São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Tecnologia

Empreendedorismo: Sem idade para começar
Imprimir

O belga Shubham Banerjee, de apenas 13 anos, criou uma impressora de braille abriu sua empresa com ajuda da Intel

Shubham Banerjee, um garoto alto, magro, de pele morena e óculos, subiu no palco da oitava edição da Campus Party Brasil um pouco tímido. Gaguejava durante algumas palavras e às vezes olhava para o chão para evitar o contato direto com a multidão que o encarava. Uma atitude muito comum para um menino no começo da adolescência: ele tem apenas 13 anos, mas tem muita coisa para contar e ensinar. 

O menino nasceu na Bélgica e aos três anos de idade se mudou com os pais para Santa Clara, na Califórnia. Aos 12, um assunto começou a despertar seu interesse: a forma como os cegos liam. Como qualquer menino de sua idade, ele começou encher seus pais com perguntas sobre como funcionava o braille, sistema de leitura para cegos. A curiosidade do garoto o levou a uma série de pesquisas no Google. E a partir das informações que obteve, ele chegou à conclusão de que era capaz de construir sua própria impressora de braile para a feira de ciências de seu colégio.

O aparelho não é nenhuma novidade no mercado, existem máquinas que são capazes de imprimir nesse formato. O problema identificado pelo garoto era o preço – essas impressoras custam entre US$ 2 e 50 mil. “Existem cerca de 285 milhões de pessoas com deficiência visual no mundo e 90% delas estão em países em desenvolvimento. Ou seja, milhares de pessoas têm acesso limitado à leitura”, afirma Shubham. 

O menino decidiu colocar a mão na massa. O primeiro protótipo foi feito com um dos brinquedos que ele mais gostava o Lego. Para isso ele usou uma edição especial chamado Lego Mindstorms EV3 que é usado para construir pequenos robôs que podem ser programados. Ele mesmo construiu a máquina e desenvolveu as coordenadas que funcionam basicamente da mesma forma que uma impressora comum: uma que move a cabeça da impressão, outra que move o papel e uma última que diz quando imprimir e quando não. A diferença é que o programa de computador teria que transformar as letras nos pontos que formam a linguagem do braille.

Não foi fácil. O menino construiu sete modelos diferentes até chegar ao resultado esperado. O primeiro protótipo ganhou o nome de BRAIGO 1.0, uma junção dos nomes braille e lego. No final, ele conseguiu reduzir o custo da impressora para US$ 500.

DA BRINCADEIRA PARA O MUNDO DOS NEGÓCIOS 

A invenção do menino começou a chamar atenção de diversas empresas, como a própria Lego e a Intel. Ele também começou a aparecer em programas de televisão, dar entrevistas para jornais e revistas, além de participar de diversas feiras de inventores e ganhar prêmios por sua inovação.

Incialmente, o garoto não tinha intenções de comercializar a impressora e o software desenvolvido por Shubham tinha acesso livre. No entanto, as pessoas perguntavam sempre: “Onde posso comprar uma Braigo?”. O menino respondia que ele não vendia as máquinas, mas as pessoas podiam construir suas próprias impressoras.

Diante de tanto questionamentos, ele percebeu que existia um mercado interessado em comprar sua invenção. Então, com a ajuda de seus pais, ele fundou sua própria empresa a BraigoLabs e começou a desenvolver Braigo 2.0 – uma nova versão da máquina que será comercializada dentro de alguns meses. Para esse novo projeto, o menino recebeu o financiamento da Venture Capital e apoio da Intel para aprimorar a impressora.

Veja quais lições Shubham Banerjee aprendeu e compartilhou com os campuseiros: 

Ninguém consegue nada sozinho: o garoto contou com a ajuda de seus pais, de engenheiros e de várias pesquisas no Google para construir a impressora. 

Coloque a mão na massa: Shubham incentivou a todos os participantes da CampusParty a não ficarem apenas na teoria:“Coloquem suas ideias em prática”, afirmou. 

Não pense somente no dinheiro, faça algo para ajudar as pessoas: a maior motivação para o garotofoi tornar a tecnologia das impressoras em braille mais acessível para os deficientes visuais. “Se você tem uma causa maior, há mais chances das pessoas se interessarem pelo seu projeto”. 



Pesquisa mostra que recursos aplicados pelas empresas nessa área ainda se encontram em patamares baixos

comentários

Rony Sato, gerente de inovação e tecnologia da Basf, eleita três vezes uma das cem empresas mais inovadoras do mundo, conta o que uma companhia deve fazer para se manter criativa

comentários

A líder mundial da indústria química mantém parcerias com pesquisadores acadêmicos e startups, fomenta sugestões criativas de funcionários e desenvolve projetos com outras empresas

comentários