Sustentabilidade

Comerciante quer repaginar o centro de São Paulo


Luiz Alberto Pereira da Silva, dono de uma loja de materiais esportivos no Largo São Francisco, quer o fim dos calçadões. Para ele, o centro precisa voltar a ser uma atração turística


  Por Wladimir Miranda 23 de Agosto de 2016 às 07:30

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


O perfil do centro de São Paulo mudou. A região, principalmente a chamada de “centro velho” -que tem como ruas principais a Boa Vista, do Comércio, XV de Novembro e São Bento - já foi repleta de agências bancárias.

Hoje elas ainda estão lá, mas em menor número. Muitas migraram para as avenidas Paulista, Faria Lima e Luís Carlos Berrini, entre outras.

O espaço foi tomado por repartições públicas, estaduais e municipais, e por estabelecimentos comerciais, como bares e restaurantes.

Esta mudança foi boa ou ruim para a região?

Na avaliação do comerciante Luiz Alberto Pereira da Silva, dono da loja de materiais esportivos Laps World, no Largo São Francisco, e de duas lojas de bijuterias no Grajaú e em Santo Amaro, na Zona Sul, o centro de São Paulo tem de voltar a ser uma atração turística para o visitante, como já foi em outras épocas.

Em décadas passadas, ir ao centro fazia parte de um programa de passeios. Hoje, a região está abandonada nos finais de semana. E perigosa.

“O centro não tem estacionamentos. Falta acessibilidade. O brasileiro não tem o hábito de andar a pé para ir aos lugares. Ele quer ir de carro”, afirma Luiz Alberto, também diretor superintendente da distrital centro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Os problemas da região, na avaliação de Luiz Alberto, são inúmeros.

“O centro é sujo, cheira mal, é mal iluminado, tem muitos moradores em situação de rua. Temos de repensar os calçadões”, diz Luiz Alberto.

A sugestão de repensar os calçadões é polêmica. O prefeito que quiser acabar com as vias reservadas aos pedestres e propor a volta da circulação de carros na região, certamente vai encontrar resistências.

Os calçadões existem no centro há 40 anos. Afirma Luiz Alberto:

“Quando foram feitos, os calçadões também deram trabalho, geraram polêmicas. Agora é preciso pensar na possibilidade de abrir a região para a circulação de carros. Atualmente o centro só tem vida de segunda à sexta-feira. Como a região tem muitos funcionários públicos, não há vida nos fins de semana. Os calçadões vivem da imagem do passado. Temos de repaginar o centro”.