São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Opinião

Se piorar, melhora
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O PSDB não dará trégua à presidente reeleita enquanto não estiver ciente de que terá condições mais concretas para interromper o ciclo do PT na presidência da República

Se a equipe comandada pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, “consertar” a política econômica do País, que anda capenga, o PSDB terá mais dificuldade para apear PT do poder em 2018, porque o partido de Lula está frágil nesse ponto, mas estável  e com o ibope alto em outra área importante, a social.

Uma inflação que parecia estar fora  dos trilhos no período da campanha quase derrotou Dilma Rousseff na luta pela  reeleição. O governo petista fecha o ano com o índice de 6,5% de inflação, quando a  meta da presidente Dilma era fazer a campanha com, no máximo, 5%. Os tucanos, no entanto, negam que vão torcer pelo “quanto pior, melhor”, para tirar proveito da situação, já nas eleições de prefeito em 2016.

O PSDB não dará trégua à presidente reeleita enquanto não estiver ciente de que terá condições mais concretas para interromper o ciclo do PT na presidência da República daqui a quatro anos:  quando Dilma completar o segundo mandato, em 31 de dezembrode 2018, o PT estará comemorando 16 anos no controle político-administrativo do País.

 O PSDB tem um quadro de presidenciáveis que já provaram nas urnas que são bons de voto. Um deles é o senador Aécio Neves, que foi derrotado por Dilma, mesmo obtendo 51 milhões de votos. Uma votação expressiva que surpreendeu até o partido.

Outros dois pretendentes tucanos à candidatura ao Planalto são o senador eleito José  Serra e o governador reeleito de São Paulo,Geraldo Alckmin, ambos também vitoriosos nas eleições de outubro. O eleitor, portanto, terá a oportunidade de assistir a uma guerra de bicadas envolvendo os três tucanos, quando o partido realizar a convenção para escolher o próximo candidato a presidente.

Serra e Alckmin não ignoram que Aécio ainda tem o domínio absoluto do partido, podendo controlar os tucanos que votam nas convenções para a escolha de candidatos e o que é mais importante: Aécio é ambicioso, tem sede de poder e está convicto de queadquiriu nas urnas o direito de ser candidato outra vez em 2018.

O senador mineiro acha que quem alcançou mais de 50 milhões de votos está a um passo de subir a rampa do Palácio do Planalto, parecendo não acreditar na tradição de que cada eleição tem sua própria história.

Em contrapartida, o PT tem uma única opção em condições de manter a hegemonia do partido na presidência, que é Lula. Na hipótese de Lula não ser o candidato, o PT terá dificuldade de encontrar um substituto com a mesma força eleitoral do ex-presidente.Os petistas sabem que seus candidatos a cargos executivos, seja de prefeito, governador ou presidência da República, dependem fundamentalmente da bênção de Lula, que tem sido o fator de desequilíbrio nas campanhas, principalmente nas eleições presidenciais.

Enquanto o PSDB não desmontar a máquina de fabricar votos para o PT, que Lula criou quando exerceu o primeiro mandato, continuará sendo difícil a oposição derrotar o candidato petista ao Palácio do Planalto.

 



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