São Paulo, 25 de Junho de 2017

/ Tecnologia

Um influenciador para chamar de seu
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Cada vez mais empresas se valem de blogueiros e youtubers para conquistar novos clientes e aumentar as vendas. Mas é preciso ter cuidado na hora de escolher um embaixador digital

Em todo o mundo 2.8 milhões de pessoas usam as redes sociais, de acordo com a estimativa da We Are Social, agência especializada em internet. 

O Brasil está entre os países mais ativos. Uma pesquisa realizada pela Amdocs com adolescentes de 10 países mostrou que os jovens brasileiros estão acima da média global quando o assunto é conexão.

Esses números chamam a atenção dos empresários. Cada vez mais marcas estão investindo suas verbas publicitárias nessas plataformas.

As técnicas para entender o que os usuários comentam, clicam e interagem estão cada vez mais sofisticadas.  Mas as empresas estão indo além.

Muito mais do que um espaço para ficar de olho no que os consumidores estão falando, as redes sociais são um lugar para conquistar novos consumidores e nichos de mercado.

Rodrigo Genoveze, diretor-geral da Awin no Brasil

INFLUENCIADORES

O caminho mais simples para algumas empresas é contratar as “celebridades da internet” para falar sobre seus produtos e serviços.

Também conhecidos como influenciadores, eles são estrelas de vídeos do YouTube ou os reis das fotos do Instagram. Graças à popularidade que conquistaram no mundo online, eles conseguem alcançar milhares de pessoas no mundo online.

Essa estratégia funcionou ou ainda funciona para algumas marcas, no entanto, diversas ações de marketing malsucedidas têm ajudado a abalar a credibilidade desses influenciadores.

Um dos casos recentes envolveu os o canal Você Sabia, dos youtubers Lukas Marques e Daniel Molo, e o Ministério da Educação.

O governo contratou a produtora Digital Stars, empresa responsável para que os garotos fizessem um vídeo com enfoque positivo sobre as reformas do ensino médio.

Até aí se trata de uma campanha publicitária. Só que isso não ficou claro para o público. Não houve uma indicação de aquele era um conteúdo patrocinado. Após questionamentos, o vídeo foi tirado do ar.

Esse fato colocou em xeque a credibilidade desse canal do YouTube e levantou questionamentos em relação aos métodos utilizados nas campanhas publicitárias do Ministério da Educação.

Mas as polêmicas não param por aí. Casos de blogueiras de moda e beleza – que habitualmente utilizam produtos de luxo, mas fazem posts patrocinados de produtos para a classe C –, se espalham pela internet. Essas ações não convencem os internautas e podem gerar o efeito negativo para a marca.  

ESCOLHA CERTA

Muito mais do que números de curtidas e visualizações, é preciso saber muito bem quem são esses influenciadores. Quais assuntos eles abordam? Quem é o público que o acompanha? Qual o alcance das postagens? Qual a relação que os consumidores da marca têm com esse blogueiro ou youtuber?

Quanto mais informações a empresa tiver sobre a pessoa ou o veículo que está anunciando o produto, melhor será a escolha.  Alguns influenciadores não têm um número grande de seguidores, mas eles falam com nichos específicos de forma eficaz. Já outros conseguem alcançar mais pessoas, mas sem tanta efetividade com um público-alvo específico.

“O melhor engajamento acontece quando a marca aparece de forma natural no conteúdo”, afirma Rodrigo Genoveze, diretor-geral da Awin no Brasil, empresa alemã de marketing que conecta empresas com blog, canais do Youtube e portais de notícias.

A Awin possui 15 escritórios ao redor do mundo e mais de 6 mil marcas anunciantes. A empresa aposta no caminho contrário. Em vez das marcas buscarem influenciadores, os blogueiros e youtubers é que decidem que empresas vão representar e como o conteúdo será colocado.

Em vez da forma tradicional de remuneração por impressões ou cliques, eles recebem uma participação nas vendas realizadas. 

“Rastreamos o tráfego e conseguimos determinar se a venda foi realizada por influência do conteúdo criado pelo influenciador”, afirma Genoveze. “Dessa forma, quanto melhor o conteúdo e mais próximo ao nicho daquela marca, mais chances ele tem de monetizar”

FOTO: Thinkstock