São Paulo, 24 de Maio de 2017

/ Opinião

O voto vale ouro
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Nenhum dos partidos dispõe hoje do chamado candidato bom de voto

O diagnóstico da eleição de prefeito de São Paulo do ano que vem serve para nivelar a sucessão de Fernando Haddad por baixo porque nenhum dos partidos dispõe, no momento, do chamado candidato “bom de voto”.

Até PT e PSDB, que se habituaram a polarizar e a decidir eleições no País nos últimos 20 anos, parecem estar contaminados pela fragilidade dos pré-candidatos de outros partidos. Para PT e PSDB, principalmente, cada voto do eleitor da Capital vale ouro.

No PT, por exemplo, não existe segredo porque o partido já decidiu que o prefeito Fernando Haddad será candidato à reeleição, embora seu índice de popularidade no Ibope e Datafolha não tranqüilize os petistas.

A decisão da cúpula de apostar na reeleição do prefeito provocou imediata reação da senadora Marta Suplicy, que ameaça deixar o PT e sair candidata por outro partido, por entender que tem mais votos do que Haddad, principalmente na periferia da cidade.

O problema, no entanto, é que Marta não encontra um outro partido com o mesmo peso eleitoral do PT para bancar sua candidatura. Os partidos que já ofereceram legenda a ela –como o Solidariedade, do Paulinho da Força Sindical e o PSB, do vice-governador Márcio França- ainda não têm potencial para disputar com êxito uma eleição tão problemática, como é a da Prefeitura da Capital.

Lula tenta convencer a senadora a permanecer no PT para evitar que ela se candidate por outra legenda e tire votos de Fernando Haddad. O ex-presidente pretende segurar Marta no PT com a promessa de que a senadora será sua candidata ao governo do Estado em 2018.

Já, no PSDB, a preocupação é pela reconquista da mais importante Prefeitura do país,mas o seu candidato mais forte ainda é José Serra, que não tem interesse de interromper o mandato de oito anos de senador que começou a exercer recentemente.

Serra –isso sim- se prepara para voo mais alto, o de obter a legenda tucana para concorrer pela terceira vez à presidência da República, em 2018, embora ciente de que enfrentará outros dois fortes presidenciáveis no partido, o também senador Aécio Neves e o governador reeleito Geraldo Alckmin.

Por enquanto, o neto Bruno e o filho Zuzinha querem explorar o sobrenome do avô e pai, o ex-governador Mário Covas, por acharem que podem herdar um espólio eleitoral valioso que poderia ajudá-los numa eventual candidatura de prefeito. Os dois, porém, não podem ser apontados como candidatos com potencial de votos capaz de sacar o PT da Prefeitura, já em 2016.

Ainda no PSDB, surgem outros pretendentes à sucessão de Fernando Haddad, como o vereador Andrea Matarazzo e o suplente de senador José Aníbal, ambos com os estoques de votos ainda desidratados.

 A falta de candidatos robustos no PT e PSDB levou Paulo Maluf a decidir disputar mais uma vez a Prefeitura. Também o presidente da FIESP, Paulo Skaf, se encheu de  esperança e tentará ser prefeito pelo PMDB pela segunda vez.

Outro provável candidato é o deputado Celso Russomano, do PRB, que tem muitos votos para se eleger deputado, como ficou evidenciado nas eleições do ano passado, mas que ainda não são suficientes para ganhar a eleição.  O PRB ainda não se libertou do estigma de ser considerado um partido nanico.

 



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