São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Opinião

Posição Facesp/ACSP: Desafios e oportunidades
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O país necessita de que todos - empresários, trabalhadores, políticos, governantes e todos os que detêm alguma parcela de responsabilidade - pensem no Brasil acima de seus interesses, mesmo que legítimos

O Brasil atravessa um período de grandes dificuldades na economia, com a combinação de inflação elevada, juros altos, produção industrial em queda e forte retração das vendas do varejo e dos serviços, agravada pela desaceleração do emprego e da renda.

A confiança do consumidor está em patamar muito baixo, o que sinaliza menor disposição de consumo.

Em consequência, o cenário nos próximos meses é de continuidade dessas dificuldades, o que vai exigir cautela na gestão dos negócios por parte dos empresários, que precisam preservar a liquidez e o equilíbrio dos balanços das empresas, controlar estoques, fazer promoções, inovar, rever práticas administrativas, além de treinar e motivar os funcionários.

Desta forma, estarão preparados para a retomada da economia, que, esperamos, possa começar a partir de 2016.

Quem tem um empreendimento há mais tempo já enfrentou crises e sabe que o país as superou, graças às potencialidades e à capacidade da classe empresarial, que sempre teve coragem para enfrentar desafios, trabalhando e se dedicando a suas empresas. Elas são elemento fundamental para a retomada da economia e o equilíbrio social.

Esses empresários sabem, também que, mesmo nas maiores crises, há oportunidade para setores e empresas, que, por isso, precisam estar atentas ao mercado e às medidas adotadas pelos governos das três esferas de poder, já que o peso do Estado é muito grande na economia brasileira, e suas decisões podem impactar positivamente ou negativamente os negócios.

A desvalorização do real nos últimos meses começa a tornar viável a exportação de alguns produtos manufaturados, embora seja ainda necessário maior fortalecimento frente ao real, o que provavelmente deve ocorrer na medida em que o Banco Central reduza sua intervenção no mercado, aumentando a capacidade de competição das empresas no exterior.

Ao mesmo tempo, o encarecimento dos produtos importados abre campo para a substituição das importações, especialmente de produtos em que o Brasil era inclusive exportador, como têxteis e confecções.

O turismo doméstico também pode se beneficiar da desvalorização da moeda brasileira, que tem restringido viagens e compras no exterior, permitindo ao setor se beneficiar de um aumento da demanda que já se faz sentir em alguns segmentos.

Caso efetivamente continue o processo de valorização do dólar, esses movimentos – exportação, substituição de importações e turismo interno - devem se acentuar, podendo representar um dos fatores para que a economia comece a se recuperar.

É evidente que, mesmo em segmentos com retração, há oportunidades pontuais, fazendo com que empresas cresçam na crise, por terem encontrado nichos não afetados pela recessão ou por terem conseguido se expandir às custas das demais concorrentes, por terem adotado práticas diferenciadas que lhes deram vantagens competitivas.

Outro fator importante para alavancar a economia pode ser a implementação do programa de concessões e de parcerias público-privadas, propiciando investimentos em infraestrutura, o que, além de gerar emprego, contribui para o aumento da produtividade da economia e sinaliza para empresários de outros setores com perspectivas de retomada das atividades econômicas.  

Mas o que consideramos mais importante é que o governo, incluindo-se o BC, não adote mais medidas que afetem negativamente as empresas, como a elevação de impostos ou das taxas de juros.

A profundidade da recessão que se avizinha - com aumento significativo do desemprego e queda da produção e das vendas - recomenda cautela por parte das autoridades, para que o país atravesse a crise com sacrifícios, mas sem desestruturar as atividades privadas, para que não se comprometa o futuro do país. 

Como empresários, vamos acreditar no Brasil e no seu futuro, mas com a cautela necessária para assegurar a sobrevivência das empresas.

O país necessita de que todos - empresários, trabalhadores, políticos, governantes e todos os que detêm alguma parcela de responsabilidade - pensem no Brasil acima de seus interesses, mesmo que legítimos.

Com a contribuição de todos vamos superar mais essa crise.
 



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