São Paulo, 25 de Março de 2017

/ Opinião

Posição Facesp/ACSP: Mais uma etapa
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Aos empresários e às suas entidades cabe manter as esperanças e a confiança, mas atuar junto ao governo e ao Congresso para cobrar as medidas necessárias

Embora ainda falte uma etapa para a conclusão do processo de impeachment de Dilma Rousseff, foi um avanço importante a decisão do Senado - por ampla maioria - de dar continuidade ao julgamento que, ao que tudo indica, deverá estar finalizado até o fim de agosto, quando, então Michel Temer deixará de ser interino e presidirá efetivamente o Brasil até o final de 2018.

É evidente que a substituição da presidente não muda a natureza e a gravidade dos problemas que o País enfrenta, mas deve facilitar as tarefas do governo de adotar medidas e de propor ao Congresso mudanças legislativas para o equacionamento do ajuste fiscal e a modernização da economia.

Perdeu-se tempo desde o início do processo, já que o período de interinidade dificultou a adoção de medidas e a aprovação de outras. Esse tempo não pode ser recuperado, mas isso tornou mais urgentes o equacionamento e a adoção de soluções para reverter o dramático quadro econômico e social. 

Apesar de faltar pouco para o desfecho do impeachment, o governo precisa aproveitar o curto período para negociar a aprovação de projetos já encaminhadas ao Legislativo e as novas propostas que ainda faltam ser enviadas, a fim de implementar as mudanças mínimas necessárias para que a confiança despertada no presidente Temer e em sua equipe econômica não comece a se deteriorar.

É curto o tempo para se apresentar resultados concretos na direção do ajuste fiscal, da viabilização de investimentos privados e da recuperação das atividades econômicas, porque a gravidade dos problemas das empresas e, principalmente, dos trabalhadores, exige que, pelo menos, se estanque a recessão e se estabilize o nível de emprego.

O drama dos trabalhadores que perderam seus empregos, e enfrentam dificuldades para manter suas famílias, deveria ter acelerado a solução da crise política que paralisa a economia. Isso infelizmente não ocorreu, mas, pelo menos, agora se vislumbra o início de uma nova fase na vida do País, que, se espera, transforme a esperança em realidade.

Se pelo Executivo muito ainda deve ser feito, cabe ao Congresso papel relevante nas mudanças necessárias. O tempo para aprovação é curto, pelo que se exige não apenas urgência na apreciação das propostas, como elevada dose de patriotismo para aprovações sem emendas que as desfigurem ou reduzam a eficácia.

O que está em jogo não são a disputa eleitoral e os interesses partidários ou pessoais, mas o destino do País. Dizia Roberto Campos que “o Brasil é a terra das oportunidades perdidas”, mas não se pode aceitar que isso ocorra novamente, porque a gravidade da situação não comporta atrasos, remendos ou escapismos que posterguem ou inviabilizem a solução dos graves problemas.

A não solução dos problemas representará a continuidade da recessão – com seu mais perverso resultado, que é o desemprego – e o seu aprofundamento, com deterioração da já grave crise social. Isso traria profundas consequências políticas, possibilitando inclusive o retorno do grupo que conduziu o País à dramática situação.

Aos empresários e às suas entidades cabe manter as esperanças e a confiança, mas atuar junto ao governo e ao Congresso para cobrar as medidas necessárias. Mais do que se preocupar, é preciso se ocupar, fazendo ouvir sua voz, sugerir medidas, defender propostas e pressionar por resultados, ao invés de promessas.

Contudo, é preciso pensar além da crise e se engajar no debate e na solução dos problemas sociais. Educação, saúde e segurança não podem ficar apenas a cargo do governo ou do Congresso. A sociedade precisa participar. Os empresários, como lideranças naturais da comunidade, além de sua contribuição fundamental que é produzir, gerar empregos e propiciar recursos aos governos, precisam contribuir - a partir de sua experiência - no sentido de atacar os problemas sociais com racionalidade e eficiência, diferentemente de grupos ideológicos que se aproveitam da bandeira da questão social.



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