São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Voo de galinha
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A divisão entre tucanos, por ambições presidenciais, pode levar Alckmin ao PSB e Serra ao PMDB

Uma troca de bicadas entre três presidenciáveis -Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin- pode melar e comprometer o tênue fio de favoritismo do PSDB para ganhar a eleição em 2018, mesmo que o grande adversário, o PT, continue sucumbindo na crise que se agravou no país, após o escândalo das propinas na Petrobrás.

A guerra no ninho dos tucanos é esperada para a época em que o partido tiver de escolher o candidato à sucessão de Dilma Rousseff.
 
Os três presidenciáveis se julgam no direito de conquistar a legenda tucana, já que todos eles saíram consagrados das urnas nas eleições de 2014.

Mas, como Aécio tem o domínio absoluto do partido, por presidir a sigla, é provável que tenha a segunda oportunidade, em apenas quatro anos, de conseguir concorrer ao Palácio do Planalto pelo PSDB.

Não existe data, por enquanto, para os tucanos realizarem a convenção para eleger o novo diretório nacional, que se encarregaria de conduzir o processo de escolha dos candidatos.

Até lá, quem dá as cartas é o senador Aécio Neves.

É aí que a roda pega: Serra sabe que, até pela idade que avança no tempo, sua derradeira chance de ser candidato à presidência pela terceira vez se esgota em 2018.

Mas, o que está sendo tramado na surdina é que - se for preterido no PSDB- Serra tem sinal verde de Michel Temer para se candidatar ao Planalto pelo PMDB. Serra e Michel estão assim, ó.

A iniciativa pode vingar, porque o PMDB já admitiu que não dá mais para indicar o candidato a vice-presidente na chapa do PT. O ciclo da boa convivência entre os dois partidos também se esgotou.

A ordem entre peemedebistas é que o partido tenha candidato próprio ao Planalto, e o mais indicado para Michel Temer é o senador José Serra, que nada teria a perder, porque vai exercer o mandato no Senado até 2022.

O enigma no PSDB não acaba com a possível desfiliação de Serra para voltar ao PMDB, de onde saiu para criar o PSDB ao lado de Fernando Henrique, Franco Montoro e Mário Covas.

Os quatro não queriam conviver mais no PMDB sob a liderança de Orestes Quércia.

O imbróglio no PSDB não para por aí: também Geraldo Alckmin pode surpreender a cúpula do partido, caso a legenda presidencial tucana fique com Aécio Neves, em 2018.

A jogada que está sendo articulada é que o governador paulista seja candidato à presidência pelo PSB, partido com o qual está afinado desde as eleições de 2014, quando escolheu o socialista Márcio França para ser o seu companheiro de chapa.

Existe uma dúvida entre os presidenciáveis tucanos: será que a divisão de votos entre Aécio, Serra e Alckmin, na mesma área, não prejudicaria a oposição, beneficiando diretamente o inimigo político número um dos três, o petista Lula, provável candidato ao Planalto pela sextaª vez?

Fernando Henrique pode reagir e intervir na guerra dos presidenciáveis, temendo que tucano de asas cortadas tenha um voo raso e curto de galinha.
 
O principal argumento de Aécio Neves para reivindicar a legenda em 2018 é que, apesar de derrotado por Dilma Rousseff em 2014, saiu consagrado das urnas com 51 milhões de votos.

Serra e Alckmin, no entanto, contra-atacam com o mesmo veneno. Serra se elegeu senador derrotando o forte candidato do PT, Eduardo Suplicy, enquanto Alckmin se reelegeu governador, ainda no 1º turno, com 68% dos votos.

Como o seguro morreu de velho, Aécio toma a vacina da precaução e pretende seduzir Geraldo Alckmin, convidando-o para ser o seu vice.

A conta que Aécio faz tem lógica, porque uma chapa puro-sangue, café-com-leite, uniria os dois maiores colégios eleitorais do País, São Paulo e Minas, que somam cerca de 50 milhões de votos de um total de 140 milhões de eleitores brasileiros. 

 



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