São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Sustentabilidade

PMEs ainda não fazem uma gestão eficiente do lixo
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São Paulo sai na frente na adequação à Política Nacional de Resíduos Sólidos, em especial nas ações de logística reversa

A meta ideal dos ambientalistas é a ausência de lixo na sociedade, com seu total reaproveitamento ou não emissão de poluentes. Enquanto essa utopia não se materializa, a Política Nacional de Resíduos Sólidos mantém a cobrança dos prazos e providências para que municípios, órgãos públicos, empresas e consumidores façam a sua parte para dar um fim aos lixões. Um dos aspectos essenciais da lei, a que determina as obrigações de destinação adequada de embalagens e produtos pós-consumo (conhecida com logística reversa), começa a apresentar resultados em São Paulo. De acordo com um relatório apresentado pela instituição Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), na região metropolitana de São Paulo foram instalados, em um ano e meio, 670 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), conhecidos como ecopontos.

O resultado é consequência do acordo setorial para logística reversa de embalagens, um compromisso assinado por 22 associações e mais de 500 empresas, entre as quais companhias como AmBev, Casas Bahia, Suzano e Carrefour. A aplicação da nova legislação tem representado um fator de valorização dos catadores, pois oferece as condições para que ele se liberte dos lixões e transforme a atividade de coleta seletiva em um negócio. Por isso, eles participam das iniciativas do Cempre e são ouvidos pelos associados.

Sucede que a maior parte das empresas que implementou o plano de ação determinado pela lei se concentra no setor industrial. Ainda falta um empenho maior do comércio e das micro e pequenas empresas, que também são grandes geradores de lixo, em entender e assumir sua parte nesse movimento de pôr fim às mazelas trazidas pela má gestão dos resíduos sólidos. Embora a legislação tenha concedido tratamento diferenciado para esse universo empresarial, prevendo uma simplificação do plano de ação, também há prazos e penalidades pelo não cumprimento do acordo.

Um dos aspectos inovadores da legislação é o conceito de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, já que todos são geradores de resíduos em algum ponto do processo. Isto envolve a cadeia completa existente entre o fabricante e o consumidor na devolução adequada do produto a quem o originou. A partir da nova lei, espera-se que a logística reversa esteja prevista na estratégia de negócios, ocupando o mesmo nível de importância da administração financeira ou comercial.

Para a maioria das pequenas empresas de varejo e serviços, as providências a tomar são bem mais simples que para a indústria. Para estes setores, a logística reversa significa conscientizar e treinar os funcionários, manter um sistema eficiente de coleta seletiva, estabelecer acordos com empresas especializadas ou cooperativas de catadores de lixo reciclável e, em alguns casos do comércio, conhecer as práticas dos fabricantes e se inserir no processo já implantado por eles.



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