São Paulo, 26 de Julho de 2017

/ Opinião

Salvar o setor elétrico
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Neste momento de crise, o setor poderia ser aliviado, pagar dívidas e investir com uma simples medida de prorrogar todas as concessões de geração por dez anos

Talvez o maior erro de gestão de Dilma Rousseff, em sua chegada a Brasília, tenha se dado no primeiro governo Lula, como ministra das Minas e Energia.

Equivocada, ela quebrou o setor elétrico, que vinha investindo satisfatoriamente em boa parte com recursos próprios.

A Eletrobrás, uma referência administrativa e técnica, ficou com sua geração de caixa comprometida, com reflexos na execução de alguns importantes projetos hidroelétricos.

Não satisfeita, foi infeliz na escolha do presidente da empresa. Isso foi corrigido depois, mas só quando os executivos já nada podiam fazer para remediar a situação gerada pela quebra da tradição de renovação das concessões de geração que bem atendiam ao acordado.

Assim, perdeu-se caixa, quadros técnicos de excelência, aproveitamentos importantes adiados.

Neste momento de crise, o setor poderia ser aliviado, pagar dívidas e investir com uma simples medida de prorrogar todas as concessões de geração por dez anos.

As anteriores, a desastrada lei, e as posteriores. Seria suficiente para que as empresas honrassem seus compromissos e pudessem investir. Vender ativos não garante novos investimentos no setor.

Hoje, temos folga decorrente da crise na economia. Mas precisamos estar preparados para uma retomada do crescimento, do consumo de uma energia limpa e barata, hoje muito sensível as mudanças climáticas.

Na área da distribuição, uma boa melhoria seria a institucionalização a nível nacional de uma iniciativa prática do governador Pezão, do Rio de Janeiro, que permite as concessionárias descontar do recolhimento do ICMS as faturas dos órgãos estaduais.

Ou seja, uma boa forma para evitar cortes no fornecimento em milhares de endereços de responsabilidade estadual, em todo o país.

Uma vontade política manifesta no sentido de combater com energia a fraude e a inadimplência, melhorando a arrecadação das distribuidoras, pode facilitar a venda das empresas atualmente administradas pela Eletrobrás.

Todas em estados com problemas no bom cumprimento de suas contas, e com a cultura do calote nos consumidores.

Apesar de uma longa crise, algumas questões graves vêm sendo resolvidas. E um exemplo que se destaca foi o equacionamento do fornecimento a Manaus, base para uma nova arrancada em sua Zona Franca, estancando um gasto anual desnecessário com petróleo.

Um setor importante na economia, com boa gestão, tanto nas estatais como nas privadas, pode se livrar de dificuldades com uma simples vontade política de emendar erros do passado e retomar grandes projetos e geração.

►As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio   

 



Alguns açodados analistas, não compreendendo as altas responsabilidades de presidir um órgão dessa magnitude, passou a cobrar de Paulo Rabello de Castro medidas autoritárias.

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