São Paulo, 21 de Janeiro de 2017

/ Opinião

Percorrendo a História
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O movimento dos tenentes, surgido em 1922, revelou uma safra de personalidades que vieram a marcar mais de meio século de nossa história republicana

Em texto moderno, leve, didático, o jornalista e historiador Pedro Doria vem de lançar um livro intitulado "Tenentes" sobre o movimento surgido em 1922 e que revelou uma safra de personalidades que vieram a marcar mais de meio século de nossa história republicana .

Como bem avaliou o autor, os movimentos dos tenentes na década de vinte nunca foram bem contados.  Seus participantes por vezes são mais conhecidos pelas ruas e praça que emprestaram seus nomes.

O livro conta os movimentos daqueles anos e comenta a presença de alguns de seus membros nas décadas seguintes.

Certamente  reservou para outra obra o papel dos tenentes em 30, com Getulio Vargas , no processo político de 45 a 64 e no próprio período militar , com dois tenentes presidentes –Castelo Branco e Costa e Silva – e  como seus integrantes tomaram rumos diferentes.

Desde abandonar a vida publica, como foi o caso de Miguel Costa, o principal companheiro de Prestes na famosa coluna, a  longevos como Juarez Távora que disputou a Presidência da República com JK e foi Ministro de Castelo Branco  o emblemático Brigadeiro Eduardo Gomes , duas vezes candidato a Presidente e o próprio Prestes.

Além dos abordados, inclusive retratando bem o episodio que ficou conhecido na historia como “os 18 do forte”, e a figura marcante de Siqueira Campos, muitos jovens oficiais daqueles anos vieram a ter papel importante na vida nacional.

Não consta do livro, pela revelação da militância ter se dado na verdade em 1930, Juraci Magalhães, dono de uma das mais completas biografias de nossa vida publica.

Chegou a General, foi Interventor e governador eleito da Bahia, Ministro da Justiça e das Relações Exteriores na "Revolução de 64" e o primeiro presidente da Petrobras.

Consta que Juraci era o candidato dos sonhos de JK para sua sucessão, numa união da UDN com o PSD para barrar o fenômeno eleitoral que era Janio Quadros. Operação abortada por Carlos Lacerda que impôs o apoio da UDN ao candidato que parecia imbatível, como acabou acontecendo.

Outro que teve papel importante foi Filinto Muller, tenente que foi Chefe de Policia de Vargas, senador por muitos mandatos por Mato Grosso, líder de JK e da ARENA no Senado.

Curioso é que Filinto Muller teve uma vida de combate ao comunismo, manteve uma ligação de amizade pessoal com Prestes, cuja coluna integrou.

O livro marca certamente uma nova abordagem da historia, não fosse o autor desta nova safra de escritores dedicados a contar o passado como Mary Del Priore c Luiz Octavio de Lima entre outros.

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