São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Opinião

O efeito da reforma financeira sobre o sistema bancário paralelo
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Muita gente acha que a crise financeira de 2008 foi produto de um contexto em que a evasão às normas havia chegado a um ponto em que se tornara novamente possível a antiquada corrida aos bancos

Há duas grandes lições no anúncio da General Electric de que a empresa planeja deixar o segmento de finanças.

Em primeiro lugar, a tão injuriada lei Dodd-Frank de reforma financeira está dando ótimos resultados. Em segundo lugar, os republicanos têm falado muita bobagem sobre o assunto. (Tudo bem, talvez o segundo ponto não seja realmente nenhuma novidade, mas é importante compreender o tipo de tolice que essa gente anda falando).

A GE Capital, braço financeiro da empresa, era o exemplo perfeito da ascensão do shadow banking [sistema bancário paralelo]. Sob alguns aspectos, ela se comportava como um banco.

Criava riscos sistêmicos de modo muito parecido como fazem os bancos. Contudo, não era regida por regulação alguma, e teve de ser socorrida por meio de acordos provisórios que, naturalmente, deixaram muita gente furiosa, já que punham o contribuinte em situação difícil por causa da irresponsabilidade do setor privado.

SEDE DA GE NO ROCKFELLER CENTER/Foto:Brian Arkin

Grande parte dos economistas acredita que a ascensão do shadow banking se deveu menos às vantagens proporcionadas por esse sistema (não) bancário do que à arbitragem regulatória — isto é, instituições como a GE Capital se aproveitavam da falta de supervisão adequada.

Muita gente acha que a crise financeira de 2008 foi produto, em larga medida, de um contexto em que a evasão às normas havia chegado a um ponto em que se tornara novamente possível a antiquada corrida aos bancos (ainda que em outros trajes).

Uma lei, a Dodd-Frank, tentou consertar esses incentivos negativos "ao submeter instituições financeiras sistemicamente importantes" — ou SIFIs, na sigla em inglês —  a uma supervisão maior e delas exigindo mais capital e liquidez. E o que diz a GE agora?

Se for para jogar de acordo com as mesmas regras que todo mundo joga, e se a disputa não tiver nenhum risco moral, não vale a pena ficar nesse negócio. Eis aí a demonstração inequívoca de que a reforma está funcionando.

Bem, a postura oficial dos republicanos tem sido, mais ou menos, a de que a crise nada teve a ver com os bancos sem controles — foi tudo culpa do Barney Frank, ex-presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara que, de certa forma, obrigou os pobres e inocentes banqueiros a fazer empréstimos àquelas pessoas.

A postura à direita também afirma que as SIFIs são, na verdade, um convite ao mau comportamento, e que as instituições assim designadas sabem que são grandes demais para falir e podem desfrutar ao máximo da ganância própria do risco moral.

Contudo, conforme observou recentemente o economista Mike Konczal no blog do Instituto Roosevelt (leia aqui), a GE — seguindo os passos de outros, principalmente da MetLife — está claramente desesperada para escapar à designação de SIFI. Tudo indica que ser chamado desse modo faz justiça ao que a sigla se propõe: ser um fardo, e não um bônus.

São bons tempos para os reformadores.



Não é possível se enfrentar uma crise dessa dimensão sem causar polêmicas. O consenso não vai resolver nada, o que é necessário é necessário, e inegociável

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