São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

/ Opinião

O tucano que quebrou o bico
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Corrupção na Petrobras já havia sido denunciada pelo jornalista Paulo Francis durante o governo de FHC

Em 1996, primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, o jornalista Paulo Francis denunciou que diretores da Petrobrás estavam fazendo milionários depósitos em contas secretas em bancos suíços, provavelmente dinheiro oriundo de propinas e comissões pagas por empreiteiras quando assinavam contratos para a execução de obras para a estatal. As graves denúncias foram feitas em Nova Iorque, no programa de televisão Manhattan Conection, atualmente exibido pela Globo News na noite de domingo e reprisado na tarde de segunda-feira.

Se o Ministério da Justiça na época tivesse determinado à Polícia Federal investigação rigorosa das denúncias de Francis, provavelmente o descalabro que reina na Petrobrás não teria alcançado a dimensão que alcançou. Mesmo assim, não acabaria com a corrupção na empresa, porque um dos advogados que defendem empresários presos na Operação Lava-Jato  declarou que, no Brasil, não existe a contratação de qualquer obra pública se a empresa não pagar a famigerada  propina.  Mas a mídia não pressionou o governo tucano para investigar a fundo as denúncias do jornalista, como pressiona hoje o governo  petista. É provável que a corrupção na Petrobras já tenha comemorado bodas de ouro.

 Ao invés de apurar com seriedade e persistência as denúncias do jornalista, a diretoria da estatal providenciou um processo-crime contra Paulo Francis, que não dispunha de cópias dos depósitos bancários porque os corruptos não deixam provas quando surrupiam o dinheiro do contribuinte. Os diretores da Petrobrás cobravam do jornalista uma indenização moral milionária, no valor de U$ 100 milhões, iniciativa que abalou profundamente Paulo Francis. Mais tarde, infelizmente, médicos admitiram que a rigorosa indenização teria contribuído para que um enfarte do miocárdio matasse o jornalista.

Há dias, Fernando Henrique disse –com justa razão- que sentia vergonha com o que está ocorrendo na Petrobrás, fatos que denigrem  os governos de Lula e Dilma Rousseff. Nós também  – como todos os brasileiros - nos envergonhamos da escalada da corrupção no País que compromete os partidos e toda a classe política. O escândalo da Petrobrás, no entanto, é apenas mais uma macha a denegrir a imagem do Brasil no exterior. Podemos lembrar, por exemplo, outro caso deplorável no conjunto da corrupção, que foram os  12 anos de propinoduto nas obras do Metrô de São Paulo, envolvendo os governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos tucanos como o envergonhado Fernando Henrique. O País sente muita vergonha ainda hoje dos mensalões do PT, PSDB e DEM e, principalmente, da inédita compra da reeleição para beneficiar um  presidente da República do PSDB, que ganhou mais quatro anos no Poder.

Os escândalos que vicejam nos governos municipais, estaduais e federal servem para referendar o que diz o homem comum: PT, PSDB, e os demais partidos políticos no Brasil são todos farinha do mesmo saco.



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