Tecnologia

Corpo conectado em debate na Campus Party


Especialistas discutem privacidade de dados e o controle que as pessoas têm sobre dispositivos de saúde, em especial os que podem ser implantados


  Por Estadão Conteúdo 02 de Fevereiro de 2017 às 09:37

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Um dos principais setores que estão sendo transformados pela tecnologia, a saúde foi destaque no segundo dia de Campus Party.

O tema permeou as principais palestras do evento na quarta-feira, 1º, como a da ativista do software livre, Karen Sandler, e do pesquisador britânico, Aubrey de Grey.

Eles discutiram a privacidade de dados e o controle que as pessoas têm sobre dispositivos de saúde, em especial os que podem ser implantados, e como a tecnologia pode ajudar os humanos a se tornarem imortais no futuro.

Para Karen, o assunto se tornou uma preocupação pessoal nos últimos anos. Ela sofre de um problema cardíaco que pode fazer seu coração parar de bater a qualquer momento.

Por isso, tem um desfibrilador conectado a seu coração - se o órgão parar, ele recebe um choque para reanimá-lo.

Em 2016, porém, Karen ficou grávida e começou a ter palpitações, um sintoma comum para algumas gestantes.

O problema é que o desfibrilador disparou e ela levou choques no coração.

"Quem desenhou o dispositivo nunca imaginou que uma grávida poderia usá-lo", diz Karen, que chama a atenção para a falta de controle sobre aparelhos eletrônicos usados na área da saúde.

"As pessoas estão conectando seus corpos à internet sem saber o que isso significa", afirmou a advogada. "Todo dispositivo tem um software e todo software está sujeito a falhas ou invasões."

Em sua apresentação, Karen defendeu que dispositivos como o seu desfibrilador utilizem software livre, permitindo a qualquer usuário alterar ou personalizar um dispositivo.

"Se a fabricante de seu dispositivo falir e ela usar um software 'fechado', você vai ter para sempre um aparelho no seu corpo que não pode ser modificado", disse Karen.

Já o pesquisador britânico Aubrey de Grey falou sobre como a tecnologia pode ser usada para tratar doenças e parar o envelhecimento.

Em apresentação que se seguiu à de Karen, no palco principal da Campus, ele fez uma proposição ousada. "Qualquer ser humano que tem menos de 40 anos hoje poderá ver o desenvolvimento de tecnologias que vão lhe permitir se tornar imortal."

Diretor da fundação Sens, focada no campo da gerontologia (popularmente como a ciência do envelhecimento), Grey mostrou um pouco sobre seu método para "parar o envelhecimento", baseado na recuperação de tecidos por meio terapias e de uma melhor alimentação.

Suas propostas, porém, são questionadas - em artigo recente em uma revista científica do Massachusetts Institute of Technology (MIT), defensores de suas ideias não conseguiram provar se elas, de fato, representam avanços científicos.

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IMAGINAÇÃO

Outro destaque de quarta-feira, 1º, foi a participação de Walda W. Roseman, presidente da Fundação Arthur C. Clarke, criada em homenagem ao escritor de clássicos de ficção científica como 2001 - Uma Odisseia no Espaço e O Fim da Infância.

Em sua palestra, Walda falou sobre a importância da criatividade para o mundo. "A ciência e a tecnologia são muito motivadas pelo raciocínio exato, mas essas áreas precisam lembrar do poder da imaginação como recurso para criar novas coisas", disse.

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FOTO: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo