São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Opinião

O Brasil enfermo
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Os partidos políticos em nada representativos prejudicam os mecanismos de decisão que poderiam evitar a moléstia institucional

Volto a reiterar. A jovem e até já forte democracia brasileira não conseguiu ainda se vacinar contra um sintoma negativo que a atormenta de forma recorrente: a falta de representatividade dos partidos políticos. É como um resfriado, mais que isso, uma gripe, permanente que vez ou outra ameaça se tornar uma pneumonia.

Baseada num processo eleitoral que se renova a cada dois anos, portanto com uma prática constante de exercício da escolha popular e renovação pelo menos de parte dos políticos com mandatos e dirigentes públicos, nossa concepção de representação popular peca na base.

Os partidos políticos, instrumentos de concentração de tendências, programas, ideologias da forma de governar, na prática, são apenas redutos dominados de grupos políticos, de oligarquias, de interesses particulares e absolta ausência de vínculos com o pensamento de parte dos eleitores, o que deveria se sua missão fundamental.

O ex-presidente Jânio Quadros dizia dos antigos Arena e MDB, derivados do período militar onde se abrigavam políticos das mais diversas as tendências, eram todos farinha do mesmo saco.

Fosse vivo, hoje em dia, e o ex-presidente ficaria pasmo com a proliferação de farinhas contidas na mesmice do multipartidarismo pátrio. Sobram siglas, multiplicam-se legendas, e a representatividade popular continua a mesma?

Nenhuma, para ninguém.

São falsos os programas que a lei exige para a existência de um partido político. Limitam-se a um aglomerado de palavras supostamente intenções de ação governamental no Executivo ou Legislativo.

Em nossos partidos políticos, onde o grosso da população passa ao largo, socialistas são prósperos capitalistas, e capitalistas são socialistas na busca do poder.

Partidos de trabalhadores transformaram líderes que deveriam surgir do chão das fábricas em abastados líderes comprometidos com as estruturas de poder e deram ao movimento trabalhista, e mesmo ao estudantil, a chancela de linhas auxiliares do governo, movidas a polpudas verbas, todos, claro, acolitados em siglas pomposas.

Mais pomposas do que as siglas, não representativas das tendências da população brasileira, são as propagandas obrigatórias na grande mídia, criada por eles, os partidos e seus membros com mandatos. Existisse o mundo que eles difundem em programas cujo requinte de formato inibe a TV comercial, não fosse o conteúdo oco (de ambos) e poderia parecer aos desavisados eleitores que aquela é a realidade nacional.
 
Falsidade, falácias, mentiras, ilusões, são subprodutos apresentados sem nenhum constrangimento pelos partidos – e praticados em suas ações no governo e fora dele- de modo a atrair os cidadãos e cidadãs para seus quadros de militância. Procuram, também, massa de manobra interna, porque defendem, por exemplo, lista de candidatos, para manter no esquema de dominação permanente dos mecanismos democráticos – a própria representação popular- os privilegiados que fazem parte do grupo de dominação e obtenção de privilégios à custa do tesouro público.

Os partidos políticos nanicos são uma aberração a serviço de manobras eleitorais, de conchavos televisivos e de arrecadação do fundo partidário. Há quem seja profissional dessa anomalia (o partido que só representa seus detentores).

A democracia brasileira, por mais incongruente que possa parecer, padece de um mal crônico: os partidos políticos. São eles os responsáveis pela inexistência de políticas públicas e de lideranças comprometidas com o país e não com seus interesses, na maior parte das vezes, de enriquecimento ilícito de seus integrantes.

Pior do que essa gripe é a pneumonia que pode vir do esgotamento do modelo. Cada vez mais aumenta o número de interessados no butim quando diminui o número de contribuintes, embora a arrecadação cresça. A conta já não fecha.

Procuram-se, urgente, lideranças políticas sérias para o país.

Até o apelo soa como piada.

E a Petrobrás, hein?

Mais uma coisa. Viram as verbas que o governo do PT destina à comunicação de massa, privilegiando a Globo? Explicado porque nossa imprensa fica desconfortável quando precisa criticar o governo de Lula/Dilma.

O Brasil está profundamente enfermo.

 

 

 



Ele disse desconhecer que os valores depositados em conta secreta do casal de marqueteiros eram relativos a dívida de campanha da presidente afastada Dilma Rousseff

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