São Paulo, 22 de Maio de 2017

/ Opinião

Quais MPEs são importantes?
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O que falta às micro e pequenas empresas é um ambiente legal, regulatório e tributário que lhes seja menos hostil

As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) são importantes para qualquer economia e isso se dá por vários motivos:

*São excelentes empregadoras e geradoras de empregos;
*Ao empregarem, ajudam a tirar o fardo que recai sobre os ombros do estado;
*São importante ferramenta para redução dos níveis de pobreza;
*Essenciais ao crescimento econômico;
*São mais ágeis que as empresas de maior porte;
*Têm notoriedade em todo território nacional;
*Podem ser excelentes desenvolvedoras de tecnologia e, potencialmente, podem ajudar o Brasil a mudar o atual paradigma e deixar de ser uma economia que basicamente só exporta commodities.

As MPEs fazem tudo isso e, ao mesmo tempo, permitem que empreendedores e empregados trabalhem, adquiram habilidades e obtenham renda para sustentar a si e às suas famílias.

Por serem muito comuns, dão oportunidade para grande parcela da população. Quando uma MPE acolhe um trabalhador, o estado terá uma pessoa a menos para sustentar.

Infelizmente, tal visão vem sendo contestada ultimamente. Aparentemente, nem todas as MPEs seriam excelentes criadoras de empregos e a remuneração média seria baixa.

Ademais, a maioria dos empregos gerados seriam perdidos dentro de até cinco anos, normalmente em decorrência do fechamento ou da falência do empregador.

Além disso, segundo tal visão, a maioria das pessoas que resolve empreender parece estar mais preocupada com a sua própria liberdade – o sentimento de que trabalha para si e não para os outros – do que propriamente dinheiro.

Por isso, não possuiriam planos para crescer, aumentar faturamento e receitas e gerar mais empregos. A maioria das MPEs não seria composta de negócios realmente inovadores, o que raramente levaria o Brasil a ser uma economia exportadora de tecnologia. Por fim, os melhores geradores de empregos somente seriam as empresas inovadoras e de alto crescimento.

Mas tal pensamento deve ser questionado e analisado com calma. Mesmo que boa parte disso seja verdade, será que as MPEs não possuem mérito?

A resposta somente poder ser uma e direta: sim, possuem muito mérito! O fato de alguns empreendedores não terem vontade de trabalhar para outra pessoa traz em si algum demérito?

O que seria melhor, uma MPE que ficou aberta por algum tempo (gerando empregos e pagando salários) e fechou, ou uma ideia que nunca saiu do papel e nunca gerou um emprego sequer?

Ter remuneração abaixo da média daquela recebida em empresas maiores é pior ou melhor que não ter qualquer remuneração? A falta de intenção de crescer é um problema em si?

Toda MPE deve necessariamente ser inovadora? O mérito somente existe na inovação, ou na melhoria do conforto e do padrão de vida das pessoas?

Alguns exemplos deixam claro que todas as MPEs são importantes, independentemente da intenção de crescer, de ser inovadora e dos níveis de faturamento ou dos salários pagos.

Vejamos. A retomada do crescimento econômico após a crise de 2007-2008 no Reino Unido e em outros países teve como um dos principais fatores o aumento do número de MPEs.

Ademais, programas de microempréstimos são excelentes para fazer surgir toda uma classe de microempreendedores que, sem o financiamento, seriam pessoas que viveriam abaixo da linha da pobreza e que raramente conseguiriam colocação profissional adequada.

Os benefícios sociais e econômicos obtidos em programas de microempréstimos são proporcionalmente muito mais elevados do que o custo financeiro. Por fim, empresas que surgem da vontade de tão ter de trabalhar para outra pessoa podem muito bem se tornarem inovadoras, com rápido crescimento e excelentes empregadoras.

As MPEs são, via de regra, intensivas em mão-de-obra. Isso representa dizer que raramente não geram empregos.

Além disso, ter alguma renda é sempre melhor do que não ter renda alguma, principalmente em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, em que as pessoas das classes mais baixas obtêm uma parcela maior da sua renda do trabalho prestado a terceiros.

O que falta às MPEs é um ambiente (legal, regulatório e tributário) que lhes seja menos hostil. A mentalidade do governo deveria ser menos arrecadadora e mais promotora do bem-estar da população por meio da criação de empregos e aumento da renda. Todas as MPEs são importantes e devem ser vistas de tal maneira.



Uma minoria desclassificada de oportunistas de plantão, com auxílio de políticos corruptos, está afastando essa oportunidade, pouco importando milhões de famílias que não conseguem arrumar trabalho para se sustentarem com dignidade

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Ou o País põe fim aos meios que nos levaram a este estado de coisas, ou continuará sem meios para chegar a qualquer fim

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Fique de olho leitor e eleitor: é grave a situação institucional. Ou melhor, seria grave se não houvesse a Constituição e será mais grave ainda se a ela não se obedecer

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