivo, mecânico, ferroviário, de sustentabilidade, entre outras. 

Dividido em 3 fases, o projeto prevê a construção da Fatec (Faculdade de Tecnologia) e do Senai, uma incubadora para até 40 empresas, além de universidades, como a Unesp (Universidade Estadual Paulista). As obras da Fatec já estão em processo de licitação e devem ser concluídas até o primeiro semestre deste ano. 

Segundo Gutemberg Ramos, gerente do GEIN (Grupo Executivo Industrial) da Prefeitura, responsável pela instalação do parque tecnológico, muitas empresas têm dinheiro para investir, mas não sabem colocar o projeto em ação. “Estamos abrindo um novo leque para várias atividades. A ideia é atender outras cidades da região também. O Vale comporta um novo parque e não queremos concorrer com São José, mas ser um complemento”, diz.

COMÉRCIO DEVE SER BENEFICIADO

A futura instalação já mexe com as expectativas do comércio da cidade. Contrariando as previsões de recessão econômica, Sandra Teixeira, presidente da ACIT (Associação Comercial de Taubaté), acredita que o ano de 2015 será positivo para o comércio local, que deve crescer até 7% todos os meses, além das datas comemorativas.

Para Sandra, a presença de um centro tecnológico irá desenvolver o varejo pelo fácil acesso a novos produtos, e também a pesquisas que atenderão às necessidades específicas. Além disso, a Prefeitura irá direcionar os vendedores ambulantes para um camelódromo, e segundo Sandra, essa medida ampliará o lucro dos comerciantes.  

“O ano de 2015 mal começou e já está surpreendendo. Sempre oferecemos cursos de coaching e o mês de janeiro, em especial é muito parado. Mas, neste ano tivemos 100 empresários inscritos em janeiro. Um número altíssimo”, diz. Cada empresário pagou cerca de R$ 7 mil pelo curso.

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A inauguração de um centro tecnológico, em 2006, em São José dos Campos, a 90 quilômetros da capital, já movimentou R$ 1 bilhão desde a sua inauguração e permitiu a muitos pesquisadores e empresários tornar projetos em realidade. A receita se repete em quase todos os metros quadrados do núcleo - hoje, na sala de aula, e amanhã, no mercado. 

Foi o que aconteceu com Gustavo Penedo Barbosa de Melo, 40 anos, sócioproprietário da Gyrofly – uma empresa que nasceu dentro de uma das salas do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), assim como tantos outros casos de sucesso. Com foco em desenvolvimento de plataformas aéreas, a Gyrofly produz equipamentos para a segurança pública e privada, e para o mercado de agricultura de precisão, com a  captação de imagens e informações registradas em voo.

Centros de pesquisa como o ITA, a UFSC (Universidade de Santa Catarina), UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), UFC (Universidade Federal do Ceará) e outras universidades são clientes da empresa que fornece drones – veículo aéreo não tripulado para que os alunos desenvolvam software e hardware. Os produtos custam de R$15 mil a R$50 mil.

Para Melo, estar instalado em um parque tecnológico traz privilégios. “Temos visitas frequentes de autoridades e estamos próximos a outras empresas. Isso nos permite uma troca valiosa”, diz. 

REFORMA DO AEROPORTO

Reformado pela Infraero no ano passado, o aeroporto de São José dos Campos, baticado com o nome do professor Urbano Ernesto Stumpf, ficou sete vezes maior, triplicou a sua capacidade, que agora pode receber até 600 mil passageiros por ano e operar 3 voos simultâneos.

A modernização do terminal envolveu R$ 16,7 milhões. Houve também o aumento do número de guichês de check-in, a ampliação das áreas comerciais, a construção de um reservatório de água, de uma estação elevatória de esgoto, de subestações de energia elétrica, e de um estacionamento para automóveis com 350 vagas.

Apesar de todo o investimento, a única empresa que operava no terminal – a Azul, suspendeu os três voos diários para o Rio e um semanal para Belo Horizonte e transferiu suas atividades para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, por falta de demanda. Por ora, o aeroporto recebe apenas voos particulares.



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