São Paulo, 28 de Maio de 2017

/ Opinião

Protesto com chapéu alheio
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A greve geral não beneficiou o trabalhador, que foi impedido de cumprir sua obrigação, arriscando seu emprego e sustento de sua família. E muito menos favoreceu o Brasil, que precisa recuperar sua posição de nação produtora

O movimento de protesto de sexta feira, 28 de abril, não representou a classe trabalhadora brasileira por duas razões principais. O percentual de pessoas que espontaneamente compareceu à manifestação foi pequeno em relação aos milhões de trabalhadores de São Paulo. Cinquenta mil pessoas na rua não dão a ninguém o direito de representação da classe trabalhadora.

A segunda razão, e certamente a mais importante, é que em nome do reconhecido direito de greve, o movimento feriu mortalmente outro direito constitucional mais valioso, que é o de ir e vir, previsto no Inciso XV do artigo 5º de nossa Carta de 1988.

Só a sabotagem empregada pelo protesto - impedindo as pessoas de se movimentarem na cidade, por meio do bloqueio de ônibus e trens para saírem às ruas e atender a população - já desqualifica o movimento, ainda que utilizando o direito de greve.

Junte-se a isso a técnica de guerrilha empregada: seja furando pneus dos veículos e ateando fogo para bloquear as vias de acesso, seja espalhando pregos retorcidos nas ruas. 

São expedientes sórdidos, utilizados em práticas de guerras, e não o meio correto para se defender direitos.

Estas ações dignas de Gramsci são táticas para gerar insegurança e caos nas cidades. 

Só por este fato, o protesto perdeu o justo direito de manifestação, porque impediu o direito da população de ir e vir como prevê o comando constitucional.

O pior de tudo é que o movimento permitiu a invasão de vândalos, que não querem nada além de vomitar violência, depredando bens públicos e privados, inclusive queimando ônibus desnecessariamente como se fossem simples fogueira de São João. 

O triste é que esses ônibus queimados farão falta no transporte do próprio trabalhador, que será ainda mais prejudicado, diante do espírito de destruição que impera nestas bestas humanas, que escondem seus rostos atrás de máscaras e lenços por pura covardia e má intenção. 

Estes fatos prejudicam a boa intenção de alguns idealistas que, certos ou errados, lutam por aquilo que acreditam. Esses baderneiros conseguiram destruir o lado bom do protesto, nivelando o movimento a um ato de vandalismo, gerando prejuízo para a sociedade.

Esta situação lamentável de paralisação e vandalismo causou enorme prejuízo para a economia brasileira, exatamente quando mais precisamos recuperar nossa posição de estabilidade, gerando trabalho e renda para a Nação. 

O comércio local também foi prejudicado, deixando de vender durante todo o dia, pela falta de funcionários e de clientes.

A pergunta que fica no ar é: a quem interessa esta situação? 

Uma coisa é certa. Não beneficiou o trabalhador, que foi impedido de cumprir sua obrigação, arriscando seu emprego e sustento de sua família. E muito menos favoreceu o Brasil, que precisa recuperar sua posição de nação produtora.

Por fim, a verdade é que o objetivo do movimento de protesto - contra as reformas para a modernização do trabalho e a sobrevivência da previdência - não foi alcançado, seja pela pouca expressão do número de adesão espontânea dos trabalhadores ao movimento, seja pela revolta da sociedade diante da destruição e da insegurança que restou. 



Não se trata de proteger a sonegação fiscal e sim de ajudar as empresas inadimplentes vítimas da recessão a se reequilibrarem, diante da falta de caixa e de crédito

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Está tudo tão confuso, tão degenerado, tão nojento que dá vontade de seguir a música que o cantor Silvio Brito interpreta tão bem: “para o mundo que eu quero descer...”

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A sociedade não tem um projeto para o dia seguinte. Parece que tudo se limita a Lava-Jato, às prisões e delações

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