São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Sustentabilidade

"Ser sustentável significa aproveitar os fornecedores, os materiais e os serviços locais"
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Adepto da arquitetura inteligente e funcional, Siegbert Zanettini usa a flexibilidade do aço para tornar os prédios um lugar bom de viver e trabalhar

Reconhecido e premiado como um profissional inovador e cultor da construção sustentável, o arquiteto Siegbert Zanettini é, ele próprio, um empreendedor há 50 anos. Com sua empresa Zanettini Arquitetura, incluiu o conforto ambiental e a eficiência energética entre os itens obrigatórios de seus projetos residenciais e empresariais. Entre as mais de 1.200 obras projetadas por seu escritório, está a ampliação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro, um complexo orientado pela ecoeficiência, com 227 laboratórios onde trabalham cerca de 3.500 cientistas. 

Em 2012, recebeu o prêmio David Gottfried Global Green Building Entrepreneurship, concedido pelo Green Building Council (GBC), organização internacional sediada nos Estados Unidos. Nesta entrevista, o arquiteto explica porque a adequação ambiental é importante, mas fundamental mesmo para a sustentabilidade é conseguir a adesão do usuário da obra.

 


Sede da Zanettini Arquitetura em São Paulo, um dos principais projetos do arquiteto

A partir de que momento uma obra passa a ser considerada sustentável?
Uma obra só é sustentável quando passa a pertencer ao meio ambiente em que está inserida. Precisa fazer sentido para as pessoas que vão utilizar o espaço, precisa causar embelezamento e respeitar o contexto urbano e climático do local.

Quais são as perspectivas para o Brasil nesse segmento?
O país tem particularidades climáticas fantásticas: um clima excepcional, uma água de boa qualidade e uma floresta incomparável. Todas essas condições naturais não podem ser ignoradas em uma construção verde. Muito pelo contrário, elas têm que se destacar em uma obra. A construção civil já começa a observar essas oportunidades e implantá-las em seus negócios, assim como algumas obras públicas. Mas esse ainda é um assunto novo, que causa estranhamento entre os empresários e algumas discussões sobre as melhores formas de se fazer uma obra ou se adequar ao mercado.

Tecnologia é fundamental?
É claro que as tecnologias nos beneficiam muito, mas precisam ser estudadas caso a caso para que não ocorra um grande investimento à toa. É preciso deixar o natural participar do processo. Se uma obra resolver bem as questões climáticas, já é de grande funcionalidade. Pois não há nada que substitua o calor e a luz do sol, as brisas marinhas e os ventos. Tenho obras bastante simples e outras extremamente tecnológicas como a ampliação do Centro de Pesquisas da Petrobras, onde foi necessário um investimento pesado em tecnologia.

 

Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro: os elementos defendidos pelo arquiteto estão presentes

Como evitar os erros na construção civil?
Acredito que não erraremos mais quando as empresas, escritórios e construtoras tiverem a compreensão de que as facilidades estão muito mais em nossas mãos do que imaginamos. Quando observarem que o Brasil produz praticamente todo tipo de material necessário para uma obra e que ser sustentável também significa aproveitar os fornecedores, os materiais e os serviços locais.

Um projeto sustentável exige mudanças culturais e financeiras de quem contrata?
Para ser sustentável não é necessário gastar rios de dinheiro. Acredito que quando essa ideia for quebrada, as empresas ficarão de fato sustentáveis. Elas precisam parar de se distanciar da implantação por acreditar ser muito custosa ou de pouco retorno e passar a enxergar que a sustentabilidade pode estar na simplicidade. Falta levar em consideração aspectos que o meio ambiente já nos dá em abundância, como vento e calor, e incorporar aos poucos pequenas mudanças, A conscientização sim é fundamental. Não faz sentido um edifício ser funcional, reutilizar água de chuva, utilizar materiais corretos e captar energia solar, se os usuários não se alinharem a essas ideias.  

 

 



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    Bianka Saccoman
    Jornalista