São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

/ Tecnologia

Está nascendo o novo objeto de desejo da Apple?
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O lançamento do relógio inteligente anunciado nesta semana tem a missão de criar necessidades que o consumidor não sabia que tinha, a exemplo do iPhone e do iPad

Quando a Apple divulgou o primeiro iPad, em 2010, o gadget foi motivo de riso para muitos especialistas. O mercado, conforme sabemos, reagiu de maneira diferente. Os tablets hoje são um sucesso —graças, sobretudo, ao seu design intuitivo, que oferecia às pessoas algo que era imediatamente compreensível e fácil de usar, mas também flexível o suficiente para sugerir milhares de novas aplicações.

Com o lançamento do seu relógio, a Apple parece pronta para repetir a façanha. Embora os relógios inteligentes estejam disponíveis há algum tempo, a 'tecnologia para vestir' ainda não caiu no gosto do público, em parte porque não parece muito útil.

A Apple conseguirá repetir o feito do iPhone e do iPad e fazer com os que os padrões de experiência pessoal introduzidos pelo Apple Watch venham a definir o uso dos relógios inteligentes?

O marketing antecipado da Apple não se esforçou muito para explicar as vantagens do aparelho da marca sobre os outros. No entanto, as ferramentas e a documentação liberadas para os desenvolvedores de aplicativos nos dão algumas pistas. Elas sugerem que o aparelho tem um modo simples e prático de interação centrada em alertas dinâmicos. 

O relógio da Apple talvez pareça um computador de pulso, mas do ponto de vista técnico, não é o caso. O Apple Watch precisa estar conectado via Bluetooth a um iPhone para funcionar perfeitamente. Os aplicativos que rodam nele são, na verdade, simples extensões de aplicativos iOS que rodam no iPhone e usam o relógio como tela auxiliar. 

Isso estimularia os desenvolvedores a explorar o aparelho como uma espécie de controle remoto de aplicativos iOS existentes e a imaginar uma experiência do usuário que seja compatível com isso.

Desde que a Apple divulgou o kit de desenvolvimento do relógio em novembro de 2014, milhares de aplicações foram criadas. Além de dar acesso às redes sociais e até fazer ligações, os aplicativos já disponíveis permitem monitorar atividades físicas, fazer pagamentos, saber as condições do tempo, atualizar a agenda, se localizar e ouvir música. 

"Você não pode de modo algum rodar códigos no relógio", diz William Van Hecke, diretor de experiência do usuário do Omni Group, fabricante de software de produtividade que desenvolve aplicativos para o relógio da Apple.     

De acordo com Van Heke, qualquer aplicativo que já enfatize esse tipo de "interação de um bit" — isto é, uma escolha simples que confirma ou descarta informações— poderá ser facilmente traduzido para o Apple Watch. É o que ele chama de chama de "janela no seu pulso". 

A exemplo dos relógios inteligentes disponíveis, a interação com os aplicativos acontece em uma tela sensível ao toque, auxiliada por tipo de dial na lateral, que permite que se navegue mais facilmente pelo conteúdo de uma tela pequena. 

O grande potencial da tecnologia para vestir consiste na sua proximidade íntima com nosso corpo e foi aproveitado pela Apple em um mecanismo que transmite impulsos táteis para o pulso do usuário. Nessa ação pode estar o verdadeiro papel do relógio inteligente, o de novo comunicador pessoal. 

"O relógio é um objeto de observação direta", diz a designer Laura Richardson, especialista em experiência do usuário. "Creio que esse tipo de tecnologia para vestir, que recorre a pulsos ou pressões, pode dar origem a uma nova espécie de linguagem”.

Será esta a sacada que vai tornar o Apple Watch o novo gadget indispensável do mundo do consumo? Saberemos a partir do dia 24 de abril, data de abertura de vendas em nove países.

*Com informações de MIT Technology Review



Seu aplicativo, que virou uma febre entre os jovens, é acessado a cada dia por cerca de 150 milhões de internautas – quase 15 milhões mais do que o Twitter.

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