Tecnologia

Depois do Big Data, vem aí o Fast Data


Muito além de simplesmente analisar informações, novas tecnologias combinam dados com inteligência artificial para sugerir ações para os negócios


  Por Thais Ferreira 04 de Janeiro de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Diariamente, ao nos conectarmos com a internet, deixamos rastros digitais. Os sites visitados, as pesquisas ou as ações nas redes sociais são como pegadas na areia da praia.

E as empresas estão cada vez mais preocupadas com esses vestígios virtuais. Eles tentam interpretar por onde passamos e o que queremos.  

Por isso, o Big Data se tornou tão importante para o mundo dos negócios nos últimos anos. O termo surgiu em meados de 2005 para designar um imenso volume de dados possíveis de ser acumulados graças às novas tecnologias. 

De lá para cá, o processo de coletar e processar essas informações se tornou essencial para as empresas. São as chaves para entender o comportamento dos consumidores ou tendências de mercado. 

Em poucas décadas, as práticas para conhecer o consumidor não mais se limitam a pesquisas feitas com papel e prancheta. Hoje as informações fluem para um sistema automático de coleta diário.

A principal dificuldade, portanto, não consiste em extrair ou reunir informações, que ultrapassam facilmente os bilhões. A questão decisiva agora é o que fazer com todas essa abundância de dados. 

“O desafio é entender quais informações são relevantes para conseguir atender ou reagir mais rapidamente ao mercado”, afirma Pietro Pietro Delai, analista da IDC Brasil,  consultoria em tecnologia da informação. 

A Tesla, de Elan Musk, é uma das empresas que utiliza bem o potencial do Big data.

A montadora instalou sensores em seus carros que enviam informações para uma central de dados. Com isso, tornou-se possíveltanto medir a satisfação do consumidor e o desempenho do carro como detectar falhas na mecânica e a necessidade de manutenção. 

De acordo com estimativas, o mercado de Big Data e de análise de dados deve gerar US$ 186 bilhões em receitas em 2019 -50% mais que em 2015. 

O crescimento é constante tanto no mundo quanto no Brasil. Mal os empresários se adaptaram ao uso do Big Data, e a tecnologia já introduz inovações. 

LEIA MAIS: O que Big Data pode fazer por sua empresa

FAST DATA 

Com a velocidade das conexões e a proliferação da internet das coisas, as informações são geradas, hoje, em tempo real.

As ferramentas de captação e processamento tiveram que se adaptar a essa velocidade. Essa capacidade de coletar informações no momento em que elas acontecem foi batizada de Fast Data. 

Ela pode ser utilizada para diversos fins. Por exemplo: uma rede de lojas detecta por meio do Wi-Fi ou da geolocalização que um cliente entrou num shopping.

Essa empresa, por meio do Fast Data, pode enviar rapidamente uma oferta de um produto que o cliente já demonstrou interesse pela internet ou de um produto similar ao que ele já comprou anteriormente. Além disso, é possível indicar que o produto está disponível na unidade do shopping. 

Não faria sentido mandar essa informação depois que o cliente deixou o estabelecimento. Por isso, o processamento rápido é fundamental. 

Mas não é apenas a coleta que teve de se tornar mais rápida. As ações baseadas nesses dados também precisam ser cada vez mais ágeis e precisas. Hoje, a tomada decisão deve ser quase instantânea. 

Para que isso aconteça, empresas estão trabalhando cada vez mais para aprimorar esse processo. Uma delas é a SpumeNews. Fundada por Mauro Jeckel, um apaixonado por inteligência artificial

Ele desenvolveu uma fórmula matemática para que os dados processados em tempo real sugerissem uma ação aos gestores diante de um problema ou de uma oportunidade.

A empresa não apresenta apenas relatórios com números e gráficos para seus clientes. 

Graças à inteligência artificial, esses dados são processados e o sistema sugere uma ação que é expressa em formato de texto.

“Nossa regra é que o gestor deve entender tudo em no máximo 30 segundos”, afirma Jeckel. 

Depois de processada a sugestão, o empresário ou gestor decide como agir. Todo o processamento e recomendação são feitos sem interação humana.  Hoje, essa ferramenta é utilizada principalmente por e-commerces, empresas de telecomunicação, veículos de mídia e bancos.  

Para o comércio, o Fast Data apresenta diferentes utilidades. Um exemplo prático diz respeito à venda de produtos eletrônicos.

O software da SpumeNews detectou em um determinado período que uma das buscas mais comuns quando os  consumidores está comprando um novo televisor é “televisão com Netflix”. 

A instrução nesse caso é simples: colocar na descrição das Smart TVs que eles conseguem se conectar ao Netflix.

Muitas vezes os produtos aparecem com apenas fichas técnicas. Essa simples mudança na descrição do produto, colocando em evidência que ele consegue se conectar ao Netflix,  torna a venda mais fácil. 

Em outras palavras, o Fast Data é a tecnologia que permite entender o que cliente deseja em tempo real. 

IMAGEM: Thinkstock