São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Tucanos largam na frente
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As campanhas de Dilma e de Aécio custaram, cada uma, a milagrosa quantia de R$ 300 milhões. Os R$ 600 milhões que os dois candidatos gastaram foram doados por empresas - algumas através do caixa-2 e das propinas - principalmente de empreiteiros presos pela Operação Lava Jato.

O PSDB reúne as melhores condições para eleger o próximo presidente da República, seja com a candidatura de Aécio Neves, ou a de José Serra, ou, ainda, a de Geraldo Alckmin.

Mas, o bom senso aconselha que o partido deve encarar a campanha de 2018 com mais coerência e seriedade, ciente de que eleição se ganha com votos e não com subterfúgios e o apoio da imprensa.

Na campanha de Aécio em 2014, por exemplo, os tucanos achavam que podiam ganhar votos "matando" Lula dezenas de vezes, espalhando na praça o boato de que o ex-presidente estava muito doente e que comparecia de madrugada nos hospitais, escondido da imprensa, para enfrentar sessões de quimioterapia e combater a metástase de um câncer curado na laringe.

O erro foi pensar que esse expediente desovasse votos. Não desovou.

Na semana passada, a oposição inconsequente repetiu a dose da insensatez e "suicidou" Dilma Rousseff, obrigando a presidente a aparecer em público para mostrar que estava viva; e, mais recentemente, aqueles que não rezam pela cartilha do sensato ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, "inventaram" um advogado para impetrar um habeas-corpus preventivo, à revelia do interessado, para "evitar que Lula fosse preso", com o objetivo claro de provocar repercussão na mídia aliada.

O PSDB é um partido com excelente musculatura e não precisa recorrer a esses expedientes ridículos para reconquistar a presidência da República, porque dispõe de três presidenciáveis com cacife eleitoral suficiente para ganhar a eleição, mesmo se tiver de enfrentar Lula, um candidato reconhecidamente "carne de pescoço", mas longe de ser imbatível nas urnas.

Além disso, Lula e seu partido passam por um período de vacas magras em função da crise vivida pelo País.

A primeira providência que o PSDB deve adotar é não se irritar mais com o resultado negativo da eleição de 2014, que é coisa do passado, se convencendo que Aécio Neves foi derrotado por Dilma Rousseff e, a partir daí, começar a pensar em 2018.

Outra providência que merece a atenção, principalmente de Aécio - que deve ser o candidato do partido -, é que, na eleição de 2018, ele pode enfrentar, no primeiro turno, não só o Lula, mas outros dois aliados de hoje, José Serra e Geraldo Alckmin, que devem ser candidatos pelo PMDB e PSB, respectivamente.

As tratativas dos tucanos paulistas com os dois partidos estão avançadas.

Aécio saiu consagrado das urnas nas eleições de 2014, alcançando 51 milhões de votos, mesmo sendo derrotado por Dilma, que obteve 54 milhões.

Mas se em 2018 a eleição tiver a participação de quatro fortes candidatos ao Planalto, não será tarefa fácil para nenhum deles conquistar - sem muito esforço - uma das duas vagas no segundo turno.

Tradicionalmente nas eleições majoritárias dos últimos anos o PT tem iniciado a campanha de seu candidato com cerca de 30% de intenção de voto nas pesquisas. Se o partido conseguir manter a tradição, mesmo em crise, Lula garantiria uma vaga no segundo turno, deixando o abacaxi da outra vaga sendo disputada entre Aécio, Serra e Alckmin - isto, se forem confirmadas as quatro candidaturas.

Aécio ainda saboreia o resultado da última pesquisa Datafolha, em que aparece na liderança com 35% da preferência do eleitor, contra 25% de Lula.

O tucano, no entanto, já foi alertado pelo próprio partido que Lula vem apanhando diariamente da imprensa e da oposição, sem espaço para responder as acusações de que seria ligado a empreiteiros presos pela Operação Lava Jato.

O próprio PT já avisou que Lula vai lançar mão do mesmo veneno da oposição para denunciar os escândalos que envolvem o PSDB quando seu partido dispor do elástico tempo de campanha na televisão.
 
Como o PT está sendo acusado nas delações premiadas na Operação Lava Jato de ter usado "dinheiro sujo" na campanha de Dilma, o partido vai indagar do PSDB em que fonte Aécio Neves "pescou" doações para pagar sua campanha.

Detalhe: as campanhas de Dilma e de Aécio custaram, cada uma, a milagrosa quantia de R$ 300 milhões. Os R$ 600 milhões que os dois candidatos gastaram juntos foram doados por empresas - algumas através do caixa-2 e das propinas - principalmente de empreiteiros presos pela Operação Lava Jato.



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