Sustentabilidade

Complexo residencial na ex-Cracolândia sai do papel


Solução há muito esperada, governo e iniciativa privada dão início ao Complexo Júlio Prestes, um dos projetos de reurbanização do Centro de São Paulo. Área deve atrair mais de 1.200 famílias


  Por Wladimir Miranda 09 de Fevereiro de 2017 às 08:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Na eleição municipal de 2016, nos debates realizados na Associação Comercial de São Paulo – ACSP –, com os candidatos a prefeito da cidade, Milton Luiz de Melo, presidente da Associação Viva o Centro entregou a cada candidato (a) um conjunto de propostas para a melhoria do centro histórico e do centro expandido da capital.

A reivindicação principal do documento refere-se à revitalização da região, para aproveitar a infraestrutura já existente.

A base dessa revitalização, defendida há muito tempo pela asssociação, está na volta dos moradores ao centro paulistano.

“Queremos que a região volte a ser habitada", explica Melo. "Precisamos reverter o quadro atual, que mostra degradação, falta de iluminação, de segurança e um grande número de moradores de rua. Falta planejamento." 

Para reverter a degradação, foi formada uma PPP – Parceria Público-Privada – do Centro da Capital, que prevê a construção de 1.202 apartamentos no terreno da antiga rodoviária, no bairro da Luz.

A PPP reúne os governos federal, estadual e municipal, Caixa Econômica Federal e a construtora Canopus.

“A PPP traz para o centro um elemento fundamental que faltava para a revitalização: a habitação", disse o secretário estadual da habitação, Rodrigo Garcia.

"A experiência internacional mostra que áreas degradadas só são plenamente recuperadas se as pessoas passam a residir na região." 

O Complexo Júlio Prestes será composto por quatro edifícios de sete andares, três prédios de 12 pavimentos e um edifício de 13 andares.

O residencial terá 94,6 mil metros quadrados de área construída. A previsão é de que 600 operários trabalhem na obra.

Nos primeiros 18 meses de obra –metade do prazo total -, segundo o secretário, já haverá entregas parciais.

"Mesmo nesse momento de crise econômica, conseguimos viabilizar essa obra que integra o espaço urbano de qualidade, com moradias próximas aos postos de trabalho.” 

MUITO POR FAZER

Sabe quantas pessoas moram nos distritos Sé e República, que formam o chamado centro histórico de São Paulo? 85 mil. Embora baixo, e muito distante do ideal, este número já foi bem menor: 67 mil, em 2000.

Com a mudança da maioria dos estabelecimentos bancários para outras regiões da cidade, como as avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Luís Carlos Berrini, o centro ficou isolado, “abandonado”, como diz o presidente da Viva o Centro e da Desenvolve SP, agência de desenvolvimento do governo paulista que tem como finalidade apoiar as pequenas e médias empresas e prefeituras do estado.

O centro, na verdade, é de quem vem de outros bairros da cidade e até de turistas, do interior, de outros estados, e do exterior.

É este aspecto que justifica o grande número de pessoas que circulam pela Sé e República, durante o dia: 696 mil.

É no Centro que estão espaços culturais importantes como a Pinacoteca, a Biblioteca Mário de Andrade, a Sala São Paulo e o Teatro Municipal, só para falar dos principais. Estão também na região central oito estações do metrô e duas de trem.

O problema é que para aproveitar todos estes benefícios, a maioria das pessoas é obrigada a longos deslocamentos.

Grande parte das pessoas que trabalham na região central mora na periferia da cidade. Segundo levantamento da ONG Viva o Centro, de 153 vagas de trabalho na região central, apenas uma fica para o morador do centro.

VIDA NOVA

O residencial terá um boulevard arborizado em extensão à Rua Santa Ifigênia, com praça e áreas verdes. O local será também a nova sede da Escola de Música Tom Jobim, atualmente instalada em espaço alugado.

Além das salas de aula, a Tom Jobim terá auditórios preparados para as necessidades de aprendizado dos cerca de 1,3 mil estudantes.

O projeto prevê atender famílias com renda mensal de até R$ 4.344,00, para as unidades com dois dormitórios.

A menor prestação será de R$ 239,00, para apartamentos com um dormitório. O governo promete entregar as  moradias em 36 meses. Custo total do projeto: R$ 465 milhões. 

CANDIDATOS À COMPRA

O projeto dará prioridade a quem trabalha na região e mora em bairros afastados. Outras 20% das moradias serão reservadas para interessados que moram e trabalham no centro; 500 unidades serão entregues a famílias de baixa renda que fazem parte de movimentos de moradia.

A estratégia visa aproximar a moradia do emprego e dos eixos de transporte de massa. E também reduzir o tempo de deslocamento dos trabalhadores. 

FOTOS: Divulgação