Sustentabilidade

Três de cada quatro empregos dependem da água


Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que a gestão desse recurso natural é fundamental para a geração de postos de trabalho em 20 países, inclusive no Brasil


  Por Estadão Conteúdo 22 de Março de 2016 às 17:47

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A gestão da água é fundamental para a geração de empregos e para o desenvolvimento econômico, aponta o Relatório da ONU sobre o Desenvolvimento Mundial dos Recursos Hídricos, lançado nesta terça-feira (22/03) em mais de 20 países, entre eles o Brasil. 

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O estudo, que neste ano tem como foco principal o mercado de trabalho, concluiu que três em cada quatro empregos dependem da água.

Apresentado durante seminário na Agência Nacional das Águas (ANA), o documento afirma que a oportunidade para geração de trabalho está diretamente ligada com a gestão sustentável dos recursos hídricos. 

A agricultura, a pesca e a silvicultura concentram 1 bilhão de trabalhadores, que usam 70% da água mundial - dados que preocupam se for considerada a possibilidade de escassez.

"A seca pode causar fim da produtividade agrícola e, consequentemente, desemprego no campo e êxodo rural. Essas pessoas não necessariamente estarão habilitadas para atuar nos postos de trabalho urbanos. Isso gera insegurança, instabilidade e ainda mais desemprego", disse Ângela Ortigara, consultora da ONU e doutora em engenharia ambiental.

A relação entre os recursos hídricos disponíveis e a retirada de água para uso tende ao estresse hídrico, afirma também o documento. 

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As Nações Unidas sugerem que, para embasar suas ações de gestão hídrica, os governos invistam em produzir "dados robustos", como estimar as situações atual e futura dos recursos, a demanda por água, a quantidade de trabalhadores formais e informais, o tempo de trabalho e o perfil dos empregados.

Outra recomendação da ONU é a capacitação de pessoas. Pesquisa realizada em 9 países da Ásia e África revelou que existe um déficit de mais de 780 mil profissionais qualificados. 

"Isso traz à tona a questão do empoderamento de mulheres, que geralmente ocupam empregos desvalorizados, mal remunerados e não reconhecidos. Por que não capacitá-las e suprir a demanda de trabalho que precisamos?", pergunta a pesquisadora.

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Ela lembra que a média do poder de compra, que "melhora a economia e possibilita o crescimento", está relacionada às taxas de empregabilidade. 

SANEAMENTO 

Na América Latina, a cada US$ 1 milhão investido em água e saneamento, podem ser gerados até 100 postos de trabalho, conforme o relatório.

A gestão da água também pode ajudar a diminuir as 2,3 mortes anuais relacionadas ao trabalho, diz a ONU. Desse total, 17% estão relacionados com doenças transmissíveis ocasionadas pela falta de água e esgotamento sanitário.

A ONU também recomenda investimentos em fontes alternativas de água (a cada US$ 1 milhão, gera-se de 10 a 15 empregos), na gestão de água da chuva (de 5 a 20 empregos) e na recuperação ambiental (de 10 a 72 empregos). 

"A transição para uma economia mais verde aumenta as oportunidades de trabalhos decentes", afirmou Ângela.

Durante o seminário na ANA, foi lançado também o relatório do Conselho de Assessoramento ao Secretário-Geral da ONU para Assuntos de Água e Saneamento. 

O documento aponta que uma em cada 10 pessoas não tem acesso à água potável e que, a cada 3 pessoas, uma não tem instalações sanitárias.

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