São Paulo, 23 de Julho de 2017

/ Opinião

Sinais de recuperação?
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Somente a combinação de juros mais baixos e maior confiança será capaz de “reaquecer” a economia brasileira, reduzindo a taxa de desemprego

Governar é fazer acreditar"
 (Nicolau Maquiavel)

As causas que levaram a economia brasileira ao pior biênio de sua história já são, a esta altura, sobejamente conhecidas: erros crassos da política econômica praticados pelos governos do Partido dos Trabalhadores, principalmente no campo fiscal, que se remontam desde o segundo mandato de Lula.

Passado o processo de impeachment, o desafio que se impõe é saber se a atividade econômica já começa a dar sinais de recuperação. A aposta majoritária dos analistas de mercado, resumida no Relatório Focus do Banco Central, e até do próprio governo, é de que haverá moderado crescimento do PIB a partir de 2017.

Existem alguns sinais alentadores que reforçam esse consenso. Em primeiro lugar, a produção industrial voltou a crescer em termos mensais, alentada pela reposição de estoques e pelo aumento das exportações de manufaturados e semimanufaturados.

Além disso, a redução da taxa de câmbio e a recessão parecem começar a desacelerar a inflação de forma mais efetiva, o que abre espaço para o Banco Central iniciar a tão esperada redução das taxas de juros, fator indispensável para a recuperação do gasto privado, e, portanto, da atividade econômica.

Contudo, a própria autoridade monetária em seu último “Relatório Trimestral de Inflação” foi categórica em afirmar que essa redução também está condicionada a que se realize o ajuste fiscal prometido pelo Ministro Henrique Meirelles.

Por isso, é necessário aprovar o quanto antes a Proposta de Emenda Constitucional PEC 241 (PEC do “teto”), que limita o crescimento dos gastos da União à inflação do ano anterior, podendo estender-se essa regra aos estados.

Porém, a recuperação efetiva da economia está assentada no reestabelecimento da solvência das contas públicas. Nesse sentido, a PEC do “teto” por si só será insuficiente para alcançar esse resultado, sendo também imprescindível a realização de reformas mais profundas, tais como a previdenciária e a orçamentária.

Apesar de que os efeitos positivos dessas mudanças de caráter mais estrutural sobre as contas públicas só seriam observados dentro de vários anos mais, a sinalização de compromisso do governo com o ajuste fiscal elevaria a confiança das famílias e empresários, o que possibilitaria crescimento equilibrado entre consumo e produção.

Somente a combinação de juros mais baixos e maior confiança será capaz de “reaquecer” a economia brasileira, reduzindo a taxa de desemprego, cujo nível elevado e ascendente atual lança dúvidas sobre uma recuperação rápida da crise econômica.

 

 

 



Alguns açodados analistas, não compreendendo as altas responsabilidades de presidir um órgão dessa magnitude, passou a cobrar de Paulo Rabello de Castro medidas autoritárias.

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