São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Para onde vamos?
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A hostilidade que o ex-ministro Manega sofreu em hospital é apenas um sintoma do sentimento amplo da população contra o PT

O episódio ocorrido com o ex-ministro Guido Mantega, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, é significativo e deveria ser objeto da atenção mais racional e menos emocional dos petistas, dilmistas, lulistas.

Como se sabe Mantega foi acompanhar sua esposa num tratamento no hospital e foi hostilizado pelas pessoas presentes na área de uma lanchonete no hall de entrada do Einstein.

Segundo a direção do local, as manifestações contra Mantega não partiram de médicos ou funcionários da Casa. Eximiu-se de responsabilidade e deixou claro que os apupos e frases (“Vai tratar no SUS, fora Mantega”, por aí afora...) foram proferidos por pessoas que estavam no hospital na condição de acompanhantes de parentes e amigos.
 
Se os arrogantes detentores do poder conseguirem se abster por um segundo do viés ideológico e não enxergarem falsamente golpismos ou manipulações da imprensa burguesa no episódio, vão conseguir enxergar o quão crescente (e preocupante) é o sentimento anti “tudo que aí está”, que vem tomando conta de imensa parcela da população brasileira, inclusive, formadora de opinião.

Não é golpismo. Não é ódio por ódio. Não é nada além do retorno do pêndulo que Lula fez se movimentar e nesses doze anos de poder os petistas usaram e abusaram, de tentar dividir o Brasil em “nós” (eles) e “eles” (nós). Entendeu leitor?

Foram e seguem sendo tantos os desmandos, desatinos, corrupção, incompetência, decisões ideológico-partidárias e não nacionais, volta da inflação, economia em queda, produção indústria esfacelada, consumo caindo, entre outras tantas patifarias de que o Brasil tem sido vítima de seus governantes e políticos da ba$e aliada, que está tudo vazando pelo ladrão. Sem trocadilho.

Para deixar o quadro ainda mais dramático, a governanta reeleita faz do seu início de seu segundo mandato um espetáculo estapafúrdio de falta de coerência, sensatez, além das declarações infelizes para não dizer ignorantes em respeito ao cargo.

Cada fala de Dilma, Lula, Falcão, Cardoso, Mercadante, Sebá, Jucá, seja lá quem for que tente defender ou justificar os desatinos oficiais, é uma página a mais a enriquecer o Dicionário do Bobageiral Pátria.

De tal forma está crescendo nas ruas, nas casas, nos clubes, escritórios, ônibus, metrô, onde se anda o mal-estar com a já esgotada forma petista de governar e atacar para se defender, que até o eleitorado cativo que os levou a quatro vitórias nas disputas presidências, por ignorar o que acontece nos escaninhos do poder, começa a perder a convicção.

Até agora, para estes de alguma forma beneficiados por ações sociais petistas, não atribuíam culpa alguma a Lula que sempre se beneficiou dos “nós e eles”.

A corrupção, os escândalos, a mais absoluta cara de pau dos petistas e governistas para justificar situações que criaram, atribuindo culpa a terceiros (de preferência FHC, mas vão chegar a JC...) de abusiva utilização, está perdendo seu efeito. É como o remédio que ingerido em demais não produz mais efeito.

Se isso se disseminar, nas camadas mais populares, e se somar ao tsunami da classe média que se avizinha, os apupos a Mantega vão ser fichinha.

Temo por esse quadro.

O lulo-petismo do qual a governanta é mera zeladora, mas ajudou a afundá-lo, em sua arrogância de origem, em vez de ver nisso o resultado de uma situação por ele mesmo criada, vai se arvorar em vítima e incentivar a divisão dos eles e nós, capaz de levar a conflitos de rua, como se viu já no Rio na luta entre manifestantes a favor da Petrobras (certamente pagos pelos cofres públicos) e os contrários, no meio sindicalista.

Somos civilizados, e não incentivo nenhum tipo de violência, mas as vaias serão entendidas pelos companheiros como tentativa de golpe em vez de retrato da situação que criaram.

E cada vez mais a massa crescente vai vaiar apupar, mandar para o SUS, e criar constrangimento para quem tem tratado o Brasil como a latrina do fundo de seu quintal.

Merecem? Não merecem?

Para onde vamos?

Cá no meu canto estou muito preocupado com as nuvens negras que não são as mesmas que precisamos para encher represas, mas também causam inundações.

Não vai indo bem. E são apenas dois meses de (des)governo.

Do que Aécio escapou...

 



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