Sustentabilidade

ONU define prazo para se chegar à igualdade de gênero


Prazo para alcançar a meta prevista pelo Programa 50-50 é 2030. Para a entidade, a conquista de direitos iguais para homens e mulheres tem como primeiro passo ampliar a participação feminina na política


  Por Agência Brasil 29 de Outubro de 2016 às 17:56

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O primeiro passo para se ter igualdade plena de gêneros no médio prazo é ampliar a participação política das mulheres. A começar pela ocupação dos cargos e espaços no nível municipal, disse a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman. 

A declaração foi dada durante o evento "Por um Planeta 50-50 em 2030: Mulheres do Amanhã", organizado pela entidade internacional no Rio de Janeiro.

Segundo Nadine, a ideia do evento e do programa 50-50 é discutir com as mulheres de hoje formas de tornar o planeta mais igualitário em 2030, com oportunidades para que todas possam ter as suas potencialidades desenvolvidas e a sociedade possa “aproveitar as capacidades das mulheres em toda a sua diversidade”.

“Precisamos de mais mulheres nos gabinetes. Agora temos uma boa oportunidade de construir cidades igualitárias, cidades 50-50. O objetivo do projeto Cidades 50-50 – Todas e todos pela Igualdade é ter nos municípios gabinetes paritários e políticas públicas a nível local.

A representante da ONU cita o desafio de incorporar as mulheres no setor econômico, com salário igual para trabalho igual, realidade muito distante do que é constatado no Brasil.

“As estatísticas falam que, no Brasil, a diferença entre homens e mulheres para um mesmo trabalho é de 30%. Mas há uma diferença muito maior entre o que ganham as mulheres negras e os homens brancos, de mais de 300%. 
Mulheres negras são a parte baixa da pirâmide dos salários.”

Também sobre o Brasil, Nadine lembrou que o país precisa avançar no cumprimento de acordos internacionais sobre o tema. “O Brasil tem que fazer mais para ampliar a representação das mulheres na política, em todos os âmbitos, no setor econômico e ter ações muito claras em torno da inclusão social e o combate à violência contra as mulheres”.

RACISMO

De acordo com a pesquisadora e ativista do movimento de mulheres negras Djamila Ribeiro, “há uma naturalização da ausência de negros nos espaços público” que leva ao racismo institucional e à violência que ele gera.

A ativista citou a ausência da história dos negros nos livros didáticos e a falta de representação na mídia como exemplos de aceitação da ausência do negro nos diversos âmbitos da sociedade. “Não sabemos bem como somos conceituados, mas sentimos na pele”, afirmou Djamila. 

PUBLICIDADE

A publicitária Carla Alzamora apresentou uma pesquisa feita sobre a representatividade de gênero e raça na propaganda. Segundo ela, 65% das mulheres não se sentem representadas na mídia e na publicidade.

Isto significa que 65% das mulheres brasileiras não criam conexões com as mensagens passadas pela publicidade. De acordo com a publicitária, este é um alerta para as empresas se preocuparem em repensar o modelo de propaganda feita atualmente.

A publicidade é onipresente na vida das pessoas e não tem nada de inofensiva. Cada pessoa recebe em média de 3 mil a 5 mil mensagens publicitárias por dia. “Essas mensagens vão formando nossas referências de mundo e do que a sociedade considera belo, aceitável, de como se deve agir, ser e se comportar. Por essa razão, somos parte do problema,” disse Carla.

Durante o evento foram apresentados os resultados de uma pesquisa que analisou mais de 3 mil inserções na TV. Eles indicam a prevalência de reforço de estereótipos de gênero, restrição de papéis, padrão de comportamento e de beleza. 

Quanto ao protagonista da peça publicitária, 17% eram do próprio produto, 33% homens, 26% mulheres, 7% ambos e 11% a sociedade. Entre os homens protagonistas, 83% eram brancos, 7% negros e 10% diversos. Entre as mulheres, a proporção é de 84% de brancas, 12% de negras e 4% diversas.

Imagem: ThinkStock