São Paulo, 24 de Abril de 2017

/ Opinião

Os efeitos do corte dos juros
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A primeira redução desde outubro de 2012 não terá impacto muito relevante sobre a atividade econômica, pelo menos agora

Todo o poder é confiança
(Benjamin Disraeli)

Na quarta-feira (19/10), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) decidiu, após sua 202ª reunião, reduzir a taxa de juros básica (SELIC) de 14,25% para 14% ao ano.

Foi a primeira redução desde outubro de 2012, decisão que não surpreendeu a maioria dos analistas, dado o recuo apresentado nos últimos meses pela taxa de inflação, no contexto da intensa recessão que ainda assola o País.

Contudo, os efeitos diretos dessa redução sobre a atividade econômica não deverão ser muito relevantes, pelo menos por agora. Vejamos por quê.

Em primeiro lugar, a diminuição da Selic em 0,25% ao ano é, por si só, pouco significativa. Além disso, como a transmissão dessa taxa básica para aquelas enfrentadas por famílias e empresas resultarão em quedas ainda menores dessas últimas, o efeito sobre o consumo e o investimento produtivo será desprezível.

Outro fator que diminui a eficácia dessa “distensão” da política monetária sobre o consumo é a elevada desocupação, que retrai a concessão de crédito por parte dos bancos, já que este sempre foi a principal causa da inadimplência em nosso País.

 Essa maior desocupação também afeta de forma negativa a disposição a comprar mesmo dos consumidores que ainda mantém seu emprego, como nos mostra o Índice Nacional de Confiança do Consumidor (INC), calculado pela Ipsos Affairs para a Associação Comercial de São Paulo.

Por sua vez, no caso do investimento produtivo, enquanto não houver melhora importante das expectativas dos empresários com relação ao desempenho da economia, estes dificilmente se animarão a realizar expansão de seus negócios.

O Copom, não obstante, em nota à imprensa divulgada depois de finalizada a referida reunião, sinalizou que poderia intensificar a redução dos juros se a inflação continuar desacelerando e se o ajuste fiscal for efetivamente realizado.

A aprovação em primeira votação no Congresso da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que estabelecerá um “teto” para a elevação das despesas do Governo Federal, de acordo com a inflação registrada no ano anterior, aumentou a possibilidade de sua implementação, o que representaria um primeiro passo no reequilíbrio das contas públicas.  

Na medida em que esse esforço prosperar, reforçado por uma reforma previdenciária que compatibilize as regras de concessão de benefícios à realidade demográfica do País, será viável compatibilizar juros cada vez mais baixos com menores níveis de inflação.

Somente assim será possível recuperar de forma efetiva tanto a confiança do consumidor quanto a dos empresários, acelerando a retomada da atividade econômica.

 

 

 

 

 

 

 



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