São Paulo, 22 de Maio de 2017

/ Opinião

Quem quer ser um empreendedor?
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Se buscarmos o cenário ideal para abrir nosso negócio, ficaremos aguardando até a aposentadoria. Se somente enxergarmos problemas certamente estaremos fadados ao fracasso

Já se tornou um truísmo afirmar que, no Brasil, o ano começa depois do carnaval. Por sorte, neste ano o carnaval já esta aí. Mas se você realmente é um empreendedor, antigo ou recente, já sabe que o ano novo de trabalho começou ainda em 2016.

Para auxiliar nas metas de 2017, com muitas tendências prós e contras, vamos começar com um número real: R$ 513 bilhões é o valor de faturamento do varejo paulista. Do total, mais de 160 bilhões se refere às  vendas do varejo paulistano.

Este número de grande expressão é calculado pelo IBGE, mas se refere a 2014. É possível afirmar que a cifra está defasada. Depois veio a crise. Mas, na verdade, o que importa é o valor de sua receita, a proporção deste valor que veio para sua empresa.

De 2014 para cá muitas empresas fecharam, devido à crise acima da curva. É por isso rotineira a piada que a franquia com maior crescimento é a do "vende-se" ou "aluga-se". Mas o que dizer das empresas que deram certo, que estão em pleno vapor e superando em muito suas metas?

Qual será a preocupação delas se o valor total de vendas do varejo aumenta ou diminui, se passou de R$ 513 bi para R$50 bi. O importante, certamente, é o que está no seu caixa.

Se buscarmos o cenário ideal para abrir nosso negócio, ficaremos aguardando até a aposentadoria, da mesma forma que se somente enxergarmos problemas e iniciarmos com desânimo certamente estaremos fadados ao fracasso.

É em momentos difíceis que acontece a virada, em que os pequenos podem sair grandes, e os grandes podem virar lideres de seus segmentos.

Pense em diversos produtos e marcas que ao longo do tempo foram se perdendo. As mais conhecidas e antigas a começar pelas lojas de departamentos, Mappin, Mesbla e Arapuã; a rede de TV Manchete, a locadora de vídeo Blockbuster e muitas outras mais. Faltarão dedos para contar quantas empresas grandiosas e históricas surgem e nossa memória.

Todas acabaram devido a crises, interna, externa, de segmento como locadoras e por ai vai. Mesmo bancos visto como empresas que lucram muito, inclusive com a crise.

Quem não se lembra do boné do Banco Nacional utilizado pelo Senna? O Nacional também foi o primeiro patrocinador do Jornal Nacional. Ainda sobre os bancos podemos citar os casos do Banco Mercantil e Industrial do Paraná, com sua propaganda que dizia que o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa.

Quantas lojas e marcas sumiram, se pontuar boa parte delas faliram em crises econômicas?

Outras grandes empresas se foram devido à mudança de comportamento das pessoas, como o uso de chapéus por exemplo. Cem anos atrás todos usavam chapéus: imaginem o tamanho destas empresas. Agora, hoje imaginem como estão.

Vamos trazer para os anos atuais, casos de empresas que sumiram sem nem mesmo percebemos. A Mabe produzia fogões, geladeiras, maquinas de lavar roupas e diversos itens de linha branca. Seu nome não muito conhecido, mas detentora das marcas General Eletric, Dako e Continental.

Lojas de sapatos como a Shoestock, que chegou a faturar mais de R$ 100 milhões anuais, não resistiu nem sobre o faturamento de 2014 que consta no início do texto. Fechou em 2015.

O Grupo GEP, proprietário das lojas Luigi Bertolli e distribuidor da GAP Brasil, com faturamento acima de R$ 500 milhões, está em recuperação judicial.

Poderíamos citar diversas, como Bmart que também está em recuperação.

O fato é que as marcas são como os galãs da Globo: quando um sai de cena, logo outro aparece. Nesta mesma linha, os galãs da Globo duravam décadas, e são famosos até hoje. Agora duram o tempo em que a novela está no ar.

Com a saída da Mabe, duas grandes e já antigas marcas de fogões, agora estão em todas as lojas de varejo nacional. São elas a Esmaltec e Atlas Fogões. Isso também ocorreu no setor de calçados e roupas.

Novos mercados serão abordados em outra oportunidade, mas cabe aqui um adendo ao mercado de e-commerce, novas mídias que entram cada vez mais no nosso dia a dia.

A força dos youtubers, feiras como Campus Party e toda influência causada na nova geração. Este movimento é tão forte que a novela da Globo deixa de influenciar e passa a ser influenciada por este mundo. Galãs de filmes agora vem da internet, devido à fama adquirida por eles nas redes sociais.

No segmento de varejo, a contrapartida vem de empresas que ao longo dos anos vem se consolidando e esperando para dar o pulo do gato em segmento.

Vou dar como exemplo a Preçolandia, loja de produtos para casa, concorrente da Camicado.

É bom salientar que há espaço para todas, mas somente uma está na liderança neste momento de crise. A Preçolândia está expandindo suas lojas, provavelmente devido à crise, negociando com melhores preços em produtos e em pontos de venda -o que acarreta menor preço ao consumidor, em maior procura, que traz mais vendas, que vem com maior receita, logo mais lojas, formando um círculo virtuoso.

É um exemplo claro de como surge um grande player no mercado. Já são grandes, a ponto de poderem investir durante uma crise econômica, e é justamente o que falamos aqui, do momento da virada, onde ocorre a troca do galã, o momento em que sua empresa entra na disputa para sair da crise como líder de mercado. Assim surgem as grandes marcas.

Não importa o tamanho da crise ou o momento econômico do País ou do mundo. É apenas mais um fator, dentre diversos que compõem a analise de risco do negócio.

Para assegurar o crescimento temos que estar preparados para ousar e adquirir a fatia de mercado suficiente para o crescimento do negócio.

O empreendedor tem que saber defender, atacar, cobrar a falta e fazer o gol; tem que saber como correr atrás do seu publico e vender seu produto.

Empreender pode ser para todos, ter sucesso depende de você. Planeje como um adulto, dedique-se como um jovem, mas não deixe de sonhar como uma criança!

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio



Uma minoria desclassificada de oportunistas de plantão, com auxílio de políticos corruptos, está afastando essa oportunidade, pouco importando milhões de famílias que não conseguem arrumar trabalho para se sustentarem com dignidade

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Ou o País põe fim aos meios que nos levaram a este estado de coisas, ou continuará sem meios para chegar a qualquer fim

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Fique de olho leitor e eleitor: é grave a situação institucional. Ou melhor, seria grave se não houvesse a Constituição e será mais grave ainda se a ela não se obedecer

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