São Paulo, 26 de Junho de 2017

/ Opinião

O 16 de agosto da presidencialíssima
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Depois de inúmeros discursos, nossa gloriosa “mulé sapiens”, espécime única brasileira, parece ter atingido a aurora da forma: o domínio completo da verve confusa

Dilma Rousseff como presidente nos dá duas certezas: a de sermos governados por uma pessoa absolutamente    incapaz; e a de que o país caminha para o desastre. Basta verificar seus discursos desconexos e involuntariamente humorísticos. O dia 16 de agosto é a oportunidade de manifestarmos nossa contrariedade e exigir sua saída.

Depois de inúmeros discursos, nossa gloriosa “mulé sapiens”, espécime única brasileira, parece ter atingido a aurora da forma: o domínio completo da verve confusa.

Nem mesmo Chico Anysio, no apogeu da sua fecunda carreira humorística, conseguiu produzir clássicos com a profusão que estamos presenciando. “Diuturna e norturnamente”, somos informados, pelos internautas (“olá, internautas! ”), das estultices supostamente improvisadas da nossa representante.

O que nos leva à pergunta relevante do momento: sobreviveremos ao pós-Dilma Vana Rousseff? O 16 de agosto está chegando e temos que nos preparar, pois milhões deverão ir às ruas para exigir a saída de Dilma.

Nossa pergunta não é econômica. O Brasil não vai quebrar, e vocês sabem o motivo. Ou não sabem? Sem alarmismo. Não importa a inflação galopante, que tira a comida dos pobres. Nem o PIB encolhendo, que tira o emprego dos pobres. Nem o corte na educação, que tira o ensino dos pobres. Nem o aumento dos impostos, que tira o dinheiro dos pobres.

Nossa comand-Anta tem um plano! “Nós não quebramos, esse é um país que tem… tem aquilo que vocês sabem o que é”. Borogodó? Nada disso. Temos a mandioca, “uma das maiores conquistas do Brasil”! Comungada com o milho, é claro.

Nem, tampouco, é política a nossa indagação. E daí que o governo perde até jogo da velha no Congresso? A lei da gravidade seria revogada caso a excelentíssima se posicionasse a favor da dita cuja. Mesmo o PT, suposto partido da escolhida, vota contra o desgoverno atual.

“Tudo culpa da Lava Jato”, gritam os petralhas. Porém, todo mundo sabe que, atrás de todo petista, há sempre uma figura oculta, que é um doleiro atrás. E eles detestam quando o doleiro aparece.

Nossa pergunta, na verdade, se refere à cultura nacional. Depois de anos acostumados às intervenções periodicamente épicas da nossa mandatária que nada manda, estamos preparados para devolvê-la ao ostracismo dos hospícios anônimos?

Como serão nossas segundas-feiras sem as metas abertas e inexistentes que serão alcançadas e, depois, dobradas? Sem sermos alertados que “quem ganhar ou perder, nem quem ganhar ou perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder! ”? Sobre o quê versarão os memes vindouros?

Um salve à capitã que se encontra com o presidente dos Estados Unidos e, dentre todos os assuntos existentes, faz questão de explicar a ele que “depois que a pasta sai de dentro do dentifrício, ela dificilmente volta para o dentifrício”! Coitado do tradutor simultâneo! Deveria cobrar um adicional de insalubridade.

Como se fosse pouco, nossa heroína ainda reverberou, cheia de si, suas peripécias em rede nacional! “Uzamericano” tem muito a aprender com a “Dilmãe”. Ô povinho sem cultura!

Esse garbo varonil dos nossos conterrâneos é cantado em verso e em proza há tempos. Assim como a seca no Nordeste. Qual é a opinião da escolhida? “Devido às secas, está retratado todo o problema da miséria, da pobreza, da saída das pessoas do Nordeste pro Brasil”. Entenderam agora? Vai todo mundo perder!

Nestes últimos dias, a “super-gerente” estava em Roraima, “a capital mais distante de Brasília”, e mostrou que vai deixar mais do que saudades. Declarou-se “roraimada” a nossa poetiza no agora “estado-capital”. Sempre com aquele “sorriso” no rosto. Aquele ar de ter recebido uma grande iluminação intelectual.

Ela é insubstituível. Se não existisse, teria que ser inventada. Poderíamos jurar, inclusive, que ela é a mãe do Lula que nasceu analfabeta. Mas o Lula que a pariu, entenderam? São as contradições do lulopetismo.

É pensando nisso, neste vazio tragicômico que as gerações futuras herdarão, que achamos por bem sugerir a criação de um cargo exclusivo para a “mulé sapiens”. O cargo de “Presidencialíssima”, seguindo a mais remota tradição da nossa República.

(Para lembrar: após a quartelada que deu origem à nossa República, o primeiro presidente do Brasil, Deodoro da Fonseca, foi aclamado como “generalíssimo”). 

Muitos dirão que esse cargo não existe, mas a palavra “presidenta” também não existia. O gênio indomável da doutora em nada a inventou, e muitos a aceitaram e a incorporaram ao vernáculo formal. Talvez seja para esses que ela “roraime” tanto.

A única obrigação do novo cargo será a seguinte: a ocupante deve cometer, semanalmente, um discurso improvisado. Pode ser da Casa Verde, da Casa da Dinda, da Casa Rosada ou do diretório da Papuda, a nova casa do PT. Nunca mais seremos acusados de desperdiçar os nossos talentos no que eles fazem de melhor.

O cargo de presidente fica com o Michel Temer. Vai todo mundo ganhar! Entenderam? Ela “agarante”!


p.s: deixando o humor de lado, não se esqueçam: este domingo, dia 16 de agosto, vamos todos para a rua em protesto contra o desgoverno da “mulé sapiens” e exigir sua saída da presidência. Seja via renúncia, cassação ou impeachment, Dilma tem que sair.

pp.s: “16 de agosto será o dia nacional daqueles que acordam cedo todas as manhãs. Será o dia nacional daqueles que cansaram de ser roubados em silêncio. Será o dia nacional daqueles que voltaram a sonhar e daqueles que mantêm o nosso país vivo. 16 de agosto estará nos livros de história. Cabe a você escolher como ela será contada. A mudança já começou. Por um Brasil Livre. ”

Ao som da música “Duel of Fates” de Star Wars, essa é a chamada do Movimento Brasil Livre – MBL de Kim Kataguiri, convocando os brasileiros a exigir a saída de Dilma. Ouça aqui.

Assinamos embaixo.

Com Reinaldo Bedim, economista

 



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