Opinião

Reformas indispensáveis


O governo mais impopular da história pode ser o responsável pelo resgate da economia e da crise social que vivemos de grande gravidade


  Por Aristóteles Drummond 09 de Agosto de 2017 às 11:52

  | Jornalista


O empresariado fluminense teve uma grata surpresa ao receber, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), o senador Ricardo Ferraço, relator da reforma trabalhista recentemente aprovada pelo Congresso Nacional.

Em meio a essa crise política, uma palavra de bom senso, lucidez, realismo, revelando um político jovem e moderno – embora com pouco mais de 50 anos, tendo sido eleito vereador aos 19.

O senador foi direto aos pontos da reforma que tirou o mofo da legislação primorosa no lançamento, mas que acabou ficando ultrapassada diante das imensas transformações econômicas e sociais dos últimos 70 anos.

Ricardo Ferraço elencou as medidas que melhoram as condições do aumento na oferta de empregos, na liberdade maior de opções para empregadores e empregados, em termos de carga horária, por exemplo, e o respeito ao acordado quando este não fere a legislação prevista na Constituição.

Testemunhou a palestra, aplaudindo e sendo aplaudido, o vice-governador Francisco Dornelles, que foi o ministro do Trabalho que promoveu o maior acordo trabalhista da história, no pagamento de diferenças do FGTS.

Dornelles foi pioneiro na proposta do fim do imposto sindical, justamente para dar maior legitimidade aos sindicatos, que terão mais adesões na medida em que prestem melhores serviços, deixando de ser um cartório, o que acaba de se tornar realidade. E o senador capixaba garantiu que esta questão é intocável.

Na apresentação do palestrante, a presidente da ACRJ, Ângela Costa, enfatizou que é preciso facilitar a geração de empregos, acabando com ameaças despropositadas ao empreendedor, especialmente nas penhoras online da Primeira Instância, que, por vezes, atingem o absurdo de alcançar acionistas que deixaram a empresa há décadas.

E a Casa de Mauá ficou de encaminhar ao senador sugestões de novas medidas, em trabalho coordenado pelos advogados Daniel Homem de Carvalho e Décio Freire, que lideram a parte jurídica da entidade duas vezes centenária.

Ferraço observou que existe um consenso entre os brasileiros responsáveis em relação à urgência das reformas para evitar um colapso nas contas públicas, independentemente da crise política que atravessamos.

E que o Brasil é um país tão surpreendente que o governo mais impopular da história pode ser o responsável pelo resgate da economia e da crise social que vivemos de grande gravidade.

Pelo visto, nem tudo está perdido!

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