São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Sacolinha e fraude - 2
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Há uma tendência de considerar os consumidores como débeis mentais, com a tentativa de acabar com as sacolinhas plásticas distribuídas pelos supermercados

E lá vamos nós com a questão da sacolinha plástica novamente. Temos acompanhado o processo da volta da celeuma nas últimas semanas. Que voltou a arrefecer nos últimos dias. Mas logo retorna. É incrível como nos julgam débeis mentais o tempo todo. Não basta o governo fazer isso diuturnamente. Também o setor privado o faz. Todos se aventuram a tirar sua vantagem.

Impressionante país que não se leva a sério em hipótese alguma. Temos cansado de dizer nos últimos anos que podem fazer o quer quiserem, roubem o país, o destruam, façam tudo errado, corrompam tudo e todos, ok. Mas, por gentileza, parem de nos chamar de débeis mentais. Somos melhores que isso.

Depois de um bom tempo em que se esqueceu o problema das sacolinhas, temos diante de nós o seu retorno triunfal. Os supermercados nunca deixarão o assunto morrer. Ser enterrado em paz. Há tanta coisa a se preocupar, como, por exemplo, colocar caixas que saibam fazer contas. Que não se embananem quando se lhes dão uma moeda de 25 centavos para facilitar o troco. Ou se criam aqui ou se importam. Mas, nunca fazem um serviço completo.

Nunca se pensa no consumidor, no cidadão. Sempre em seu proveito próprio. Mas, claro, a culpa não é só deles. É muito mais nossa. Não boicotamos, não mudamos de estabelecimento, não fazemos a devida pressão, nada. Aceitamos tudo como se fôssemos uma grande lata de lixo. Precisamos nos conscientizar que nós também temos força.

Precisamos fazer respeitar nossa inteligência. Parece que este país foi criado apenas para que aqui se pratiquem as maiores barbaridades contra o seu povo. O país é um “cluster”. Parece que tudo que está errado no mundo, está mais aqui, de alguma forma.

A sacolinha plástica, desde há algum tempo, virou o vilã da má qualidade de vida do planeta e da sua destruição. Como se fosse apenas ela. E querem fazer crer que com sua eliminação o planeta estará salvo. “Santa Cretinice da Mentira Oculta”, da “Igreja da Vantagem” rogai por nós pobres brasileiros.

Contra a garrafa de tereftalato de polietileno (PET) não se fala ou faz absolutamente nada. Ninguém esbraveja. Talvez porque o povo seja a parte fraca, e as grandes companhias de refrigerantes e os governos das várias esferas a parte forte.

Todos sabem que a sacolinha plástica tem uma utilidade posterior.  Vira saco de lixo e vai para o aterro sanitário. A eliminação da sacolinha tem, certamente, quatro desfechos certos, incontestáveis:

1) a drástica redução instantânea de custos dos supermercados. Aumentando ainda mais seus fabulosos lucros. Que, certamente, a economia não será direcionada aos preços. Afinal, somos todos brasileiros, moramos aqui e sabemos a índole do país e dos empresários;

2) Além de não darem, vão querer, como já ocorreu da última vez, vender as sacolinhas, aumentando ainda mais seus lucros. E, claro, dos fabricantes das sacolas que agora terão preço.

3) A sacolinha, como se sabe, vai comportar o lixo caseiro de cada um de nós. Com a sua eliminação, o consumidor passará a comprar sacos de lixo para colocar seus resíduos caseiros. Com isso, gastando mais. Certamente, bem mais do que a economia dos supermercados, pois os sacos de lixos custam muito mais. É bem Brasil mesmo. Como já dissemos, um país cínico e único.

4) Os sacos de lixo irão para o aterro sanitário, exatamente como as sacolinhas. E com o mesmo estrago, ou maior, considerando a sua espessura. E, claro, valorizando mais o aterro, já que custam mais (sic).

E, como dissemos, as garrafas PET continuam ai, pelo menos até ontem (sic), reinando de forma absoluta.

E também as demais mercadorias vendidas a nós diariamente, que estão em plásticos. Por exemplo, os salgadinhos em geral, estão embalados em plástico. Também os detergentes têm embalagens plásticas e muitos outros produtos de limpeza. O papel higiênico vem embalado em plástico. O nosso jornal é entregue em casa em um saco plástico.

Há uma infinidade de mercadorias cuja embalagem é plástica, e não vemos ninguém vociferar contra elas. Talvez porque essas embalagens façam parte do preço de compra e venda, ou seja, não estão sendo dadas. Os refrigerantes, da mesma forma. Os supermercados compram e revendem, com a embalagem no preço. Ou seja, agora toda embalagem tem preço. Olhamos nossa despensa e praticamente só temos embalagens plásticas.

Relembrando, a sacolinha nunca foi dada. Esta no preço. Só que, para não admitirem isso, as mercadorias não baixarão de preço, assim, justificando o injustificável.

Está claro a todos, a questão não é ecológica. É puramente financeira. Não se está pensando no meio ambiente, no futuro do planeta, como já mostramos. Todos estão pensando em seus próprios bolsos. Que é tudo que se faz no nosso Brasil. Tudo é sempre contra o povo.

Inclusive, claro, esta volúpia sobre a destruição do planeta talvez não passe de terrorismo. Temos visto muita bobagem ser dita sobre isso. Também sobre a falta de água no planeta. Outra baboseira. Seja lá o que for que ocorra, de que modo a água seja usada, ela sempre estará no planeta. Suja ou limpa. Ela não se evadirá para a Lua, Marte, etc. A água que usamos hoje é a mesma que os dinossauros beberam há 200 milhões de anos. Como dizia Lavoisier, “nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. É fato. E, usamos apenas um por cento da água doce do planeta. E nem falamos da salgada que pode ser tratada. Jamais vai faltar. O que pode acontecer é encarecer, pois vai custar mais para chegar ao consumidor em condições.

Portanto, vamos todos parar de nos preocuparmos com bobagens, e encararmos os verdadeiros problemas, desafios. Fazendo com que as coisas sejam normais, como devem ser. Fazendo do Brasil um país melhor, já que tem todas as condições físicas para isso. E não apenas um grande acampamento. Basta de terrorismo, achincalhe, vantagem sobre todos nós por mero interesse econômico. Sempre nos julgando como os palhaços de plantão. Que é, em realidade, como nos comportamos, voluntariamente.

 



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