Opinião

Trump, o herói presidente


Ele não é o presidente que merecem, mas é o herói de que os Estados Unidos precisam


  Por Rodrigo Sias 08 de Dezembro de 2016 às 08:46

  | Mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro


Herói é aquele personagem modelo que reúne em si as qualidades essenciais para superar de forma espetacular um determinado problema de dimensão épica.

Ele é o protagonista de uma vitória sobre grandes adversidades. Para chegar à posição de presidente eleito dos EUA, Donald Trump teve uma trajetória de vitórias admiráveis, dignas de um herói.

Primeiro, ele se tornou um dos homens mais ricos do mundo, um nome e uma marca reconhecida mundialmente, um “self made man” símbolo do “sonho americano”.

Essas características lhe garantiram autonomia e independência em sua campanha perante grupos de interesse que usam o poder econômico para comprar influência política.

Ao longo dos anos, inteirou-se das entranhas e mecanismos do poder, conhecendo o inimigo que viria a vencer nestas eleições. Conhecendo seu inimigo, tornou-se apto a vencer esta batalha.

Venceu 16 importantes pré-candidatos nas primárias do Partido Republicano - 4 com grande respaldo do establishment -, dobrando a resistência maciça de interesses corporativistas de seu próprio partido.

Finalmente, venceu a eleição principal, tendo como principal concorrente, Hillary Clinton, elegendo-se o 45º Presidente dos EUA.

Durante todo esse tempo teve de enfrentar outro inimigo: a grande mídia. E, claro, toda a narrativa construída ao longo dos últimos 25 anos, no mínimo.

Todas as dimensões da vida pública de Hillary Clinton são plenas de crimes e escândalos, muitos diretamente ilegais, outros explicitamente imorais.

A mídia, entretanto, ensejou todos os esforços para esconder ou mitigar os crimes e defeitos de Clinton.

Ao mesmo tempo, Donald Trump recebia como tratamento humilhação, depreciação, mentiras e descontextualização constantes dos seus atos e falas. 

Trump sugeriu uma parada temporária na entrada de muçulmanos nos EUA? A mídia acusava-o de “islamofobia”.

Trump propõe medidas para controlar a migração vinda do México? A mídia gritava “racismo” e “xenofobia”.

Trump propõe medidas pró-vida? “Machista!” “Contra as mulheres!”

Trump declarava-se a favor do direito de ter e portar armas, conforme a segunda emenda da Constituição amercana? Então, “Trump instiga a violência!”

Trump propõe rever acordos de livre comércio – livres de verdade somente para as grandes corporações? Então é “protecionista e isolacionista”.

Ousa dizer que a “América vai ser grande de novo” e voltar a vencer? Só pode ser “nacionalista”, “chauvinista” e “populista”!

Todas as acusações acima, sem exceção, são todas mentiras, usadas de forma estratégica por todos aqueles contrários a Donald Trump, empurradas goela abaixo dos americanos e, por tabela, do mundo inteiro, pela narrativa da mídia.

Narrativa, é bom lembrar, é apenas uma forma, um viés, que se escolhe para compartilhar alguma história, sem a preocupação com a precisão e os fatos e sim, apenas com o efeito emocional que vai causar na audiência, assim como as constantes piadas, as quais visavam desmoralizar a imagem do ainda candidato.

Esses ativistas travestidos de jornalistas achavam que o povo não votaria num candidato a quem os famosos e especialistas zombavam.

As mentiras e “piadas” tinham o objetivo confundir e afastar o eleitor. Ficou famoso um meme que estava circulando há meses pela Internet que mostra Donald Trump numa suposta entrevista há uns 20 anos chamando os Republicanos (seu partido) de ”grupo mais estúpido de eleitores (Clique aqui para ver).

A ”humorista” Amy Schumer (grande apoiadora de Hillary Clinton) ajudou a difundir a mesma mentira, usando o meme para ilustrar seu discurso de revolta após a derrota de sua candidata. E somente ao final do longo texto ela diz que o meme ”é mentira, mas isto não importa “(!?).

Obviamente importa. As campanhas sujas sabem que somente uma pequena parcela da população vai ler até o final, enquanto milhões vão ver por cima e acreditar na mentira. Com isso, tem-se a propagação da mentira como arma política.

Mas Trump venceu contra todas as mentiras que os governos (americano e de outros países), os políticos e seus tentáculos da grande mídia, usaram contra ele.

Venceu, portanto, o establishment e uma de suas armas de engenharia social, o “politicamente correto”. E ao fazer isso, também resgatou o patriotismo abalado por 8 anos de governo Obama, período no qual só o que se via era aquele sentimento de culpa jogado nos ombros do país.

Em 12 de setembro de 2013, por exemplo, o atual presidente declarou que “é extremamente perigoso encorajar as pessoas a ver a si mesmas como excepcionais, não importando a motivação“; referindo-se ao seu próprio povo.

Trump, ao contrário, promoveu o retorno da ideia do “sonho americano” na forma do seu slogan de campanha "fazer a América grande de novo".

E falou em buscar vencer, sem hesitação, sem medo, sem pudor ou falsos moralismos.

Há tempos, os EUA não experimentavam essa volta às origens. É sobre esse pilar que a América foi fundada, no direito inalienável de cada indivíduo buscar vencer na vida e almejar pela Felicidade.

E se erguendo das condições mais baixas, cada indivíduo estende também a mão ao seu semelhante e a sociedade como um todo progride, num ciclo virtuoso onde todos buscam, mas também desejam, que os seus semelhantes possam alcançar essa excepcionalidade.

São mais de 200 anos de história de sucesso pra comprovar que essa fórmula é virtuosa.

Ao falar “sem papas nas línguas”, Trump liberou os americanos para falarem o que pensavam, dando novo vigor à liberdade de expressão e à busca da verdade que a acompanha, com uma mensagem simples e clara. Simples e clara como deve ser a verdade.

Para conservadores e para os defensores da liberdade como nós, a vitória de Donald Trump é nossa vitória também, porque nossos inimigos são os mesmo dele. E Trump conseguiu isso por que pôde subir nos ombros de gigantes que abriram caminho antes dele.

“Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade”. (Trecho da Declaração de Independência dos EUA).

P.S.: Após a derrota de Hillary Clinton, muitos analistas políticos passaram a “prever” que Trump não cumpriria suas promessas de campanha, consideradas por eles como “inexequíveis” e “populistas”.

É bem verdade que seu governo ainda nem começou, mas observando suas nomeações para os postos chave de sua administração, fica cada vez mais claro que sim, Trump fará um governo na exata direção que ele prometeu, expondo a mídia e os “especialistas” ao ridículo uma vez mais.

*Com Vanderlei Dallagnolo, empresário e coordenador do “Instituto Verdade e Liberdade (IVL) de Blumenau-SC

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