São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Tecnologia

Muito além do Facebook: sua empresa precisa estar nas outras redes sociais
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Marcar presença nas mídias sociais deixou de ser uma escolha, virou necessidade. E é preciso atuar várias delas para obter retorno. Conheça os exemplos da Starbucks e da Imaginarium

Fotografar nunca foi tão fácil e rápido graças aos celulares com câmeras embutidas. Desde então, o cotidiano das pessoas – que já era permeado por muitas imagens – ficou cada vez mais repleto de fotos e vídeos. O fenômeno foi ampliado pela popularização dos smartphones: bastam poucos cliques para que qualquer conteúdo entre na internet. 

Se nas décadas passadas a preocupação era registrar o momento e transformá-lo numa recordação, hoje, isso não basta: é preciso compartilhar, ganhar curtidas e fãs. Estima-se que 125 bilhões de fotos são veiculadas na rede planetária a cada ano. Nesse mundo, onde todo mundo quer ver e deseja ser visto, surgiam mídias sociais cada vez mais visuais. 

O melhor exemplo é o Instagram – um aplicativo em que os internautas podem tirar fotos, alterá-las com a ajuda de filtros e postá-las para seus seguidores. Mas essa não é a única rede social dedicada às imagens, o Pinterest e o Tumblr também estimulam o lado visual de seus usuários. 

Essas novas mídias sociais registraram o maior crescimento de usuários em 2014: o Pinterest aumentou 57%, seguido pelo Tumblr com 45% e pelo Instagram com 36%, de acordo com um levantamento realizado Global Web Index. 

No mesmo período, o Facebook que teve um aumento de apenas 6%. Isso se deve principalmente porque essas redes ainda estão em fase de expansão, por isso tem mais facilidade em arrebanhar novos membros. 

O QUE ISSO SIGNIFICA PARA AS EMPRESAS

Para chamar atenção para uma marca, não basta mais estar apenas no Facebook, é preciso marcar presença em outras mídias sociais para atingir diversos públicos. “A faixa etária e os interesses dos usuários mudam de acordo com cada uma das redes”, diz  Rafael Arrigoni, diretor da Airstrip, empresa que faz pesquisa de dados nas redes sociais. 

“A empresas não têm escolha se devem usar as mídias sociais, a questão é como elas vão usá-las”, afirma Erik Qualman, especialista em redes sociais e autor dos livros Socialnomics - Como As Mídias Sociais Estão Transformando a Forma Como Vivemos e Fazemos Negócios.  

Os motivos para ir além da rede de Zuckerberg são muitos: essas mídias ajudam a construir a imagem da sua marca, a vender mais produtos e serviços, a construir comunidades de pessoas interessadas na sua empresa e a estar mais perto da opinião dos consumidores. 

Além disso, essas novas mídias sociais têm o benefício de usarem recursos visuais como principal forma de comunicação: “As imagens e os vídeos têm um grande poder de engajamento nas redes. Esses conteúdos são absorvidos mais rapidamente pelas pessoas”, diz Arrigoni. Contudo, não basta criar uma conta corporativa e começar a postar fotos. É preciso planejamento, cada mídia social tem um propósito e, portanto, deve ter uma estratégia definida. 

Um erro comum que as empresas cometem é fazer a transição de técnicas de marketing offline para o online. “Simplesmente digitalizar antigos modelos não funciona. Negócios precisam passar por uma transformação completa para lidar com as demandas e o impacto causado pelas mídias sociais”, afirma Qualman em seu livro. 

Algumas grandes empresas conseguiram fazer essa transição de forma bem sucedida. Um dos melhores exemplos é a rede de cafeterias Starbucks. A empresa surgiu em 1971 e nas décadas seguintes cresceu tanto que começou a perder sua identidade. Em 2008, a rede enfrentava uma grande crise, causada pela dificuldade de fidelizar seus clientes.   

A solução encontrada foi se reaproximar dos consumidores através das redes sociais, escutando a opinião dos internautas. Além disso, as fotos postadas pela empresa ajudaram a criar uma identificação entre a marca e um estilo de vida moderno, urbano e jovem.
 
O sucesso foi tanto que Howard Schultz, CEO da empresa, afirmou que as mídias sociais salvaram o Starbucks da falência. Hoje, além de ter mais três milhões de seguidores no Instagram, os copos de café da marca são constantemente fotografados pelos usuários das redes, ajudando a aumentar o interesse em torno dos produtos. 

IMAGINARIUM: A EXPERIÊNCIA NAS LOJAS FÍSICAS VAI PARA AS REDES SOCIAIS

O EXEMPLO BRASILEIRO 

Uma das empresas brasileira que consegue utilizar bem as mídias sociais é a Imaginarium, rede de lojas que vende produtos de decoração, utensílios domésticos e acessórios. O negócio foi fundado pelo casal Karin Engelhardt Rosa e Luiz Sebastião Rosa em 1991. Atualmente são 165 lojas, além de centenas de pontos de venda em multimarcas e do e-commerce. 

Para divulgar a marca na internet, o primeiro passo foi fazer um blog da marca. Nesse site são abordados assuntos relacionados aos produtos da loja e com outros temas de interesse geral, como festas, cinema e decoração. A partir dessa experiência, a empresa começou a aderir às mídias sociais. 

A primeira foi a página da Imaginarium no Facebook – que hoje reúne mais de um milhão de pessoas. Além dos objetos da marca, são postadas diariamente frases engraçadinhas, dicas de filmes e imagens inspiracionais. A empresa foi evoluindo junto com o surgimento das novas redes sociais e atualmente está presente também no Pinterest, Instagram, Twitter e Youtube.  

Os conteúdos que são postados na rede são um trabalho colaborativo entre uma equipe de funcionários da própria empresa e de uma agência especializada em mídias sociais. Semanalmente, eles se reúnem para discutir pautas e estudar os resultados das semanas anteriores. “Hoje, a rede que temos mais engajamento é o Instagram. Mais de 2 mil pessoas em média curtem as nossas fotos e recebemos mais de 100 comentários por publicação”, diz Juliana Souza, gerente de comunicação e marketing da Imaginarium. 

Essas redes sociais visuais ajudam a contar a história dos produtos da marca e a ampliar para a internet a experiência que os clientes têm ao visitar as lojas físicas. “Queremos integrar o on e o offline”, afirma Juliana. 

RAFAEL ARRIGONI, DA AIRSTRIP: "IMAGENS AJUDAM A ENGAJAR INTERNAUTAS" 

Para ajudar nos primeiros passos, Rafael Arrigoni, da Airstrip, listou quatro pontos que os empreendedores devem considerar antes de entrar nas mídias sociais:

1)    Ter objetivos claros: não adianta criar um perfil apenas para marcar presença on-line. É fundamental ser ativo e ter planejamento. 

2)    Entender sua marca: é preciso ter claro qual é a identidade da empresa para que isso se reflita nos conteúdos postados nas redes sociais.  

3)    Conhecer seu público: entenda como se comportam os seus seguidores e avalie que tipo de conteúdo é mais interessante para eles. 

4)    Pesquisar: observe como outras empresas estão usando as diferentes redes sociais e quais são campanhas que se tornam virais e os erros que foram cometidos.  



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