São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Opinião

Os três erros que uma startup não pode cometer
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Não basta atrair investimentos, estar de acordo com as leis de propriedade intelectual e buscar um produto inovador

O foco principal de uma startup, a partir do momento de sua idealização, deve ser nos resultados. É necessário criar um produto viável e tentar comercializá-lo no mercado, de modo a ter um retorno financeiro e alavancar investimentos para crescimento agressivo.

Desse modo, a startup se transforma em um modelo de negócio sólido e supera o período inicial de incerteza pelo qual toda empresa iniciante passa.

Pode parecer estranho, mas muitos empreendedores cometem algumas distrações. Como resultado, suas ideias nunca saem do papel e muitas vezes nem mesmo da cabeça de seus idealizadores.

O primeiro erro está em dedicar tempo demais na busca por investidores. Muitas vezes somos iludidos por alguns exemplos de empresas que começam do nada, recebem a atenção de um visionário que ajuda a criar a startup, e esta passa a valer milhões ou até bilhões de dólares.

São casos como a americana a Actmize, que desenvolveu serviços de antifraude no mercado financeiro; do Uber, que criou sistema de caronas que está concorrendo com os taxis; ou da Shopping.com, pioneira no serviço de comparação de preços na web.

Mas são exemplos isolados em um mercado disputado por dezenas de milhares de empresas. Muitos empreendedores gastam tempo precioso em contatos, apresentações e visitas a eventos em busca de parcerias, quando poderiam dedicar esse tempo com clientes, fechando vendas e obtendo resultados para a empresa crescer sozinha.

Portanto, ter como única estratégia a expectativa de que um dia algum “salvador” vá transformar sua ideia em uma empresa multimilionária não é razoável.

Também se perde muito tempo atrás de proteção intelectual. Algumas empresas desperdiçam recursos e tempo por acreditar que se trata de um assunto simples. Na verdade, muitas vezes é melhor simplesmente lançar o produto no mercado e conseguir resultados do que passar anos lutando por uma patente.

Se sua ideia for realmente boa ou revolucionária, as grandes empresas vão arranjar um meio de derrubá-la com excelentes advogados e um eficiente lobby. Você provavelmente não terá recursos para combater esse tipo de investida.

Também é possível que, mesmo havendo um problema de propriedade intelectual, você seja pequeno demais para chamar a atenção. Os grandes processos judiciais que ficam famosos na mídia, como o caso Apple versus Samsung, são intimidadores.

Mas são processos bilionários e distantes da nossa realidade. Grandes corporações não ficam à procura de microempresas e startups para processá-las. Seria gastar tempo e dinheiro para pouco retorno. Sem contar os efeitos negativos que uma ação como essas poderia trazer para a imagem da empresa.

Por fim, o empreendedor deve manter em mente que uma startup de sucesso não é inovadora somente no produto, mas também na estratégia e na maneira como ela se apresenta ao mercado.

Vejam o caso do Linux, por exemplo. O sistema operacional tem vantagens em segurança e funcionalidades em relação ao Windows, mas nunca se consolidou como um grande competidor, porque nunca teve um visual suficientemente amigável e uma gestão fácil para os administradores de rede.

Também nunca contou com todo o apoio estratégico e comercial que a Microsoft tinha. Outro exemplo interessante é o Whatsapp. Ele não é o único tampouco o melhor aplicativo de troca de mensagens gratuitas; no entanto, por meio de um visual amigável e uma eficiente estratégia de mercado, consagrou-se entre os usuários dos smartphones.

 O Whatsapp, no momento da compra pelo Facebook, alcançou uma cifra aproximadamente 22 vezes maior que o seu principal concorrente, o Viber.

Em suma, atrair investimentos, estar de acordo com as leis de propriedade intelectual e buscar um produto inovador são fatores importantes, mas somente se eles mais contribuírem do que atrapalharem os processos de criação da startup.

É dever do empreendedor evitar que esses fatores criem entraves para a viabilização e o sucesso da empresa.



A fundação está em busca de ideias inovadoras. Os interessados têm prazo até 31 de outubro para apresentar propostas

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