Sustentabilidade

Sua empresa pode ser sustentável. Sem dinheiro e sem complicação


Dirigido para pequenas e médias empresas, um guia da BM&FBovespa busca desmistificar as práticas das companhias abertas para praticar uma gestão sustentável


  Por Inês Godinho 02 de Maio de 2016 às 15:40

  | Jornalista especialista em sustentabilidade e gestão, a editora atuou no Estadão, na Editora Abril e na Folha de S. Paulo


Depois de encarar a missão de desmistificar o mundo das ações para o pequeno investidor, há mais de 15 anos, a BM&FBovespa decidiu colocar luz em outro campo repleto de ideias preconcebidas, o da sustentabilidade.

Primeiro, os esforços foram dirigidos para as empresas de capital aberto –o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) é o projeto mais conhecido. Agora, chegou a vez das empresas de capital fechado ou familiares, incluindo as pequenas e médias. 

Para quebrar o mito de que sustentabilidade depende de dinheiro e de uma equipe exclusivamente dedicada a isso na empresa, a instituição produziu um guia concebido especialmente para empresas que não têm o acesso a capital externo nem as exigências regulatórias das companhias abertas.

Editado em formato de e-book, o manual é gratuito.Clique aqui: Sustentabilidade nas Empresas: Como Começar, Quem Envolver e o que Priorizar  simplifica em 13 passos o caminho para uma empresa prever as questões sociais, ambientais e de governança corporativa em sua estratégia de negócios. 

DAR FERRAMENTAS 

Para Sonia Favaretto, diretora de Sustentabilidade da instituição, “um dos mitos que mais inibem o avanço da sustentabilidade nas atividades empresarias é de se trata de assunto de empresa grande, envolvendo muitos recursos”.

A instituição percebeu, com a convivência estreita com empresas de todo porte, que faltava sobretudo ferramentas para quebrar esse mito.

“Nos últimos anos, as empresas trazem essa discussão naturalmente”, disse Sônia. “Notamos que, embora não tenham uma área dedicada, existe a preocupação com a sustentabilidade. Elas convivem com clientes, fornecedores e consumidores envolvidos no tema e sentem a pressão do mercado. A lógica do negócio começou a impulsionar a adesão à sustentabilidade.”

Além da pressão do mercado, crises recentes como a falta de água e as investigações da Operação Lava-Jato deram uma face concreta e sofrida ao que significa a falta de práticas sustentáveis dentro das empresas.

UM PASSO DE CADA VEZ

De acordo com a diretora da BM&FBovespa, os 13 passos rumo à sustentabilidade não precisam ser seguidos rigorosamente na sequência, embora tenham uma razão de ser. “O importante é que o primeiro passo seja o faça mais sentido para a realidade de cada empresa. Depois, não deixar de caminhar.”
 
Simbolicamente, o primeiro passo é “Comece envolvendo a direção da empresa”, requisito considerado fundamental para qualquer mudança significativa de cultura.
 
Quando fala em “Estabeleça a governança da sustentabilidade”, o guia demonstra que, mais do que ter funcionários contratados exclusivamente para coordenar um projeto de sustentabilidade, tem maior peso delegar autoridade a uma pessoa e a um grupo multifuncional interno para conduzir as medidas necessárias. 

“Estabelecer prioridades” (como controlar consumo de água e energia e ter um Manual de Conduta) e “Assumir compromissos públicos” (por exemplo, ser signatário do Pacto Global da ONU) são alguns dos passos que ajudam a evidenciar a intenção da empresa nesse sentido.

São todas ações que podem ser desenvolvidas internamente, com o bônus de ser um motivo a mais de integração dos funcionários.
 
“Engaje os stakeholders” inclui ações que fazem parte da rotina empresarial, como conhecer e ouvir os clientes, manter uma relação justa e ética com os fornecedores, fazer gestão de risco em relação à comunidade de entorno e criar um ambiente de trabalho motivador e de respeito às normas trabalhistas.

SEM MEDO DO FUTURO

O guia lançado pela instituição faz parte de um programa permanente da BM&FBovespa voltado para a preparação de empresas para abrir o capital. Recentemente, para sair do eixo Rio-São Paulo e acompanhar a robusta regionalização da economia brasileira, a instituição desenvolveu uma plataforma online de educação e engajamento, chamada Vem pra Bolsa.

O programa prevê um treinamento para que as empresas entendam como se preparar para uma futura abertura de capital, de acordo com Cristiana Pereira, diretora de desenvolvimento de empresas na instituição.

“Mesmo com a queda no número de IPOs causada pela crise que vivemos, trabalhamos para manter o tema vivo”, disse. “Acompanhamos cerca de 300 empresas de capital fechado que tem interesse em abrir o capital.”

São empresas conscientes de que não há atalho quando se pensa em longo prazo e sustentabilidade.Tornar-se uma empresa de capital aberto é um projeto que mira a perenidade.