São Paulo, 27 de Junho de 2017

/ Opinião

Posição Facesp/ACSP - Mais de um século de História
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Fiel aos princípios que guiaram sua fundação, a trajetória da ACSP, que completa 122 anos nesta quarta-feira (7/12), foi marcada por ações e posições que a colocam como partícipe da vida política, econômica e social da cidade de São Paulo, do Estado e do País

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi fundada no dia 7 de dezembro de 1894, pelo coronel Antonio Proost Rodovalho, homem público de destaque e de espírito empreendedor, em conjunto com um grupo de importantes empresários da época.

Eles buscavam melhores condições para dialogar com as autoridades e organizar a classe empresarial -então incipiente -a fim de participar mais ativamente dos debates nacionais e da defesa dos interesses das empresas.

No ato de instalação da ACSP, o então presidente da Província de São Paulo, Bernardino de Campos, definiu a entidade como “poderoso auxiliar consultivo do governo”.

Já o comendador Duarte Rodrigues, secretário da ACSP, afirmou que “a Associação cria, entre o Estado e o indivíduo, forças coletivas livres que, por uma parte, dispensam o governo de intervenções de que mal podem se desobrigar, e que, por outro lado, desenvolvem no mais alto grau o espírito de iniciativa”.

Definindo a missão que deveria nortear a atuação da entidade, Rodrigues disse que “nos países livres, a Associação reparte, por assim dizer, com o Estado, os ônus sociais. Um conserva-se como guarda vigilante, assegurando a todos a ordem e a liberdade; outra põe em campo sua atividade e estimula e desenvolve os interesses da coletividade. Qual cimento das sociedades modernas, a associação liga os indivíduos isolados e, pela reunião, multiplica-lhes as forças, pela ação livre do poder coletivo dos indivíduos...”

Fiel aos princípios que guiaram sua fundação, a trajetória da ACSP, desde o início, foi marcada por ações e posições que a colocam como partícipe da vida política, econômica e social da cidade de São Paulo, do Estado e do País.

Nos seus 122 anos de atuação intensa, a defesa intransigente dos superiores interesses nacionais e a luta pelo desenvolvimento do Brasil não se limitaram a críticas e sugestões aos governantes. A ACSP promoveu ações objetivas em favor da classe empresarial.

Lutou contra as falências fraudulentas nos seus primeiros anos de atividade. Beneficiou toda a cidade ao implantar um hospital para atender às vítimas da Gripe Espanhola de 1918.

Mostrou seu compromisso social com a intermediação para o fim da primeira grande greve operária em 1919, com propostas que significaram grande avanço no plano social.

Criou um boletim -hoje Diário do Comércio -em 1924, a fim de fornecer informações para maior segurança e expansão dos negócios.

Lutou, ao longo dos anos, contra a tributação e a burocracia excessivas, o desperdício e a malversação de recursos públicos e o intervencionismo estatal na economia.

Mais do que isso, a entidade teve participação marcante no plano político, quando São Paulo foi invadida pelos revoltosos na Revolução Tenentista de 1924, procurou organizar a vida da cidade, defender os patrimônios e impedir o bombardeamento da capital, o que custou a seu presidente José Carlos Macedo Soares a prisão e o exílio.

Em 1932, a ACSP teve destacada atuação política na luta pelo restabelecimento da normalidade constitucional do País.

Não se limitou à mobilização da população: deu apoio logístico às tropas paulistas e criou a campanha “Ouro para o bem de São Paulo”, com intuito de angariar fundos para a manutenção do esforço revolucionário. Os recursos não utilizados para esse fim foram doados à Santa Casa de Misericórdia para construção de um novo pavilhão.

A ACSP assumiu a responsabilidade pela atuação dos empresários no Movimento Constitucionalista. O presidente da época, Carlos de Souza Nazareth, também foi preso e exilado.

Visando a estimular o estudo sistemático da economia e o debate dos grandes temas nacionais, a ACSP criou, em 1944, o Instituto de Economia e a revista Digesto Econômico, sem abdicar de sua atuação política, evidenciada na participação pela reconstitucionalização em 1945, nas reformas modernizadoras pós-64, na Constituinte de 1988 e em outros momentos importantes e recentes da vida institucional do Brasil.

Isso sem descuidar da defesa dos interesses específicos da classe empresarial e da ampliação e modernização dos serviços que oferece aos associados, com esforço e empenho para facilitar a atividade empreendedora.

A prioridade em favor das micro e pequenas empresas, que resultou no Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o qual originou o SIMPLES, a figura do Microempreendedor Individual e outras conquistas sempre foram acompanhadas pela luta permanente contra o excesso de burocracia e a tributação complexa e elevada, que continua desestimulando o empreendedorismo e dificultando o crescimento do Brasil.

Nos últimos anos a ACSP, em conjunto com a Facesp, tem alertado os governantes sobre a urgência da solução dos grandes problemas nacionais, que passa, indiscutivelmente, pela implementação das reformas política, administrativa, tributária, previdenciária, das relações trabalhistas e do Judiciário.

Preza, também, pela eliminação de privilégios injustificáveis e por uma atuação firme dos Executivos – federal, estaduais e municipais – para conter os gastos públicos e aumentar a eficiência na utilização dos recursos.

Em um resumo da atuação da ACSP nesses 122 anos, podemos afirmar que ela sempre se manteve fiel aos ideais de seus fundadores e à herança deixada por todos aqueles que nesse mais de um século se dedicaram a fazer da entidade uma autêntica representante da livre iniciativa, colaborando para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.    

 



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