São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Opinião

Para onde vai o preço do petróleo
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A cotação do barril tem caído no último semestre. Nos EUA, o varejo repassa a queda para o consumidor, mas no Brasil a Petrobras precisa recuperar um antigo prejuízo

No final de junho desse ano, de um galão de gasolina (3,785 litros) nos postos de gasolina nos Estados Unidos custava em média US$ 3,20. Agora em dezembro, o preço está próximo de R$ 1,60, uma queda de 40% em relação ao que custava faz seis meses. Muitos se perguntam até onde continuará caindo o preço do combustível no mercado consumidor americano.
 
Não é difícil identificar a origem de queda tão expressiva no preço nas bombas de gasolina em todos os EUA: o preço do barril de petróleo, tipo WTI (West Texas Intermediate) caiu persistentemente no segundo semestre desse ano, passando de mais de US$ 100 o barril, em junho, para US$ 60 no início de dezembro. Trocando em miúdos, tanto o petróleo tipo WTI como o tipo Brent está com o menor preço nos últimos cinco anos no mercado internacional. Os estoques estão altos e o mercado está superofertado.
 
Nos Estados Unidos, o petróleo cru corresponde a 63% do custo da gasolina pago pelo motorista. Outros 8% são atribuídos ao refino, 15% à distribuição e marketing e 13% a impostos. A queda do preço do petróleo permitiu o repasse de 30% na ponta da distribuição da queda veio por conta dos elevados estoques.

Nos Estados Unidos, aumentos e reduções no preço da matéria prima, o petróleo, transmitem-se diretamente ao preço dos derivados no varejo. Há razões importantes para isso: primeiro, o mercado é competitivo, ao contrário do que muitos supõem ao falar dos “cartéis” no setor petrolífero como um todo e na distribuição, em particular.

Segundo, o governo não interfere na formação do preço dos derivados no mercado.
Isso é possível porque lá se acredita que o mercado é a melhor forma de racionar, via preço, um bem escasso, como o petróleo e seus derivados. E, importante, não há empresas estatais nos Estados Unidos envolvidas com o setor petrolífero.

Aqui, alguns, ao perceber que o preço do petróleo no mercado internacional já caiu esse ano 40%, perguntam quando e quanto dessa queda será transferida aos preços pagos pelos consumidores. Lamento dizer, caro leitor, que provavelmente o consumidor, com muita sorte, continuará pagando o mesmo que pagava antes da rebaixa do preço da matéria prima no mercado internacional.

A busca de reduzir a inflação através da administração de preços tem produzido efeitos colaterais importantes. O primeiro consiste na descrença de que o mercado e seus participantes possam mais bem avaliar em que o consumidor deve gastar o seu próprio dinheiro. Em mercados livres, o aumento do preço de uma mercadoria geralmente leva o consumidor a substituir o produto cujo preço aumentou por outro, relativamente mais barato.

Alguém argumentará que a gasolina não tem substitutos próximos, e que o consumidor não terá como substituir o combustível por outro produto. Ledo engano. Com a gasolina mais cara, muitos passarão a usar o transporte público, menos confortável, porém mais barato. Viagens longas nos fins de semana com a família utilizarão o mesmo veículo – os genros e noras viajarão com menos conforto, mas com economia para a família como um todo. E assim por diante.

Além disso, o fato é que, para mostrar uma inflação mais palatável, o governo acabou por prejudicar a Petrobras. Com prejuízos acumulados durante o período de congelamento dos preços, e com o aumento continuado dos preços internacionais até junho, a empresa teve sua margem operacional reduzida e com ela sua capacidade de investimento foi altamente prejudicada.

Agora, quando a situação de preços no mercado internacional se reverteu, transformando a alta em queda, chegou a hora de recuperar os prejuízos anteriormente ocorridos. Se simplesmente mantiver os preços no patamar atual, a Petrobras recuperará pelo menos parte da receita perdida com o congelamento de preços no mercado interno.

O que esperar no horizonte de tempo previsível? A maioria dos analistas acredita que os baixos preços vieram para ficar, pelo menos nos próximos dois anos. De um lado, a produção a partir do xisto americano está reduzindo a importação de petróleo pelos EUA. De outro, a Arábia Saudita, o segundo maior produtor, aposta na manutenção dos preços em baixa para retardar o crescimento da produção americana. Daí sua decisão de não cortar a produção e impedir o aumento do preço do petróleo no mercado internacional.

Essa decisão tem consequências relevantes para os demais produtores. O mais prejudicado é a Rússia, mas os preços em queda livre também afetam a Venezuela e Angola, dependentes da exportação de petróleo.

Também a exploração de nosso pré-sal será afetada, em momento de fragilidade da Petrobras. A conferir.
 
 



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