São Paulo, 27 de Abril de 2017

/ Opinião

O povo que se exploda
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Pode-se dizer que as novas gerações da atualidade política brasileira são a essência de tudo de mal, ruim e ilegal, que a chamada classe política faz ao Brasil.

No dia 21 de março de 1971, portanto há 45 anos, comecei minha vida como repórter da Jovem Pan e desde os primeiros meses, sempre cobrindo a área política.

Fui por dez anos repórter político da Folha de S.Paulo, depois de ter passado alguns anos também na TV Tupi e Rádio Capital, como comentarista político.

Comecei no período em que o país estava sob governo militar, com AI-5, Decreto 477 (proibia reuniões estudantis) e desde entoa, acompanha a vida nacional a cada passo.

Minha coluna no Diário do Comércio completou este ano 44 anos de publicação ininterrupta, sempre falando e comentando a cena política e social do Brasil.

Pois bem, nem na fase militar, nem no período Collor e somente após a instalação da era Lula que se mantém no poder –sim, Temer era vice de Dilma e foi eleito pelo PT- não me lembro de ter visto tanta baixaria e falta de conteúdo, de civismo, de respeito, e de caráter, nos personagens da vida pública brasileira.

A população, após a mobilização que impediu Dilma de seguir no poder, assiste estarrecida a ausência total de visão pública das autoridades que compõem as altas cúpulas dos três poderes da República.

Executivo, Legislativo e Judiciário, travam batalhas entre si, e internas, entre os seus, enquanto buscam todos, com possíveis, mas não visíveis exceções, salvar cada um a sua pele, vaidade ou tesouro desonesto acumulado, sempre usando, como pano de fundo, a mentira que proferem de defesa das liberdades e da democracia, enquanto conspurcam contra ela cotidianamente em seus atos públicos.

Espremida no meio disso tudo, a população do país sofre os males das consequências –todas- dos atos de desgoverno, corrupção e ausência de caráter público e de caráter pessoal também dos envolvidos, que jogaram o país na recessão, na inflação, no desemprego, na desesperança. 

Enquanto a população assiste, ainda sem explodir, sua situação amarga de incapacidade de sobreviver dignamente, os poderosos de plantão, dançam o baile da felicidade, como se vivessem num outro país, não tivessem culpa de tudo de mal que aflige o coitado do brasileiro comum e seu papel não fosse representar, legislar, apreciar, julgar, executar, as funções e necessidades públicas.

O Estado existe para regular a sociedade, é permanente. E os governos existem para fazer cumprir as determinações e regras do Estado contidas na Constituição. Simples assim. 

No Brasil essa lógica inexiste. O Estado existe para criar condições para governos. Na era Lula, para  servir  a partidos e grupos ideológicos e econômicos de manutenção do poder, enquanto no, dizer de então de genial Chico Anísio, querem que “o povo que se exploda”.

Sem ser saudosista, e sem nenhum ranço conceitual, apenas pela comparação da qualidade intelectual, moral e competência, pode-se dizer que as novas gerações da atualidade política brasileira, são a essência de tudo de mal, ruim e ilegal, que a chamada classe política faz ao Brasil.

Para onde se olhe, na cena da vida nacional, só se vê pobreza, notadamente de espírito, ausência de lideranças sérias, de projetos voltados para o bem do país e a predominância do fisiologismo, do patrimonialismo, da corrupção, da mais absoluta falta de vergonha na cara de quem detém o controle dos mecanismos do Estado e do governo.

O que se vê em Brasília, todos os dias, o que se sabe dos estados e municípios, e isso abrange todos os poderes da República, é uma devastação física, moral, econômica, política e social, de inversão de valores. 

Perto do que hoje se vê ,a celebre frase de Ruy Barbosa, sobre a vergonha de ser honesto diante do triunfo das nulidades, da prosperidade, da injustiça, se torna apenas uma frase de almanaque numa época em que nem almanaque mais existe.

O Brasil é hoje um caldeirão em efervescência, onde os comandantes do fogo e das panelas, incapazes ou desinteressados de sentir o calor e a pressão que de dentro dela emana, serão queimados na explosão que estão fomentando achando que tudo acabará bem.

Desta vez, não. Não mais. Só eles não querem perceber, nem largar do osso, que a festa já acabou. E que a orquestra que eles pensam ouvir, de tão desafinado que está esse conjunto de condutores do poder, na verdade é o som das bandejas caindo no chão.  Deles próprios cavando suas sepulturas políticas.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 



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