São Paulo, 26 de Julho de 2017

/ Tecnologia

Por que o autoatendimento ainda não decolou no varejo brasileiro?
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Utilizados há mais de uma década na Europa e nos Estados Unidos, por aqui os equipamentos de 'self checkout' se expandem a passos de formiga

Em novembro de 2015, estive pela primeira vez na Europa. Durante os trinta dias de viagem, percebi que quase todos os pequenos mercados tinham uma máquina de autoatendimento, também conhecida com self checkout.

Principalmente em Londres, no Reino Unido, as pessoas estavam habituadas a essa tecnologia. Em questão de segundos, passam os produtos na máquina e realizam o pagamento. Todo o processo de realizar as compras é muito rápido.

Os caixas convencionais, operados por funcionários, ainda eram utilizados. E, em quase todas as lojas, havia orientadores que ajudavam os inexperientes, como eu, a usarem o equipamento pela primeira vez.

Era muito raro ver filas se formando nesses mercadinhos, inclusive nos horários de pico, que costumam ser na hora do e no começo da noite. 

Minha experiência é similar à de quem viaja para os Estados Unidos e entra nas lojas da Target, por exemplo.

NO BRASIL

Há mais de uma década, essa tecnologia se espalhou por diversos países do hemisfério norte. Mas a expansão dessas máquinas ainda é muito tímida no Brasil. Por que?

De acordo com Gilberto Dutra, vice-presidente de relações internacionais da Associação Brasileira de Automação para o Comércio (Afrac), há cerca de oito anos houve uma primeira tentativa de inserir os caixas de autoatendimento nas lojas.

Na época, as máquinas apareceram pela primeira vez em feiras e eventos do setor. A novidade não agradou a todos.

A adoção do equipamento foi muito criticada pelos sindicatos que representam os trabalhadores do varejo. Eles acreditavam que os aparelhos iriam eliminar postos de trabalho.

O preço do equipamento foi outro obstáculo que impediu que essa primeira tentativa fosse para frente. As máquinas que chegaram ao Brasil eram importadas. “Os custos eram muito altos”, afirma Dutra.

De lá para cá, muita coisa mudou. Os equipamentos começaram a ser fabricados no país e o preço se tornou mais acessível para os comerciantes.

De acordo com Silvio Sousa, diretor comercial na Consinco, empresa que vende o equipamento no país, o investimento se paga entre 12 e 15 meses.

Na opinião de Sousa, se antes o problema eram os valores altos, hoje é a crise econômica que está barrando o avanço do autoatendimento no país. “Muitos empresários estão pensando duas vezes antes de investir”, afirma Sousa.

LEIA MAIS: Sistema de autoatendimento avança no interior paulista

Máquina de autoatendimento da Consinco

DO INTERIOR PARA CAPITAL

Na cidade de São Paulo, é raro ver o equipamento em supermercados. Uma das exceções é supermercado Mambo. 

A expansão parece estar ocorrendo de forma mais rápida no varejo do interior. Grades redes, como a Savengnago e Super Muffato, já estalaram máquinas de autoatendimento em algumas unidades.  

“As redes do interior têm mais flexibilidade para se reinventar e para arriscar”, afirma Dutra.

Para ele, vale a pena correr o risco. “Um único ponto de self checkout pode atender cerca de 500 clientes por dia”, diz.

Mas ainda existem outros empecilhos para adoção dessa tecnologia. Um deles é a segurança. Afinal, quem garante que todos os produtos serão registrados?

Sousa afirma que os equipamentos evitam essas fraudes. Dependendo do modelo, as máquinas são equipadas com balanças, câmeras e até reconhecimento facial.   

Há ainda outro fato: a familiaridade com a nova tecnologia. Os clientes podem ter receio de utilizar o equipamento. Além disso, é preciso treinar os consumidores para usar o autoatendimento da forma correta.

Dutra acredita que isso não é um impedimento. “As pessoas estão acostumadas com o autoatendimento nos caixas dos bancos, então não será difícil os clientes se adaptarem a tecnologia nos supermercados.”

Tanto Sousa quanto Dutra acreditam que a expansão dos caixas de autoatendimento deve ganhar força nos próximos dois anos. “2017 é o ano de consolidação, o próximo será da expansão”, afirma Dutra.

“Até 2020, os caixas de autoatendimento serão tão comuns no Brasil, quanto já são na Europa”, diz Sousa. 

FOTO: Fátima Fernandes/ Diário do Comércio



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