Smartphone brasileiro inicia sua batalha nas prateleiras


A Quantum – que até recentemente vendida apenas pela internet –chega às grandes redes varejistas para disputar um mercado hipercompetitivo


  Por Thais Ferreira 30 de Março de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Quem entra numa loja de eletroeletrônicos encontra celulares de uma gama de marcas internacionais -entre elas, Apple, Samsung e Motorola.

Opções de smartphones brasileiros são escassos ou praticamente inexistentes. Ou melhor, não existiam.

Um produto genuinamente nacional quer conquistar seu espaço no varejo: o Quantum. A marca foi idealizada por Marcelo Reis, Vinicius Grein e Thiago Miashiro.

O plano consistia na produção de smartphones para comercialização por meio da internet.

O batismo procede da física. Quantum significa a quantidade mínima de energia que pode ser emitida, propagada ou absorvida.

“Significa o menor esforço para passar de uma camada para a outra”, afirma Reis. “Queríamos ser uma empresa de tecnologia que ajudasse as pessoas a passarem de um celular para outro com o mínimo esforço.”

Para viabilizar o projeto, eles apresentaram a ideia para a Positivo, uma das maiores fabricante de tecnologia no Brasil. Aprovado o projeto, a Quantum se converteu em uma de suas unidades de negócios. 

O primeiro produto, lançado em setembro de 2015, foi chamado dei Quantum Go. Hoje, há mais dois itens no catálogo: o Quantum Müv e o Quantum Fly. 

VINICIUS GREIN, THIAGO MIASHIRO E MARCELO REIS: OS EXECUTIVOS DA QUANTUM

MUDANÇA

 A inspiração para o modelo de negócio veio de empresas indianas e chinesas, como a Xiaomi, que comercializam celulares diretamente para os consumidores por meio da internet.

Sem as grandes redes varejistas como intermediários, era possível reduzir custos. Como o modelo funcionou em outros mercados emergentes, o plano da Quantum consistia em repetir a fórmula no Brasil.

Mas no ano passado, a empresa revisou sua estratégia de vendas e decidiu estrear no o varejo físico.

Essa situação não é tão incomum. Não faltam empresas que, nascidas na internet, decidiram se aventurar no mundo físico, entre elas a gigante Amazon e a marca de objetos de decoração Westwing.  

De acordo Marcelo Reis, diretor geral e idealizador da Quantum, essa mudança está relacionada ao comportamento dos clientes.

Apesar da evolução das vendas online nos últimos anos, a empresa percebeu que os consumidores sentiam falta de tocar no produto e levá-lo na mesma hora. Outro fator que contribui foi a procura espontânea pelo produto nas grandes redes.  

Em outubro do ano passado, os primeiros smartphones da marca começaram chegar às lojas.

Por enquanto, estão disponíveis nos hipermercados Extra, nas livrarias Saraiva e nas lojas das redes Riachuelo, Colombo, Fujioka e Quero-Quero.

CONCORRÊNCIA

Para lidar com a concorrência das grandes marcas, a Quantum aposta em produtos que trazem os mesmos benefícios  dos smartphones estrangeiros, mas por um preço acessível.  

O Quantum Fly, último lançamento da marca, é vendido no site por R$ 1.229,00 à vista. Um celular com especificações similares da empresa taiwanesa Asus sai por R$ 1.699,00.

“Somos uma startup, temos equipe e processos enxutos e menos burocracia nos processos. Por isso, conseguimos fazer com que os produtos tenham valores mais competitivos”, diz Reis.  

A marca também procura se diferençar pela tecnologia. O Quantum Fly, por exemplo, foi o primeiro celular a ter um processador deca-core, que garante um melhor desempenho para realizar todas as tarefas.

MERCADO

Além da forte concorrência, a empresa terá que lidar com a queda nas vendas dos smartphones nos últimos anos.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), as vendas de produtos eletrônicos foram prejudicadas com a queda no poder de compra da população.  

Em 2014, foram comercializados 54,5 milhões de smartphones. Já no ano passado, os volumes somaram 43,5 milhões de aparelhos –uma queda de 20%.

Para este ano, a expectativa de crescimento é de 3% (44,7 milhões de unidades).

Apesar dos números do mercado, Reis afirma estar otimista.

“Em momentos de crise, as pessoas costumam fazer compras mais racionais e pesquisar mais”, afirma. “Por isso, estão mais dispostas a conhecer marcas novas.”

Ele tem motivos para se mostrar confiante. De acordo com os resultados divulgados pela Positivo, no último trimestre de 2016, os produtos Quantum foram responsáveis por 43% da receita consolidada de todos celulares da empresa (a Positivo também produz uma linha própria), e obteve crescimento 446% em relação ao mesmo período de 2015.

Ainda de acordo com o relatório daPositivo, o desenvolvimento desta unidade de negócios é uma das principais bandeiras da companhia para 2017. Para continuar crescendo, a empresa irá lançar novos produtos ainda neste ano. 

FOTOS: Divulgação