São Paulo, 24 de Maio de 2017

/ Opinião

O paradoxo Brasil
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O Brasil é unido, mas é enormemente diverso. É uma cultura singular, mas multiforme. É rico, mas é desigual

O Brasil nunca foi um país simples, nem nas suas origens, nem na sua formação e tampouco na sua compreensão.

É um país complexo, nos seus problemas, desafios e soluções.

E se há um testemunho útil de quem nele viveu nos últimos cinqüenta anos é de que, independentemente dos avanços que o País tenha experimentado, não há atalhos para o seu desenvolvimento. 

Temos que amadurecer como sociedade, em nossa organização política  que é o Estado. Temos que aperfeiçoar a nossa representação política, o que só pode acontecer pela Democracia.

E isso significa, dentre muitas coisas, enfrentar e superar nossas contradições, sabendo que para o Brasil, como costuma acontecer com os países grandes, não há queima de etapas.

Elas não são pequenas. O Brasil é unido, mas é enormemente diverso. É uma cultura singular, mas multiforme. É rico, mas é desigual. Tem uma população animada de forte sentimento nacional, mas que ainda não encontrou a sua expressão cívica. 

Todas essas contradições têm que ser levadas em conta no debate sobre os caminhos do Brasil, algumas delas superadas, outras simplesmente assumidas.

Afinal de contas, não chegaremos a lugar nenhum deixando de ser o que somos, nas nossas virtudes e defeitos. 

E é a contradição que caracteriza também este momento crítico da vida nacional.

O desemprego atinge proporções inéditas, mas um consenso político e social faz a reforma trabalhista avançar.

Os índices de aprovação do governo despencam, porém todo mundo sabe, inclusive a oposição, que é com esse governo que o Brasil tem a melhor chance de sair da crise.

A corrupção exsuda por todos os poros do Estado, mas o seu combate segue inexorável com a Operação Lava-Jato que tem o apoio firme da sociedade.

No Congresso Nacional, continuam a ter papel de destaque alguns dos piores nomes da política, mas é através dela que se deliberam as urgentes reformas de que necessita o Brasil.   

Em suma, os brasileiros sabem que têm que trabalhar mais e melhor, a começar o governo, para o País sair da encrenca em que o meteram. 

Ninguém precisa gostar do governo para esperar e exigir que ele faça mais, uma vez que, ele é meio e não fim. 

Como a corrupção no Brasil não é coisa de amador, deixemos os que a praticaram com os juízes que os estão julgando e prendendo: chega de mídia e militância em favor de seu corrupto de estimação. 

E quanto aos políticos, é simples: vigilância e voto, 2018 está aí.  

Por esse caminho talvez seja possível entendermos melhor o que nos tira o sono, resume nossas angústias e exaure nossas energias.

Que domina nossas conversas à mesa, de casa ao trabalho. Que nos apaixona e consome, nos sacrifícios do dia a dia e na alegria dos gramados. Que nos intriga e enternece, na literatura e na História. 

É o Brasil, paradoxo nele mesmo que haverá de ser o que sempre foi.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 



Está tudo tão confuso, tão degenerado, tão nojento que dá vontade de seguir a música que o cantor Silvio Brito interpreta tão bem: “para o mundo que eu quero descer...”

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A sociedade não tem um projeto para o dia seguinte. Parece que tudo se limita a Lava-Jato, às prisões e delações

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Uma minoria desclassificada de oportunistas de plantão, com auxílio de políticos corruptos, está afastando essa oportunidade, pouco importando milhões de famílias que não conseguem arrumar trabalho para se sustentarem com dignidade

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