Tecnologia

O mundo dos negócios de olhos abertos para a realidade virtual


Empresas e startups apostam na inovadora tecnologia para criar novos produtos e serviços. Vitor Pamplona (na foto), da EyeNetra, criou um óculos que realiza um teste portátil de visão


  Por Thais Ferreira 23 de Setembro de 2016 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Em 2010, o catarinense Vitor Pamplona realizava parte do seu doutorado no prestigiado laboratório da Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

Formado em ciências da computação, ele trabalhava com outros alunos e professores  em um projeto acadêmico: óculos de realidade virtual capazes de detectar os graus de miopia, astigmatismos e hipermetropia. 

Com ajuda de um aparelho de celular que é acoplado nos óculos, o usuário tem a simples tarefa de alinhar traços, como se fosse um jogo.

Após alguns minutos, o resultado aparece no smartphone – com uma precisão semelhante ao dos exames realizados em clínicas médicas.

Em pouco tempo, os pesquisadores perceberam que o potencial do projeto extrapolava a pesquisa acadêmica. Podia ser também como um produto comercial. Foi quando fundaram a EyeNetra.

Assim como Pamplona e os alunos do MIT, empresas e startups do mundo inteiro estão de olho nas diversas potencialidades da tecnologia de realidade virtual. 

Quando os primeiros óculos VR (virtual reality) foram lançados, eles eram direcionados principalmente para o universo dos jogos.

A possibilidade de deixar as telas e os controles de lado e mergulhar na experiência foi um grande atrativo para esse mercado. 

Mas muito mais do uma ferramenta de entretenimento, a realidade virtual está sendo aplicada em outras finalidades nos setores de saúde, educação e treinamento. 

Hoje, além dos óculos de realidade virtual, a EyeNetra comercializa um kit com  dois aparelhos: um que possibilita saber o grau dos óculos; outro que mostra para o usuário a diferença entre o grau novo e o antigo. 

Os produtos da EyeNetra são mais baratos que os convencionais e são vendidos para médicos e técnicos em mais de 56 países.

Na Índia, onde a empresa mantém um escritório, os aparelhos estão sendo usados para iniciativas sociais que realizam teste em pessoas de comunidades carentes. 

MERCADO IMOBILIÁRIO

Felipe Coimbra percebeu o potencial da realidade virtual para outro setor. Após alguns anos criando imagens para o mercado imobiliário, ele fundou a Nexus VR – empresa que usa essa nova tecnologia para mostrar aos clientes das construtoras os imóveis que ainda não foram construídos. 

Em vez de plantas, maquetes e perspectivas artísticas, os futuros proprietários têm uma experiência de imersão no apartamento.  

“Não é apenas ver a imagem”, afirma Coimbra. “É possível interagir com ela. Com um olhar, por exemplo, é possível interagir com objetos dentro de um cenário virtual.”

Os primeiros projetos foram dedicados ao setor imobiliário, mas logo Coimbra percebeu outros usos para a realidade virtual e começou a desenvolveu campanhas publicitárias. 

Entre os projetos criados pela empresa está um vídeo de realidade virtual que mostra algumas tecnologias desenvolvidas pela Siemens. Os usuários são levados a conhecer como irá funcionar a indústria no futuro. 
 
Além disso, a Nexus VR também está usando a tecnologia para desenvolver treinamento de funcionários de fábricas e para médicos cirurgiões.
 

ÓCULOS DE REALIDADE VIRTUAL DA POSITIVO

EDUCAÇÃO

A Positivo, maior fabricante nacional de computadores, está levando a realidade virtual para as salas de aulas. Em maio passado, a empresa lançou o “Na Real Educação Imersiva”, uma série de dez atividades educacionais para alunos do  6° ao 9° ano.

Em vídeos de realidade virtual, com duração de cinco minutos, os estudantes podem desbravar diversos cenários que abordam temas como lixão, drogas e mobilidade urbana. 

 “São atividades ligadas à cidadania”, afirma Rebeca Berger Barbalat, diretora de Marketing da Positivo Informática. “A principal ideia é levar os alunos para um ambiente diferente e para uma realidade que eles não conhecem”

Entre as tarefas propostas está andar por ruas e detectar focos dos mosquitos da dengue. Os alunos podem achar larvas dentro de caixas d’águas ou em piscinas abandonadas.

Além das dinâmicas dentro da realidade virtual, as aulas também são compostas por outras atividades que são realizadas na própria sala de aula. 

Para Rebeca essa é uma forma dos professores se aproximarem das novas gerações superconectadas. “Em vez de pedir para os alunos guardarem os celulares, está na hora da escola se apropriar dessas novas tecnologias”, diz 

FUTURO

Apesar de serem utilizados para diversos fins, os óculos de realidade virtual ainda enfrentam algumas barreiras para sua massificação.

Há algumas versões que esquentam e, por isso, os usuários não conseguem utilizá-los por muito tempo. Além disso, algumas pessoas se queixam de dor de cabeça ao se valer do equipamento. 

O preço dos óculos é acessível, há versões que saem por  cerca de R$ 79, mas há também opções mais caras  e modernas que ultrapassam os R$ 300. 

Entre os especialistas em tecnologia, há quem acredite que futuramente os óculos de realidade virtual irão substituir os smartphones e ainda trarão importantes inovações, principalmente no setor de saúde e do entretenimento.