São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Opinião

O efeito bumerangue
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O PSDB pretendia usar os escândalos da Petrobras para eleger o prefeito paulistano, mas as denúncias também deverão atingi-lo

O PSDB está reunindo os cacos que sobram do escândalo da Petrobrás para explorar o show de propinas que irrigavam os bolsos de diretores da estatal, tentando tirar proveito e obter dividendos eleitorais para seu candidato à Prefeitura de São Paulo, na campanha do ano que vem.

Os tucanos, no entanto, não esperavam que o ex-gerente da empresa, Pedro Barusco, aproveitasse a delação premiada à comissão da Operação Lava-Jato para fazer a revelação de um segredo de polichinelo: a de que já recebia propinas ainda no governo Fernando Henrique Cardoso.

O tucanato imaginava irradiar a versão de que as propinas ocorriam apenas nos governos de Lula e Dilma Rousseff, embora sabendo que a roubalheira na Petrobrás pode estar comemorando bodas de ouro.

A revelação inesperada de Barusco coincide com a denúncia feita pelo jornalista Paulo Francis, em 1996, de que diretores da Petrobrás estavam fazendo depósitos milionários em bancos suíços. A revelação de Francis foi feita em Nova York no programa de televisão conduzido pelo veterano jornalista Lucas Mendes, Manhattan Connection, que
é exibido pela Globo News no domingo à noite e reprisado na tarde de segunda-feira.

Mas, a informação do jornalista caiu no vazio, porque o Ministério da Justiça na época não determinou que a Polícia Federal apurasse a grave denúncia de Paulo Francis.

Recentemente, Fernando Henrique bateu um recorde invejável, concedendo a oitava entrevista ao programa Manhattan, ficando à vontade para criticar Lula, a presidente Dilma e o PT.

O PSDB vai aproveitar a campanha de prefeito para acusar o PT de ter alimentado a corrupção na Petrobrás durante 12 anos - oito nos governos de Lula e quatro no de Dilma Rousseff.

A resposta petista, contudo, promete ser dada no mesmo diapasão, pois a coincidência registra que no mesmo período de 12 anos, vigorou outro escândalo robusto, o do propinoduto no Metrô e Trens Metropolitano de São Paulo, em que um cartel de empresas também irrigava os bolsos de diretores corruptos, envolvendo os governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.
As propinas eram uma retribuição generosa a diretores das estatais paulistas, liberadas no ato de assinaturas de contratos para a execução de obras. Há dias, um dos advogados de empreiteiro, preso na Operação Lava Jato, foi claro ao dizer que, no Brasil, não existe uma única obra pública que não seja irrigada pela tradicional propina.

O PSDB luta para reconquistar a importante Prefeitura da Capital, admitindo que o PT vai chegar fragilizado na campanha do ano que vem. Os tucanos, porém, não podem ignorar a história das eleições de prefeito em São Paulo, sobretudo as mais recentes.

Opartido não pode perder de vista, por exemplo, o registro do que aconteceu em 2012, em que Lula elegeu o “poste” Fernando Haddad no auge do julgamento, condenação e prisão de petistas envolvidos no Mensalão do PT, mesmo tendo como adversário o mais forte candidato do PSDB, o senador José Serra.

 



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